segunda-feira, janeiro 02, 2017

Política: O que faz um presidente laranja?

Houve um tempo em que a guerra consistia em invadir o território inimigo, destruir suas estruturas, confiscar todas as suas riquezas, mulheres e animais, depois destruir (normalmente com fogo) tudo o que não tivesse valor. Mas este tempo passou e a "Arte da Guerra" se tornou um modo avançado de infiltração nos países que mais se assemelha a uma infecção por virose - Continue Lendo:

Por Saulo Valley - O Observador do Mundo - Rio de Janeiro, 02 de Janeiro de 2017
(Atualizado as 18:41 GMT-3)

Estátua do General Sun Tzu - Creative Commons - Via Wikipédia

Por vota de 500 anos A/C um grande general se destacou por sua vasta experiência e incontáveis vitórias sem que tivesse sido derrotado ou ferido em pelo menos 30 anos de vida no front de batalha. Seu nome era Sun Tzu. Famoso estrategista chinês que lutou intensamente no período de maior conflito armado da história global. Este período foi batizado pelos historiadores cristãos como "Período Inter Bíblico", que marcou desde o anos 600 A/C até o ano 0. Por esta razão o livro sagrado dos cristãos tem um grupo de páginas em branco que divide o "Velho Testamento" do "Novo Testamento". Segundo historiadores neste tempo Deus se calou. A China por sua vez, viveu a mais violenta e duradoura gerra civil de toda a história, envolvendo incontáveis conflitos entre suas seis províncias. Foi neste ambiente selvagem e aterrorizante que viveu nosso General. Suas histórias correm o mundo em forma de livros e a leitura de seu maior legado "A Arte da Guerra" já o faz o segundo livro mais lido da história, perdendo apenas para a Bíblia Sagrada.


Tags: Polish soldier, machine gun, Polish brand, tank, combat vehicle Date 1939
Author Fortepan  - Craetive Commons

Uma das grandes frases do grande mestre da guerra serve para nos ajudar a entender como o novo mundo lida com os conflitos internos de um país:

"É preferível capturar o exército inimigo a destruí-lo. Obter uma centena de batalhas não é o cúmulo da habilidade. Dominar o inimigo sem combater, isso sim é o cúmulo da habilidade." - Sun Tzu

É com base neste pensamento que o novo mundo já começa a articular a chamada "Terceira Guerra Mundial". Com base neste novo dado podemos entender que está poderia até ser batizada de "A guerra das Inteligências".

A "Primavera Árabe 2010" tem sido descrita insistentemente pelo governo russo como "A III Grande Guerra", porque?

Quando se fala em invasão estrangeira, invariavelmente se imagina uma gigantesca força militar atravessando uma fronteira com pesado poder bélico e milhares de milhares de soldados acompanhados e protegidos por pesados tanques, helicópteros, caças, navios de combate..

A força de uma revolta popular

Um levante é sempre causado por uma onda de insatisfação popular contra a liderança do país. A insurgência é sempre vista com pavor por parte de líderes, principalmente que regem seus países com punho de ferro ou sob a ditadura da corrupção imposta sobre os fracos lombos da população trabalhadora, escravizada por sistemas vampiros de governo.  ..E no mundo moderno "a gota d'água" pode transformar um país aparentemente estável em sua rotina, numa grande desolação de destruição e miséria, ou numa interminável guerra civil.

Quando a Tunísia se levantou em massivos protestos contra o governo em 2010 deflagrou uma onda de protestos em países vizinhos, quando o povo clamava pelo fim da corrupção política, bem como abusos dessas autoridades contra a economia popular e contra as ditaduras e monarquias. A crise se espalhou por quase todo Oriente Médio e Norte africano.

A demanda popular na maioria dos 17 países quase varridos pelos protestos era o fim da corrupção e da ditadura, mas na realidade havia um projeto de unificação e islamização de todo Norte da África e no Oriente Médio, a implantação do já comentado "Califado Islâmico".

Em cada um destes países seus violentos levantes tendiam a derrubar toda sua liderança e substituí-la por governos de transição, ou mesmo laranjas. Em alguns casos os protestos provocaram novas eleições presidenciais, substituíram primeiro-ministros mas não mudaram as bases do governo nem suas respectivas monarquias. Mas a proposta por baixo dos panos era a implantação de presidentes favoráveis à Sharia como sistema de governo e que este desse continuidade ao grande plano de construção do califado islâmico, até que um império fosse estabelecido com a inauguração de um reino unificado e coeso sob um único governo.

 Diante dos protestos o mundo todo entendia que era um movimento popular, mas com o passar do tempo ficou claro que havia muito mais que Direitos Humanos envolvidos. No caso da Sharia como sistema de governo, não haveria Direitos Humanos que pudessem fazer frente ao regimento regulado pelo Corão, o livro sagrado dos muçulmanos.

Durante os esforços para derrubar as monarquias do Conselho do Golfo, houve grande campanha de terror psicológico sendo imposta ao ponto de muitos governos decidirem reformular suas administrações para conseguir se manter no poder, mas o líder egípcio Hosni Mubbarak teve que se render.

Este foi o segundo governo derrubado depois da Tunísia. Mas durante a conflitante tentativa de estabilizar o novo governo uma séries de violentos incidentes marcaram a disputa que ora era interrompida pelo Exército, ora pela Irmandade Muçulmana. assim se deu na Líbia com a queda e morte do ditador Al Gadaffi. Crise intensa em que grupos distintos disputavam pelo poder. Mesmo fora do governo, os filhos de Al-Gadaffi infernizaram as eleições presidenciais e mesmo seu pai tendo saído do governo onde esteve por longos 28 anos, parte dos aliados de seu governo permaneceram o poder, mas com alguma mudança de suas posições (É com isto que contam os filhos de Gadaffi mais tarde).

No Egito a derrubada de Mubbarak não eliminou seus leais súditos que levaram as autoridades egípcias a perdoar os crimes cometidos pelo governo destituído.

Enquanto isto potências mundiais disputam a influência que exercerão sobre a nova administração do país. Quem conseguir vencer a concorrência da "preferência do novo governo" certamente abrirá este mercado para a implantação de suas empresas, fornecerá assistência técnica em segurança militar, armamentos, suprimentos e munições, além de aeronaves, navios... outras importações e trocas por exemplo de petróleo, agricultura e conteúdo de mídias e culturais, a reconstrução civil do país e restauração de patrimônios históricos etc

Aí entra o presidente laranja eleito por força de uma campanha política influenciada por pesada campanha de marketing, pago com capital estrangeiro e as vezes imposto por força da intimidação armada externa, assim como foi o caso do Iraque quando ocupado pelas forças americanas após a derrubada do ditador Saddam Hussein.

O governo simpático

Eleito o novo governo, trabalha para manter o país com suas funções básicas funcionando  enquanto os interesses da pátria-mãe são colocados à frente da agenda nacional. Bem parecido com o que aconteceu durante os governo Lula e Dilma nos últimos 13 anos de comunismo socialista no poder.
Esta "pátria-mãe" é como a abelha rainha e para ela são enviados a essência de praticamente tudo o que a "pátria-filha" produz.

Assim será quando as crises armadas na Síria e na Ucrânia forem resolvidas. Quem vencer terá o poder de vampirizar o país que viverá quase como uma colônia estrangeira. Enquanto a Ucrânia luta para impedir o falso levante que trouxe para dentro de suas fronteiras as forças russas do colonizador russo Vladimir Putin, países com menor poder de fogo jamais esboçaram qualquer reação diante do poderia invasor. Sem protestos, sem levante, em silêncio.

Invasão silenciosa

Usando apenas eleições locais e referendos fomentados por pesadas campanhas de mídia locais, além de contar com apoio político de agentes duplos que trabalham segundo a agenda do Kremlin, muitos partidos políticos conseguiram minar internamente as defesas de países que circundam a Ucrânia e hoje praticamente todos são colônias russas absorvidas pela " Nova Federação Russa". São dezenas de outros países controlados por Putin.

Invasão Chinesa

No início do governo Dilma praticamente tudo o que era vendido no país era proveniente da China e o povo brasileiro só não aprendeu a falar chinês porque o idioma não é nada fácil..    Além de fortes acordos bilaterais, houve quase uma invasão mercadológica que fez prosperar uma classe pobre e empobreceu uma classe rica.

Semelhantemente a China assumiu o controle político de praticamente todos os países asiáticos menores, como a Thailandia..

O site "O Último Segundo" descreveu muito bem a ampliação silenciosa da influência chinesa por toda a Ásia:

Enquanto a China está aproveitando os holofotes na Ásia Oriental e Sudeste com o ampliamento da sua diplomacia econômica, o país também tem calmamente feito sentir a sua presença no seu flanco oeste, antes de domínio da Rússia.

No final da Segunda Guerra o Brasil era uma colônia americana. Quando você ligava o rádio, as músicas eram americanas. Na TV os filmes eram americanos e nas ruas, as lojas tinham nomes em inglês e as empresas se não eram estrangeiras eram inspiradas nos EUA. Levou 30 anos para que as mídias locais conseguissem produzir e levar ao ar 50% de todo conteúdo exibido nas mídias da época. Por exemplo, o Brasil produzia uma gigantesca quantidade de frutas e vendia por baixíssimo preço para os EUA. Depois de processado e embalado, estas frutas voltavam envolvidas em latas e garrafas coloridas, trazendo logomarcas americanas e a descrição: "Importado dos EUA" ou "Made in USA". Então pagando valores absurdos a população se deliciava com os sucos e doces rotulados no país vizinho.

Mas até hoje por aqui muita gente entende muito bem o inglês, que na verdade já é nossa segunda língua (não oficialmente), Esta é a força de uma influência estrangeira que marca gerações e mais gerações.

Agora imagine tudo isto acontecendo nos Estados Unidos, se realmente Trump se afirmar como um presidente laranja russo?


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