quarta-feira, maio 10, 2017

Quais os pontos fracos da reforma trabalhista de Temer?

É muito fácil entender que o empresário vai ter poder para sucatear as profissões e pagar menos pra contratar mais pessoas que se submeterem ao seu sistema exploratório - Veja Porque:

Comissão da reforma trabalhista na Câmara dos Deputados, deputado Daniel Vilela PMDB - GO
Fonte PMDB Nacional - Creative Commons via Flickr

Por Saulo Valley - O Observador do Mundo - Rio de Janeiro, 10 de Maio de 2017 - 14:58 GMT-3

No desespero a maioria vai aceitar. Depois de contratada a maioria vai querer ir pra justiça, que por sua vez estará do lado do empregador.

Porque a nova lei dará ao empregador o direito de pechinchar e negociar os direitos de quem quer trabalhar. Destaco que nesta negociação não entra nenhuma contrapartida da empresa. Apenas o trabalhador deverá abrir mão de algo que já era direito seu. Já pensou nisto?

Então pense na possibilidade que o governo está criando para fortalecer as empresas e enfraquecer o trabalhador.

Imagina uma construtora que pega uma grande obra. Contrata um advogado com pós em RH e Vai contratar 5000 operários analfabetos ou semi-analfabetos. Como acha que serão as negociações? Vantajosas pra quem?

Em outras palavras o governo brasileiro está oficializando o trabalho escravo. Aonde a exploração dos trabalhadores será disfarçada em uma submissão supostamente  "voluntária".

Já pensou que as empresas que antes valorizavam seus colaboradores com diversos benefícios como planos de saúde e dentário, tiket refeição, colônia de férias entre outros atrativos se sentirão cada vez mais desobrigadas a mantê-los?

Video: TV Senado: Especialistas divergem sobre reforma trabalhista:



As explicações dos defensores desta mudança são vagas e não são técnicas. Aumentar o emprego oferecendo mão de obra mais barata vai gerar substituição, por consequência profissionais especializados e "caros" por seu nível mais elevado serão demitidos. Daí esta classe trabalhadora dificilmente conseguirá retornar ao mercado.

Pois esta reforma, na verdade é uma forma de retirar da Justiça do Trabalho e do Ministério do Trabalho suas principais atribuições:

"Fiscalizar as relações entre trabalhador e empregador, generalizando e pré-aprovando qualquer formato de negociação."
Destacando que se as reformas propostas pelo governo Temer fossem boas ele não precisaria se oferecer para pagar uma boa grana, pra quem votar à favor das mudanças na lei. Muito menos faria manobras para driblar falta de interesse dos demais políticos no tema. Ninguém quer se expôr num ação desta que é contra a classe trabalhadora às vésperas das eleições.

Este cenário embaraçoso é o mesmo que o Brasil vivenciou durante a votação do impeachment da ex-presidente Dilma e a quebra de decoro parlamentar de Eduardo Cunha. Nos bastidores só vemos pessoas desesperadas jogando dinheiro e vantagens ao avanço pra ver se consegue algum apoio.

Melhor aplicação da mudança

Esta proposta seria muito bem vinda se fosse especificada e direcionada para a regulamentação de profissionais liberais e autônomos. Assim as oportunidades de trabalho seriam melhor aproveitadas e as contratações poderiam ser acompanhadas e rubricadas pelo Ministério do Trabalho, ajudando e incentivando ao trabalhado "livre" na questão de seu futuro, garantindo depósitos de FGTS e PIS entre outros benefícios já previstos na lei ara trabalhadores fichados.

Tags: reforma trabalhista, reformas, mudanças, alterações na lei, governo federal, Ministério do Trabalho, emprego, desemprego, Saulo Valley, O Observador do Mundo, 

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