sexta-feira, novembro 06, 2015

Crise: O Brasil de volta à era Sarney?

Estamos assistindo o retorno da crise que assombrava Brasil na era Sarney?

José Sarney, presidente doBrasil, recebe Mário Soares, presidente de Portugal. 1988 -Arquivo Nacional do Brasil [1] Via Wikipédia Creative Commons
Por Saulo Valley - O Observador do Mundo - Rio de Janeiro, 06 de Novembro de 2015 as 09:49 GMT-3

Desde que assumiu o segundo mandato Dilma Rousseff só tem decretado ou assinado leis regressivas, como exemplo a mais recente, que trás de volta a aposentadoria por tempo de serviço, e não mais por idade. Problema que já havia sido debatido por décadas sem solução, a crise previdênciária chegou a ser esquecida nos últimos anos. Mas ela só estava guardada na gaveta da escrivaninha do Planalto.

De volta também a inflação galopante, os altos custos da tecnologia, do aprendizado, da alimentação, da gasolina e derivados do petróleo, dos importados, da energia elétrica que chega a 56% em 7 meses e por aí vai!

Este cenário que se forma começa-se a redesenhar a crise sofrida pelo país, depois do Governo Militar e antes de Fernando Henrique Cardoso.

O fato é que o Brasil ainda vai piorar muito e isto se deve ao fato de; os três últimos mandatos (sob a bandeira do PT - Partido dos Trabalhadores) maquiaram o cenário sócio-econômico nacional, retirando fundos dos cofres públicos para garantir melhorias para as classes mais pobres.

Melhorias estas muito exigidas pela ONU desde sempre. O detalhe é que os meios que os governos Lula e Dilma utilizaram para atender os requisitos mínimos para disputar a vaga na ONU, não passavam de paliativo.  "Tudo para agradar a plebe", a classe eleitora e as lideranças internacionais.

Por isto este atual governo defende tantos os jovens de 16 anos, mesmo os que estão à margem da lei. Isto lembra esta campanha do atual do TRE:

"Se você tem 16 anos ou mais faça o seu título de  eleitor".

Por isto os arrastões e a rebeldia dos jovens nas escolas são de certa forma "protegidas" como forma de mimar a classe eleitora alternativa do governo Dilma.

É por esta razão também que a classe GLBTS passou a ser foco das autoridades. Incentivar a multiplicação de adeptos pela homossexualidade é uma forma alternativa de atrair novos eleitores. Isto numa época em que a popularidade desta administração se aproxima dos 5% se mostra uma estratégia desesperada.

Outro tiro no pé do Brasil é proibir a propaganda de produtos industrializados para bebês, como leite em pó e chupetas. A meta da Dilma é incentivar a amamentação, mas há outros meios menos desesperados para se obter o mesmo resultado sem tentar falir mais esta fatia da indústria e do comércio. O decreto proíbe até a exibição da marca do produto. Estamos já revivendo o comunismo, onde os produtos eram obrigados a ficar nas prateleiras em embalagens sem qualquer identificação?

Chavismo no Brasil

De fato, o Brasil esteve perto de se tornar uma outra Venezuela. Mas o que o PT não imaginava é que os brasileiros já nasceram com anti-corpos para o comunismo, e o sistema de governo chavista (estratégia de Hugo Chávez para se manter no poder por décadas) não pôde ganhar raízes aqui. Com isto Lula e Dilma não poderão prolongar os sonhados revezamentos da faixa presidencial.

A mesma estratégia é praticada na China também. Dar entretenimento e tecnologia mais barata para os pobres e mantê-los felizes ajuda a perpetuar uma ditadura mais branda. Mas por consequência estes governos são sempre varridos pela corrupção e exploração desenfreada da população com custo de vida elevadíssimo e instável. 

Do mesmo modo que este sistema não consegue manter o público fiel, ainda que beneficiado pelas medidas sociais. Por esta razão há tantos venezuelanos pedindo socorro e liberdade na internet, chineses dando a vida para romper com o regime comunista e por aí vai.

Castigo Nacional

Agora que Dilma já sabe que a máscara do seu regime chavista já caiu e a rejeição nacional é generalizada, acontece nestes dias uma reversão natural da situação sócio-econômica das classes que foram antes beneficiadas por esta tentativa de bajulação do governo. Telejornais já falam em "retrocesso das classes econômicas".

Isto porque junto com as máscaras, as medidas adotadas eram superficiais e os déficits primários das contas públicas não iriam continuar ocultos de um mandato para o outro eternamente (como se pretendia). É por isto que existe o TCU (Tribunal de Contas da União).

Para devolver o fundo de caixa aos cofres públicos, o Brasil (que apesar de rico, tem elevados saques de divisas desviados para paraísos fiscais no exterior pela classe política) precisa agora tomar de volta todos os benefícios antes destinados aos pobres.

Esqueça agora os slogans do governo nos últimos 12 anos e aperte os cintos!

"Brasil sem fome", "Brasil sem miséria", "Brasil uma pátria de todos", "Pátria educadora" etc. Tudo está acabado.

O Brasil precisa se conscientizar que durante o governo PT foi esbanjado o dinheiro dos compromissos financeiros do país, tornando os fatores "crescimento" e "estabilidade" classificados com status de  "alerta vermelho". 

Pra piorar, ao deixar o poder o PT não entregará o país do mesmo modo que encontrou, no final da administração Fernando Henrique Cardoso. Até lá estaremos viajando na máquina do tempo da vida real e seremos deixados no meio da crise "Sarney".

Em 1994 um dólar era igual a um Real. Na era Sarney, 1 dólar era comprado com 7 reais. Hoje 1 dólar já se chega a passar dos 4 reais. 

Com o aprofundamento da crise política e o reajuste de toda balança comercial para a realidade nacional, há o risco de até o fim do mandato de Dilma, de o dólar chegue perto dos 7 reais.

Alarmada a mídia chega a pedir que a população desista de trocar o celular atual por um modelo mais novo, sob risco de endividamento. E quem troca de automóvel todo ano, faz o quê?

O descontrole dos preços dos importados já é fato. Os equipamentos fotográficos estão mais caros em 50%. Instrumentos musicais e material de informática disparando. Neste momento vemos que a vida tende a ser difícil como na era Sarney. Porque neste tempo as pessoas não possuíam acesso às ferramentas de comunicação e entretenimento. Quem comprar tecnologias até o fim de Novembro 2015 ainda deve se considerar um privilegiado.

Com o fim das reduções da isenção do imposto IPI sobre a "linha branca" de eletrodomésticos, carros zero, móveis, e outros bens. Tudo volta a ser como antes. E não leve a sério quando Dilma diz que "em 2016 a crise será controlada, e o país voltará a crescer" porque isto não acontecerá. Porque não?

Porque Dilma está magoada com o Brasil e ela não entregará o país todo arrumadinho para o seu concorrente e sucessor.

Como administrar a vida nestes tempos difíceis que virão?

Fugir do empréstimo e das compras à crédito imediatamente, é uma importante opção. Cortar os gastos com ostentação e despesas desnecessárias. Focar no cumprimento dos compromissos financeiros e na manutenção da própria vida um pouco mais simples e investir em meios mais baratos de lazer.

Evitar assumir e acumular muitas contas fixas e buscar a ampliação das suas fontes de captação de recursos ajuda a fortalecer neste tempo, em que todo brasileiro precisa agora voltar para a vida real.
Aliás, era isto que os dois últimos governos deveriam ter feito. 

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