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Porque misturar política com segurança pública resulta em caos

A segurança pública do Rio tem sido um grande fracasso, se levarmos em conta as estratégias empregadas no combate ao crime que de um modo geral se tornou organizado enquanto ações impensadas de governadores, prefeitos e secretários de segurança só desarticulam as operações policiais, ou as fazem parecer inúteis - Continue Lendo:

Por Fábio Rodrigues Pozzebom/ABr - http://www.agenciabrasil.gov.br/media/imagens/2007/10/21/1625FP4021.jpg/view, CC BY 3.0 br, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=2959118


Por Saulo Valley - O Observador do Mundo - Rio de Janeiro, 10 de Maio de 2017- 13:20 GMT-3

Quando os governos decidem controlar as polícias, só há uma razão: A exploração dos recursos destinados a elas.

De uma forma honesta ou por meio de superfaturamentos, ou mesmo desvios e propinas, se formos mais fundo em casos já conhecidos do público. A verdade é que para se obter uma segurança pública eficiente ninguém melhor que o militar para comandá-la ou planejá-la.

Infelizmente, assim como os Ministros do STF são nomeados pelos presidentes de sua época, e acabam legislando em função deles, os chefes de polícias e comandantes de batalhões são pessoas de confiança do governador do estado, o que abre precedentes para um monte de ações no mínimo suspeitas.

Perfil do militar:

O soldado, independente da força que pertença é treinado para executar ordens, e seu fico está em enfrentar bravamente o perigo oferecido pelos inimigos. O soldado tem o foco de fazer cumprir a lei e as determinações superiores. A mentalidade desenvolvida pela maioria destes profissionais é muito eficiente e oferece ótimos resultados quando liderados por outros profissionais com no mínimo dez vezes a experiência que eles.

Mas a interferência política joga tudo por água à baixo. São pessoas despreparadas para o combate, que só enxergam os efeitos nas mídias e nas urnas além da quantidade de lucro que seu departamento pode movimentar de modo claro ou obscuro.

Ligado ao bom comandante sempre haverá ótimos soldados. Ligado a maus comandantes sempre haverá homens de má índole, que juntamente com ele, buscam converter o poderio de seu uniforme e distintivo em vantagens pessoais.

Como jornalista profissional em segurança e inteligência em guerras e conflitos internacionais, observo que as polícias estão sendo minadas por seus próprios líderes enquanto que o crime organizado absorveu o crime desorganizado e formou um bloco massivo, subdividido em facções regionais.   Hoje em dia ladrões de celulares e carteiras não roubam sem autorização da facção a que pertencem. Tudo é mapeado e controlado em detalhes.

 Cada vez mais hostis com os seus, os criminosos são exigentes e investigam 100% do tempo seus liderados, nunca deixando pairar sobre elas a sensação de que estão livres de suspeita. Já no âmbito policial nada ocorre sob pressão. Até porque a corregedoria das polícias tem uma falha grave em sua estrutura: Ela não tem um departamento específico para treinamento especial para seus soldados. Eles são colhidos do meio das tropas e indicados a atividade extra. Esta estratégia visa dar profundidade de percepção no seio de uma tropa, mas não impede que o militar indicado para a corregedoria seja um criminoso fardado.

A assombrosa operação policial da Cidade Alta, que resultou na apreensão de 33 fuzis e na prisão de mais de 40 criminosos sem que fossem divulgadas mais que 4 mortes, deixa uma alerta: Há envolvimento político nesta estratégia. Isto porque:

Com a atual fome e sede de matar policiais os traficantes fortemente armados jamais se renderiam e jamais entregariam suas armas. Então supõe-se que estas armas deviam estar guardadas para que fossem expostas como resultado da operação. Até porque o número de armas apreendidas não é compatível com o número de criminosos presos e à julgar pelo violento e prolongado confronto que aconteceu ao longo da noite anterior, nenhum bandido estava desarmado.

Sabe-se que os ladrões de celulares e bolsas, foram arregimentados pelo crime organizado para que quando o "quartel general" sofresse tentativa de invasão, estes deveriam engrossar as forças de contenção. Por isto os assaltos ganharam força, que além de apadrinhados pelo crime organizado, os assaltantes agora podem alugar armas e munições, como foi constatado pela própria polícia militar.

A operação da Cidade Alta causou a mesma sensação que a invasão no Morro do Alemão que gerou a inauguração da primeira UPP em 2010: A sensação de que algo estava errado. Que nenhuma operação de sucesso acontece com "zero" número de mortes e que nenhum bandido fortemente armado simplesmente sai correndo a não ser que haja um acordo.

O acordo é o mesmo que tornou este estado numa calamidade de segurança pública. É o famosos acordo tipo:

"Eu dou a batida, prendo o material, vocês fogem pelas portas dos fundos. Daqui a um tempo quando a mídia esquecer o assunto vocês vão voltando no sapatinho."

Neste meio-tempo os políticos passeiam pelo local, tiram selfies jornalísticas, seus repórteres escrevem artigos lindos contando sua vitória, e mais dinheiro entrando em caixa. Mas no final de tudo o crime está sempre no mesmo lugar e o povo está sempre cercado de muitos homens (fardados ou não) apontando-lhe armas, oprimindo suas saídas de casa e seu retorno para ela. tudo é dinheiro.

No fim das contas o próprio político desmoraliza o policial com salários nem sempre pagos, quando pagos nem sempre em dia, quando em dia nem sempre completos.

Abrindo precedentes para infinidades de acertos com novos mercadores da morte. Assim nenhuma cidade-referência como o Rio de Janeiro pode continuar a sustentar.

Então pra parecer bonito na mídia a "Guarda Nacional" é ativada. Pra aumentar o rombos nas contas públicas, pra justificar mais desvios de recursos da saúde, educação, previdência.. E vamos navegando sob alerta vermelho. Gastar mais de 4 milhões para trazer 300 homens desqualificados para operar nas comunidades é ridículo. Só pode ser coisa de político para político, ou se político para empresários. Até porque os soldados são transportados como se fossem a Seleção Brasileira. São quebráveis ou frágeis? Gastariam 10% disto se empregassem 1000 unidades das forças armadas.

Mesmo assim, tanto as Forças Armadas quanto a Força Nacional, acabam fazendo o serviço de forças auxiliares, já que não estão treinados para a atual guerrilha urbana e as táticas de guerrilha praticadas pelo crime organizado. É muito dinheiro e esforço desperdiçado. Só pode ser coisa de quem não entende nada de segurança pública, apenas manda.

Tags: segurança pública, forças de Segurança, Força Nacional, POLÍCIA, Saulo Valley, O Observador do Mundo, Rio de Janeiro, crime organizado, inteligência, corrupção política, política, 

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