sábado, dezembro 19, 2015

Síria: 5 anos e 300 mil mortes depois a ONU decide intervir e cessar morte de civis

A Organização das Nações Unidas demorou 5 anos para determinar o fim da crise Síria. Para isto pelo menos 300 mil pessoas deram suas vidas e ainda não é o fim - LEIA MAIS:

Estudante é obrigado a reverenciar Assad como deus, por soldado sírio durante revolta em 2011
Imagem cedida pela Revolução Síria 2011

A revolução síria contra o regime Bashar Al-Assad começou no dia 14 de Março de 2011. Esta revolta era contra o abuso de autoridade do clã Assad, que domina a população síria com punho de ferro e lei marcial desde 1946. Poder passado de pai para filho, de assassino em massa para aprendiz de assassino em massa. Com tamanha repressão, corrupção e escravidão em todos os sentidos, o povo sírio uniu suas forças para tentar furar o cerco militar sírio e pedir socorro dos países ocidentais.

Nos primeiros três meses dos protestos, a iniciativa popular movida pela revolta contra os abusos e violenta força empregada contra quaisquer civis, culpados ou inocentes, por qualquer razões aleatórias, renovaram as forças dos populares em seus esforços para continuar enfrentando as forças de segurança síria para por meio de cartazes, pedir ajuda internacional.

Com a proibição das manifestações em função do "Estado de Emergência" vigente há 48 anos, o povo amordaçado pela lei do silêncio escreveu cartazes em inglês pedindo socorro. Quando as cidades eram fortemente cercadas por tanques e tropas do exército, os moradores corriam para algum ponto de onde poderiam pedir socorro, como ovelhas diante do abatedouro, clamavam como sendo suas últimas horas de vida.

Do telhado de um prédio, um fotógrafo registra o pedido de socorro e manda via-satélite para quem pudesse ajudar
- Autor Desconhecido - 
09 de Novembro de 2011 - Uma disseminação de soldados impressionou aos populares que atônitos procuram entender o que lhes está reservado pelo regime sírio. De uma coisa já sabem: Só sairão para protestar hoje, aqueles que estiverem prontos para morrer.
 O custo do vazamento de uma imagem de dentro dos bairros sitiados pelo regime era alto. Na maioria das vezes, a morte era lenta com torturas por armas brancas, ou rápida quanto explosiva. Enquanto à cada nova informação era transmitida via-satélite para fora do país, dezenas de vidas eram ceifadas num só dia, enquanto nem a mídia tradicional, nem a comunidade internacional dizia acreditar. No lado de dentro do cerco, o silêncio era quebrado apenas pelo choro desesperado de alguém que se negava a fornecer nomes dos líderes das manifestações.

 
Desarmados e determinados a mostrar cartazes que denunciavam os abusos de Assad, manifestantes eram cercados pelo
Exército para intimidá-los a não se manifestarem - Imagem cedida por Ugarit News Syria.
29 de Novembro de 2011 - 00: 46min - Esta invasão militar é um péssimo sinal de que esta será a próxima região a ser sitiada, bombardeada, destruída e sua população exterminada sem a menor reserva. No bairro de Shield manifestantes saem às ruas em solidariedade aos moradores do Anjo Protetor e de Homs. Isto é um sinal de que uma nuvem negra de opressão e mortandade está cobrindo estas regiões e todos só podem rezar pelas almas de seus habitantes.

Até este um certo momento o Exército oficial servia apenas para intimidação dos manifestantes. Eles continuaram cada vez mais ousados e passaram a fazer as passeatas em completo estado de espiritualidade, orando por suas vidas. De repente as forças de Assad receberam ordens para atirar e dispersar as manifestações. Nos primeiros meses também, as Forças de Segurança só matavam os que se manifestavam. Mas como eles continuavam a sair para as ruas, se revezando todos os dias e noites, o Serviço Secreto sírio começou a entrar nas casas em busca dos responsáveis.

Com tantos vídeos vazando pelo Youtube e fotos enviadas para as principais potências e organizações de Direitos Humanos e agências de notícias, Bashar Al-Assad foi convidado a se explicar à ONU. Mas agiu com frieza e disse estar tendo "problemas isolados com grupos extremistas". Enquanto dava explicações por meio de seu representante Chefe das Relações Exteriores na época, Walid, o "professor".

A foto de Assad no tanque era para aumentar o terror dos manifestantes, pois sabiam que a morte estava chegando
para eles, quando as forças do governo se dirigiam às regiões de maioria opositora ao regime. Imagem cedida pela
Revolução Síria 2011.
28 de Novembro de 2011 - as 12:49 Min - A Síria deu maior impulso depois que percebeu que suas lamúrias não convencem mais às autoridades internacionais. Se cansou de acusar a Liga Árabe, e voltou-se para seu ritual de rotina que é sitiar, perseguir e executar a população síria ao máximo que puder, antes que seja retirado do poder. Al-Assad jurou persistir no genocídio até a sua própria morte.

O Observatório Sírio para os Direitos Humanos, é uma ONG muito respeitada pelas autoridades internacionais e suas informações são tidas como bastante confiáveis. As nossas fontes são as mesmas, o que torna nossa página uma fonte inesgotável de informações verídicas e inquestionáveis.
Esta fonte acredita que cerca de 320 mil pessoas já foram mortas no conflito desde Março de 2011. As Nações Unidas por sua vez só contabiliza 220 mil. Mesmo assim até agora ainda não havia sido feito nada efetivo para encerrar a mortandade no país. 

A decisão do Conselho de Segurança das Nações Unidas até então parece não mudar os rumos da oposição síria no terreno. A maioria que atua direto no front acredita que o caminho da diplomacia só tem levado Assad a matar cada vez mais, e neste momento este acordo para eles pode significar um esforço para desfazer o "Exército Livre" (força armada rebelde), bem como o "Conselho Sírio" (força política) rebelde.

Sobre as eleições previstas para daqui a 18 meses, os sírios só entendem como mais uma estratégia de Assad,e Rússia que já tentava convocar o povo para as urnas desde 2010. E é neste momento que o Serviço Secreto de Assad vai agir para enquadrar todos os acusados de participar da revolta. Por outro lado, se os envolvidos no conflito não forem votar por medo, o ditador vencerá por maioria esmagadora dos votos. E... volta tudo à estaca zero.

Com 4 milhões de sírios fora do país, e apenas 7 milhões dos que viviam na região atacada pelo regime, como a ONU acha que será possível as eleições justas serem uma realidade?
Com a família Assad ainda na Síria para dar continuidade ao terror, no pós Assad... Quando o povo vai voltar para viver em seus logradouros de origem?

Para os rebeldes, nada parece ter mudado ainda. A maioria acredita que apenas uma intervenção militar internacional impediria Assad de continuar matando a todos os que rejeitam suas regras. Eles afirmam sem pestanejar.


Link adicional:

Conselho de Segurança adota por unanimidade a Resolução 2254 (2015), Endossando o Roteiro para a Paz na Síria Processo, Cenário Calendário para Talks

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