sábado, dezembro 17, 2016

Síria - Comboio de Aleppo pede acompanhamento da ONU durante deslocamento

As milícias iranianas chegaram para criar um novo fator complicador e tornar a vida dos rebeldes ainda mais difíceis. O comboio de 20 ônibus que saiu de Aleppo nunca chegou à metade do caminho que se pretendia - Continue Lendo:

Comboio de Alepo se desloca para Iddlib - Snapshot: TV Aljazeera
Por Saulo Valley - O Observador do Mundo - Rio de Janeiro, 17 de Dezembro de 2016

Na estrada para Iddlib milícias iranianas interromperam a viagem com uso de armas de fogo. No primeiro momento o ataque inicial matou 4 pessoas e feriu outras 3.

A fim de dificultar a vida dos populares marcados para a morte por se opor à ditadura de Bashar Alassad, as milícias iranianas chegaram forte depois que as forças curdas ganharam terreno e ampliaram assustadoramente seus domínios com a ajuda financeira e técnica dos Estados Unidos e seus aliados.

O ponto é que a Síria tinha um conflito interno e a grandeza da tragédia armada acabou atraindo a atenção de diversas potências que decidiram tornar o conflito num jogo político e de influências.

Com a entrada da Rússia que visa não perder sua influência no ultimo país a ter forte ligação no Oriente Médio, os EUA também foram atraídos para disputar esta força que estará neutralizada com a saída de Alassad do cargo.

Por outro lado a crise gerou outro vácuo:
O vácuo religioso.

A Arábia Saudita entrou no conflito porque defende que com a saída de Bashar Alassad a religião oficial deveria deixar de ser Alawitta para se tornar Islamismo moderado não-radical.

Na verdade a presença do Iran desde o início da crise foi o que atraiu a Arábia Saudita para o conflito. Isto porque o Iran se esforça para que o regime de governo na Síria seja islâmico tradicional, com a Sharia como regime de governo e fé.

A Turquia tem interesse em aumentar o sua influência na Síria e se ela estivesse forte nas terras milenares lideradas pelos Assad, teria já se tornado um país laico, quando cada um professa livremente a religião que acredita.

Pelo simples fato de uma religião predominar no país, sua influência mudará incrivelmente, também as alianças e bilateralidades.

Grupos menores lutam por outras causas:

Os Curdos são um "povo" dissipado e disperso depois da segunda guerra mundial. Suas terras foram invadidas e tomadas por todos os países que margeiam a região Norte e Nordeste da Síria.

Depois da dispersão, depois de terem sofrido profunda limpeza étnica, restaram apenas três redutos desta comunidade no mundo: Turquia, Síria e Iraque.
Todos estes lugares são chamados de "Curdistão" diferenciando se iraquiano, sírio ou turco.

O PKK (Partido dos Trabalhadores Kurdos) é hoje uma milícia que luta por recuperar suas terras antes roubadas. Sua participação na crise síria está focada numa sub-revolução inserida no contexto. Porque o PKK quer recuperar suas terras hoje controladas também pela Síria. Porque o povo curdo quer voltar a viver reunido como país, voltar a expôr sua cultura e falar seu idioma de original.

Hoje o PKK é o segundo grupo que controla a maior parte da Síria perdendo apenas para a Síria de Alassad. Os menores domínios estão nas mãos do FSA e o ISIS.

Algumas mentes politicas acham que a Síria deve ser dividida depois da saída de Assad.
A Rússia e a China usam todos os seus poderes políticos na ONU e no mundo para blindar Alassad, mesmo diante de comprovada mortandade de mais de 400 mil pessoas na crise.

O cessar fogo na Síria depende de atender os interesses dos até então envolvidos no conflito, e agradar a todos ao mesmo tempo não será uma tarefa fácil.

Na pior das hipóteses tudo fica como está e Alassad decide a crise do seu jeito:

Aniquilando todos o seus opositores internos e seus familiares e voltando a se fechar e fechar as fronteiras de seu país para o mundo.

Mas quando menos se espera, outro grupo surge e inicia sua participação na crise para aproveitar a oportunidade e tirar algum proveito na região.

As população local é o único assunto que não interessa pra nenhum dos países que disputam na Síria. As pessoas são o que menos interessa. Por outro lado há grupos e organizações que lucram com venda e transporte irregular de alimentos, remédios, roupas, armas e munição para a oposição. Assim como as milícias que são todas contratadas para agir como fator complicador na vida dos rebeldes.

Por falar em pessoas, maioria responsável pelo comboio que deixou Aleppo há mais de 24 horas, decidiu não continuar a viagem até que observadores das Nações Unidas os acompanhe até seu destino - Disse nosso contato ainda em Aleppo há duas horas.

Assad em sua entrevista nesta sexta disse que apenas o Iran poderia decidir as próximas ações do regime sírio mas líderes das forças rebeldes têm razões para acreditar que Iddlib, a cidade mais próxima de Aleppo deverá ser sitiada nesta semana.

Aliás Iddlib é o destino do comboio de 20 ônibus que saiu de Aleppo transportando 200 feridos, desertores das forças rebeldes e civis, deixando atrás de sí praticamente 60 mil pessoas escondidas nos escrombos constantemente bombardeados pelo Regime Assad.

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Síria, Aleppo, Iddlib, Genocídio, comboio, Iran, PKK, Curdistão, Turquia, Rússia, EUA, Assad, religião, guerra, Saulo Valley, 

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