quinta-feira, março 24, 2016

Brasil - Corrupção, crise, rompimentos de barragens, enchentes e o empobrecimento do país

As tragédias nem sempre naturais que estão levando trabalhadores de volta à extrema pobreza diante da omissão dos governos Municipais, Estaduais e Federal.


By Antônio Cruz/ABr ([1]) [CC BY 3.0 br (http://creativecommons.org/licenses/by/3.0/br/deed.en)], via Wikimedia Commons

Por Saulo Valley - O Observador do Mundo - Rio de Janeiro, 24 de Março de 2016 - 10:37 GMT-3

O Brasil cresceu muito desde a implantação do Real em 1994. A valorização da moeda na era Fernando Henrique, e os programas de desenvolvimento social da era Lula, vieram a se quebrar como altas ondas sobre as rochas do difícil governo Dilma.

O anúncio oficial da crise no final de 2015 levou o mercado a literalmente puxar o freio-de-mão quando estava em alta velocidade. Tudo porque a aparente estabilidade que o país vivia era garantida por um frequente calote que o governo federal aplicava aos bancos. Para este método foi dado o nome de "Pedaladas Fiscais".

Traduzindo ao invés do governo liberar os recursos para os bancos distribuírem com os Programas Sociais do Governo Federal, os próprios bancos é que passaram a pagar a conta, para que o governo pagasse (posteriormente) a dívida que acabou sendo empurrada por longos anos.

A dívida de mais de 140 bilhões até 2015 vem se aprofundando e com ela a estagnação dos mercados que não mais recebem incentivos federais. Se de um lado temos um governo trabalhando no alerta "roxo", temos a agricultura sofrendo com as chuvas e as secas em todo país. Este setor que sempre contou com a ajuda federal para superar momentos difíceis em determinados anos, agora está por conta própria e vai ter que encarar o salgado financiamento dos bancos.

Nas prateleiras dos supermercados a comida já começa a ter preço de itens de luxo, e a disparada do dólar ainda piorou mais a situação do trabalhador.

A crise política tem levado o Congresso Nacional à semi-paralisia, enquanto vive uma intensa batalha pelo poder entre as forças governistas e oposição. Disputa esta que vem sendo aquecida pelos reveladores vazamentos das investigações da Polícia Federal e do Ministério Público Federal sobre o esquema de corrupção que levou ao endividamento da Petrobrás, e ao empobrecimento das poderosas  Vale do Rio Doce, BNDES, Furnas entre outras que eram o orgulho do país.



Em meio ao enfraquecimento da imagem do país, que no exterior era visto como "fenômeno de crescimento e distribuição de renda", Dilma Roussef agora enfrenta uma avalanche de escândalos, entre eles o clamor nacional por seu próprio impedimento por imperícia e crime de responsabilidade fiscal. Enquanto o país segue à deriva, o governo só consegue se concentrar na defesa de sua própria posição.

Na outra ponta as consequências são cada vez mais graves. Desde o endividamento público, à quase falência dos estados e municípios, o agudo desemprego, a volta da inflação e da recessão. A paralisia dos mercados e a atividade econômica nacional entra em retrocesso equivalente a três décadas.

Nas cidades o cenário é quase sempre desolador. Efeito dominó com empresas fechando as portas em sequência, funcionários estaduais e municipais sem salários nem condições de trabalho, o crime dominando as ruas, as polícias se escondendo por falta de estrutura para o combate aos ataques, as pessoas morrendo por roubos fúteis, sequestros relâmpagos, invasão de residências, roubos coletivos de carros nas vias públicas, e nenhum atendimento médico funcionando na mais simples das especialidades. Filas quilométricas nos postos de atendimento médico e uma realidade que ninguém consegue acreditar...



Com tantas tragédias naturais, enchentes, rompimentos criminosos de barragens e livre impunidade, o que as pessoas pobres receberam de incentivo com as pedaladas fiscais, que bancavam os Projetos Sociais, agora estão sendo levados pelos alagamentos, deslizamentos de terra e ainda os assaltos.

Tempos difíceis de encarar uma população que pela primeira vez havia experimentado o doce sabor da melhoria de vida, agora vendo todas as suas conquistas sendo arrastadas pela maré de lama, que começa no Planalto, passando pelos grandes centros urbanos e atinge os mais humilde vilarejos do Brasil. 

Artigo em Destaque

EDITORIAL - O Brasil é perfeito para quem não teme o trabalho honesto

Temos que combater os esforços da mídia paga, que visa fazer as pessoas amarem mais o mal que o bem. Se você concorda leia, comente e compa...

Leia também: