quinta-feira, dezembro 22, 2016

Aleppo agora está deserta, dominada apenas por forças iranianas - Desabrigados congelam nos arredores do cerco.

Apesar de todas as atrocidades cometidas pelo regime sírio, os últimos civis habitantes de Aleppo já foram evacuados. Seus semblantes entristecidos e em meio aos lamentos e as incertezas de seu futuro, partiram sem rumo para qualquer lugar que seja possível escapar dos terrores do regime - Continue Lendo:

População de deslocados cresce com mais de 60.000 populares despejados de Aleppo agora controlada por milícias iranianas.
Cortesia: Revolução Síria

Por Saulo Valley - O Observador do Mundo - Rio de Janeiro, 21 de Dezembro de 2016


Os últimos ativistas a deixar Aleppo afirmaram que uma vala comum contendo 70 corpos e seus documentos foi deixada para trás. O último comboio foi composto por 14 veículos e 4 ônibus.

Sem móveis, sem grandes bagagens, apenas algumas coisas pessoais, cada um transporta o que pode e o que vai precisa para recomeçar a vida. Muitos reencontraram seus parentes em outras cidades vizinhas, mas outros já perderam todos os entes queridos nesta violenta batalha que matou mais de 400 mil pessoas desde o início dos protestos contra o regime de Bashar Alassad em Março de 2011.

A cidade mais próxima dali chama-se Iddlib, que fica à cerca de 8 quilômetros. Mas a hiper população é tanta que a cidade já não comporta mais ninguém. Não há abrigo para todos e uma enorme parte da população, principalmente aqueles que vêm de Aleppo, já vivem ao relento.

Este vídeo mostra umas das últimas imagens de Aleppo, gravada por um morador que lamenta deixar sua casa nas mãos de tropas estrangeiras:


Inverno rigoroso, hoje por exemplo faz 2 graus. Neve pesada caiu sobre a cidade na nesta Quarta. Hoje em Iddlib o dia foi mais ameno e a máxima registrada foi de 9 graus. Ativistas alertam que "há crianças congelando até a morte".

Enquanto isto o líder sírio Bashar Alassad declara vitória sobre Aleppo, mas em entrevista à uma rede de TV, disse que os próximos passos do regime serão decididos pelo governo do Irã.

A população de Iddlib tem 90% de certeza que a cidade será o próximo alvo das forças pró-Assad e todos estão detidos por outros cercos militares do regime e aguardam mais cedo ou mais tarde, o pior.

Alguns ativistas já enviam mensagens de alerta, mas na prática está tudo parado. Parado em termos porque Al-Assad já sitiou 8 cidades rebeldes. Agora o silêncio. Aquele silêncio que precede a mortandade. O tempo que as tropas estão se recompondo, novas munições  sendo distribuídas e uniformes sendo costurados. No plano políticos novos acordos bilaterais às escuras, e a certeza que não é o fim do genocídio no país, e que ainda muitos sofrerão, por mais de uma vez o despejo de suas casas logo após uma série de massacres.

A China teve sua influência na primeira metade da crise síria, depois a Rússia assumiu e agora que já está desmascarada e sua estadia na ONU já incomoda, o Irã assume para a terceira e não última rodada de mortandade.

Hora do mundo repensar a política. Moderniza-se tudo, menos a política. Sistema ultrapassado e inútil. Melhor seria que ao invés de políticos de competência e caráter duvidosos assumirem o controle de tantas vidas, o mundo poderia pensar em mudar para o "Modo Administrativo", contratando profissionais formados, concursados e submetidos ao consenso popular sobre cada uma de suas ações.  Hoje em dia tudo tem que ser fiscalizado, porque as pessoas estão cada vez mais gananciosas, e quando se sentem com um pouquinho de poder, a primeira coisa que fazem é pensar em eliminar os riscos, mesmo que sejam pessoas que possam retirá-las justamente do cargo.
Político deve ser submetido a contratação e demissão, como qualquer emprego. Uma vez contratado ele é empregado e não dono.

Assim como Al-Assad, todos os outros políticos agem como se fossem donos do mundo. Somos nós que cometemos o erro de criar leis constitucionais que dão poder absoluto a seres humanos que nunca estão livres de ganância e possessão.


Tags: política, Síria, Aleppo, Iddlib, Bashar Al-Assad, milícias, refugiados, nevasca, neve, inverno, Síria, deslocados, Saulo Valley, O Observador do Mundo, 

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