segunda-feira, novembro 14, 2016

Porque erramos ao pedir mais humanidade às pessoas?

Ao longo dos milênios nos acostumamos a clamar por mais humanidade diante de cenas de violência e desprezo praticadas por outras pessoas, mas sem saber que cometemos um erro grave por falta de reflexão sobre o tema - Continue lendo:

Mão estendida - CC0 Public Domain
Por Saulo Valley - O Observador do Mundo - Rio de Janeiro, 14 de Novembro de 2016

Ao longo de toda a vida na terra o ser humano, que acredita-se ter sido criado na protuberante floresta batizada na Bíblia Sagrada de "Jardim do Éden" deixou muita clara sua natureza e sua forma de pensar sobre a própria vida.

O livro sagrado dos Judeus conta que depois de um tempo a primeira família de seres humanos se dividiu por causa de uma briga entre dois irmãos. Um se chamava Caim e outro Abel. Ambos filhos do famoso casal conhecido por Adão e Eva. A família , que segundo a história bíblica conta, fora criada para cuidar da terra e de todos os seres vivos, começou a enfrentar crise interna em consequência dos ciúmes de Caim do seu irmão Abel. E em consequência desta triste realidade Caim concluiu seu plano diabólico de matar seu irmão Abel.

A história conta ainda que depois de ter matado seu irmão, Caim fora expulso do convívio de seus pais e se apartou, recomeçando sua vida bem longe de sua terra natal.

Possivelmente naquela época a maioria das pessoas eram boas, de espírito tranquilo e  pacíficas. Também deveriam ter sido pessoas boas, não dadas ao egoísmo e à vingança, cheias de autocontrole e caridosas. Então lembrar da morte de Abel, era como hoje lembramos da tragédia de 11 de Setembro de 2001 que culminou na morte de cerca de 2900 pessoas em poucas horas.

Quando acontecimentos catastróficos cometidos por seres humanos enlouquecidos por suas ganâncias e suas insanidades se tornam públicos, nos sentimos órfãos muitas das vezes, estarrecidos e sem respostas para tanta crueldade.

Soldado Americano - CC0 Public Domain
Mas com o passar do tempo, a crueldade deixou de ser um caso isolado. Tornamo-nos mais "adaptados" à violência. Nos tornamos maioria. Tanto que logo após uma grande tragédia que acaba matando dezenas, centenas ou milhares de vidas, gritamos, choramos, reclamamos, criticamos, clamamos por "mais humanidade" nos três primeiros dias, e logo a seguir voltamos a viver nossas rotinas como se nada tivesse acontecido. Somos capazes de apagar acontecimentos como o massacre do colégio em Realengo, o incêndio na Boite Kiss, o naufrágio do Bateau Mouche e tantos outros momentos de crueldade porque à cada minuto estes eventos deixam de ser remotos. Não mais acontecimentos trágicos isolados em livros históricos, mas agora fazem parte do cotidiano de cada ser vivo.

Presenciamos desgraças coletivas ou individuais todos os dias, com o auxílio da TV, dos canais de jornalismo, dos filmes de ação e guerra, dos desenhos animados e da convivência urbana.

Assistimos horrores todos os dias e nos transformamos.

Hoje somos pessoas diferentes. Habituadas a matar por crueldade, por frieza de espírito, ou por vingança, por prazer, por raiva, por inveja, por ganância, por descontrole, por insanidade, por perturbação mental ou emocional, por justiça, por honra e desonra, por ódio a todos por tudo!

Este comportamento na verdade não é novo. Chamamos de "humanidade" e é muito antigo e tem um nome muito usado, quando queremos lembrar das coisas boas feitas por outros seres humanos.

Na verdade praticamos aquilo que somos, ou lentamente nos tornamos. Não há como sermos ovelhas no meio de uma matilha. Nos adaptamos e deixamos de lado toda doçura e poesia para nos tornarmos vorazes predadores. Cada um defende sua presa, seus interesses, sua casa e sua família com unhas e dentes, porque sabe que logo (mais cedo ou mais tarde) outros humanos aparecerão para arrancar tudo o que conquistou, roubar seus bens, desonrar sua honra, sequestrar as mulheres e crianças de sua casa, saquear sua conta bancária e sugar sua saúde!

Tudo isto não se atribui à realidade isolada de algum ser humano com digamos, defeito de fábrica.
É uma atividade comportamental comum que encontramos inseridas em todas as pessoas das mais de 7 bilhões que povoam a terra e esta crueldade generalizada podemos classificar como:

Humanidade.

À má natureza humana e à boa demos o mesmo nome. Por esta razão ao pedir mais humanidade, pedimos que as pessoas continuem ampliando suas capacidades agressoras, afiando suas armas e aprimorando suas técnicas de como usá-las de modo ainda mais mortal e devastador.
Por isto à cada dia novas tecnologias de guerra, incluindo as armas atômicas, são anunciadas como se fossem novas descobertas científicas para doenças crônicas, ou como se fossem novas guloseimas açucaradas a serem distribuídas nos mercados.

Pense que tudo o que você vê à sua volta é fruto bruto ou líquido de toda humanidade que há em nós.
Assim vamos parar de andar em círculos, vamos deixar de ficar repetindo as mesmas frases e vamos buscar um modo novo de viver a vida, repelindo este "inimigo residente" que há dentro de cada um de nós!

Tags

armas de guerra, mortandade, Humanidade, violência, paz, saúde, lição de vida, Saulo Valley, O Observador do Mundo, 

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