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Hesbollah: A milícia contratada por Assad para destruir população que rejeitou seu regime

14 de Março de 2011. Um grupo de alunos de ensino médio em Daraya escreveu no muro da escola que Al-Assad seria o próximo dos líderes a serem derrubados durante a "Primavera Árabe". Alertados, agentes do Serviço Secreto Sírio imediatamente sitiam o prédio e apreendem os adolescentes que vão de 10 a 15 anos de idade. Eles são conduzidos para um prédio da inteligência antes mesmo que seus pais fiquem sabendo - CONTINUE LENDO:

"Battle of Yarmouk (2015) map" by BlueHypercane761 - Own work. Licensed under CC BY-SA 4.0 via Commons -
Via Wikipedia.com
Por Saulo Valley - O Observador do Mundo - Rio de Janeiro, 28 de Novembro de 2015 - 16:23 GMT-3

Após a prisão dos cerca de 15 menores, todos são levados para a sala de interrogatórios e apesar da idade não são liberados para voltar pra casa. A absurda detenção levou cerca de pais e mães a buscar ajuda de algumas pessoas ligadas à política e destacados escritores para pedir a libertação dos estudantes.

Mas o regime de punho de ferro proíbe qualquer tipo de argumentação popular e com a lei do silêncio imposta, ativistas políticos tentaram fazer uma singela manifestação usando cartazes com mensagens diante do prédio do Ministério da Justiça na capital Damasco.

يريدون اخماد نظام دي بشار هو وقتك


Os 40 manifestantes eram familiares e amigos solidários dos meninos detidos. Mas Bashar Al-Assad ordenou que forças de segurança fossem ao local e expulsassem violentamente a pequena multidão, sob pena de encaramento. A resistência dos manifestantes que imploravam a soltura dos 15 adolescentes levou a polícia síria a usar de grande violência, arrastando mulheres pelos cabelos, debaixo de espancamento com cacetetes.

Após a prisão violenta dos manifestantes várias manifestações solidárias aos presos eclodiram nas cidades e vilarejos do país. Entre as regiões: Hama e Homs. Daraya, Alepo e Latakya. Após uma tentativa sempre violenta e desesperada do regime para silenciar a população que clamava por um governo mais justo, Assad ordenou a contratação de uma tribo especializada em crimes e torturas com armas brancas. Os "Shabihas" se tornaram a linha de frente das forças de segurança da Síria para silenciar e matar a todos os que rejeitavam as regras impostas pelo clã Assad.

Mas ao ver tamanha crueldade nas ordens de Assad (entre elas a execução de todos os opositores e seus familiares), muitos soldados se recusaram a matar as crianças e suas mães e avós. Mas a Lei de Emergência vigente desde 1948 tornava a recusa em fuzilamento. Por esta razão, ao se recusar a matar civis inofensivos pelo menos 600 soldados conseguiram escapar da morte e começaram a perseguir outros executores.

Para não envolver o governo no genocídio, Bashar Al-Assad contratou o Hezbollah para continuar avançando sobre os rebelados ao regime. Mas após Assad ordenar a perseguição e morte de todos os soldados desertores, estes se organizaram e oficializaram a formação de um exército rebelde batizado de FSA (Free Syrian Army), conhecido como "Exército Livre". E foi com ajuda de diversos países ocidentais, entre eles os EUA, que o FSA começo a frustrar as ações do Hesbollah, chegando em 2013 a morrer uma média de 100 militantes por dia. E foi com a decisão do FSA de perseguir o Hesbollah desde a origem, que a guerra da Síria ultrapassou suas fronteiras. Os rebeldes se espalharam pelo Líbano atrás dos terroristas que matavam mulheres, crianças e lutadores oposicionistas a Assad.

Quando a Rússia começou a equipar os helicópteros do regime sírio, as chuvas de barris de TNT se tornaram um pesadelo para todos os que ainda resistiam abandonar tudo o que possuíam e escapar da guerra. Nesta época o Hesbollah anunciou o fim das negociações com Assad. Foi neste tempo que a milícia se uniu aos rebeldes palestinos em Gaza na disputa contra o governo israelense. Mas muitas outras milícias jihadistas e mercenárias começaram a entrar no país, com interesse de tirar vantagem da crise. Esmagados em grande número e com a liderança minada e dividida, pelo menos mais de 40 milícias se tornaram conhecidas no país e se uniram ao FSA para derrotar os Assad, inicialmente. Mas ao expulsar as forças pró-regime das vilas e cidades, as milícias passaram a tentar estabelecer um novo governo local, independente e a explorar a população.

Após a chegada do ISIS na região, as ideologias e razões para justificar a batalha estavam misturadas. Neste último ano, as forças conjuntas ocidentais e orientais iniciaram uma caçada ao Estado Islâmico. Agora, mediante seu recuo forçado, o Hesbollah retorna reclamando seu direito de ser visto como a milícia predominante na Síria. Há 10 dias o líder Hassan Nasrallar avisou que o Hesbollah ingressou numa  guerra decisiva nas terras de Assad, e que a presença da milícia na região será "maior que nunca".

Após descobrir seus planos de matar o primeiro ministro israelense, a Arábia Saudita impôs nesta sexta sansões contra os principais líderes da milícia. O reino saudita já listou 12 principais financiadores do Hesbollah, entre eles o Irã.

presidente Lula recebe o presidente da República Árabe Síria, Bashar al-Assad, no Itamaraty.
Agência Brasil Author Roosewelt Pinheiro/ABr - Creative Commons via Wikipedia
Apesar de cruel, sanguinário e ditador, Bashar Al-Assad tem apoio silencioso do atual governo brasileiro e ainda é parceiro comercial. Por esta razão mesmo com mais de 300 assassinatos por semana, por ordem de Assad, o governo brasileiro nunca pronunciou uma palavra sequer em condenação à repressão da oposição ao regime,que mantém um único partido no poder. O também sanguinário partido Ba'ath é oriundo do Iraque no período de Saddam Russein no poder.

A Síria também foi recebida como parceiro do Brics no ano de 2013, do qual recebe ajuda financeira para esmagar a oposição. O "B.R.I.C.S." é formado por países que se dizem "economias emergentes" como a Rússia, China, Índia, Africa do Sul... (Será?)

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