quarta-feira, janeiro 11, 2017

Síria: Menino desabrigado morre congelado e Assad desmascarado cada vez mais

A crise síria está longe de terminar mas à cada ano de conflito os indicadores de culpa se acumulam na direção do ditador Bashar Al-Assad - Como vivem os civis desalojados na Síria? Leia à Seguir:

Por Saulo Valley - O Observador do Mundo - Rio de Janeiro, 11 de Janeiro de 2017

No começo da revolução síria pairava uma nuvem de dúvidas sobre o que estaria realmente acontecendo no país, isto porque as informações eram desencontradas e muitas conflitavam. Era a inteligência síria apoiada por ditaduras comunistas da América Latina que trabalhavam na "contra-informação" . Eles desvirtuam todas as denúncias que partem da Síria e chegam na internet. Clonam os títulos e mostram imagens inversas, que apontam Assad como "o salvador do seu povo" e populares como "terroristas radicais".

A cidade de Aleppo serviu para mostrar a verdade debaixo dos escombros. Pilhas e pilhas de concreto que diariamente bombardeado e socado por toneladas e toneladas de explosivos e o que se imaginava é que só haviam mercenários guerrilheiros, radicais islâmicos brigando pelo controle da nação... Mas de lá saíram 60 mil civis, entre eles 80% eram mulheres, idoso e crianças. Alguns morreram de fome, bombardeadas, esquartejadas ou por doenças decorrentes dos ferimentos dos bombardeios horas antes do resgate.

Até que a necessidade de evacuar civis da área de combate revelou de modo irrefutável quem são as verdadeiras vítimas e quem são os verdadeiros agressores. Este menino na foto tinha 7 anos e fugiu de sua casa ao lado de sua família para não morrer debaixo dos escombros. Bashar Al-Assad só permitiu que saíssem porque sabia que eles viveriam um inferno pior ou igual nos campos, nos desertos ou nas cidades já sitiadas por forças pró-Assad. Ele morreu ainda na fronteira.




Como quem cruza o deserto perseguido por matilhas de lobos, os desalojados viajam pelo país como nômades em busca de sobrevivência. Estes se sentem inseguros nas cidades controladas pelo regime e tentam escapar da morte à qualquer custo, nem que para isto precisem se adaptar ao modo de vida primitivo. Muitos constroem cabanas de folhagens e galhos de árvores, outros se acomodam nas barracas dos campos para refugiados criados por organizações não-governamentais como a ACNUR da ONU.




Mas desde 2011 as gangues pró-Assad têm recebido autorização do regime para atacar a todos os acampamentos aonde civis se abrigam. Em Setembro de 2011 uma gangue de Shabihas (milícia que trabalha para o governo) invadiu um acampamento da ONU para refugiados no lado turco e estuprou 400 mulheres, crianças e idosas deixando pelo menos 250 delas grávidas de seus agressores.

Com terror espalhado, a população desalojada começou a fugir dos acampamentos e buscar abrigo na selva, nas montanhas ou nos desertos.

Quneitra é uma província localizada na região sudoeste da Síria na fronteira com a região ocupada de Israel, nas Colinas de Golã. Lá vive uma população de cerca de 3.500 desalojados que escaparam dos bombardeios de bombas de Cluster que choviam sobre Daara e região suburbana de Damasco. Eles são sobreviventes de todas as formas de terror. Em dias de calor escaldante morrem de insolação e sede. No inverno morrem de frio e tempestades violentas que destroem seus singelos habitats. Constantes ataques de gangues estrangeiras, ainda enfrentam abusos de militares do regime, mortandade, estupros e isolamento. Um sofrimento que não tem tamanho.

A-Rahmah camp after the snowstorm. Photo courtesy of camp organizer Abu Firas - via syriadirect
E a perseguição aos populares não termina nunca porque enquanto as forças pró-Assad perseguem seu próprio povo por ter saído às ruas para pedir eleições presidenciais (não não acontecem desde 1946) seus políticos e serviços de inteligência atuam de forma a desqualificar todas as denúncias que por qualquer meio tenham escapado de suas fronteiras. Junto a ONU, Al-Assad é ainda protegido por estados-membros poderosos como a Rússia e a China, além dos elogios da cúpula da UNESCO que tornam Assad um dos maiores "protetores da infância e da Juventude" do Oriente Médio!

Cada vez mais claro de que quem está debaixo dos bombardeios sírios é a população que se opôs ao seu governo ilegítimo herdado de seu pai em 2000, agora resta saber o que a ONU fará para dar cabo a este infernal circo dos horrores, ou se serão necessários mais 450 mil morrerem para que a cota de sangue derramado seja completada com sucesso.

Precisamos fazer alguma coisa. Enviar ajuda humanitária nunca será o suficiente!

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