sábado, outubro 24, 2015

70 Anos de ONU celebram perda de influência sobre potências e lideranças internacionais - Saulo Valley Blog

A Organização das Nações Unidas está cortando o bolo de aniversário de seus 70 de fundação, depois de perder grande parte do respeito por autoridades e potências - LEIA MAIS:

"Flag of the United Nations" by Wilfried Huss - Licensed under Public Domain via Commons - via wikipédia
Por Saulo Valley - O Observador do Mundo - Rio de Janeiro, 24 de Outubro de 2015 - 20:34 GMT-3

Houve um tempo em que a ONU exercia um grande poder de persuasão sobre governos e lideranças políticas, mas ao longo dos anos, o estatuto de uma das mais poderosas organizações políticas do planeta começou a ficar desatualizado e suas regras passaram a ser burladas facilmente. Políticos estudiosos como Hafez Assad e seu filho Bashar Alassad, mergulharam à fundo no conhecimento do direito internacional e as regras vigentes das Nações Unidas.

Foi estando por dentro das falhas da lei que Hafez Assad matou mais de 45 mil oposicionistas políticos e civis no famoso "massacre de Hamá" em 1982. Apesar de ter ordenado o exército regular para destruir a oposição ao seu regime (mais de 45 mil em apenas 3 meses), até sua morte no ano de 2000, Hafez jamais chegou a pagar pelo genocídio. O líder sírio morreu doente mas deixou seu filho Bashar em seu lugar. Bashar se tornou maior perito em leis internacionais que seu pai e superou-o em terror e mortandade. Sua mão de ferro foi rejeitada e pelo menos 20% da população do país se recusou a seguir suas leis opressoras. Irado Assad ordenou o genocídio de todos os que se opuseram ou apoiaram aos opositores. Por esta razão há quase 4 anos chove bombas e barris de TNT sobre a região habitada por eles e as Nações Unidas não são suficiente para impedir a tragédia. Pra piorar Bashar Al-Assad foi escolhido para nomear um representante na UNESCO, o que lhe concedeu maior imunidade.

Por falar em imunidade, outros países cujas lideranças estão com as mãos mergulhadas em sangue fazem parte da cúpula da UNESCO, UNICEF. Solidariedade em troca de imunidade. Esmolas em troca da permanência no poder. Estas e muitas outras denúncias são frequentemente apontadas pela HRW ao longo dos últimos 6 anos, pelo menos.

Se a ONU se preocupa com as mulheres e crianças indefesas pelo mundo, ela acoberta os piores genocidas sob suas generosas asas. A maioria dos criminosos de guerra e políticos mesmo sendo citados para o ICC (Tribunal Penal Internacional) raramente são condenados. Como no caso das CPIs brasileiras, que apenas motoristas, office-boys, secretárias e entregadores são condenados e os políticos são "isentados" ou suas acusações são arquivadas no mar do esquecimento.

Citando como exemplo, a Rússia que sozinha tem poder absoluto sobre as sessões da ONU. Seu veto é suficiente para anular todas as votações cujo conteúdo aprovado é contrário aos seus interesses. Aliás, parece que a Rússia comanda sozinha a ONU. No jogo político a Rússia tem o poder para fazer alianças em operações duvidosas com países já temidos por seus crimes hediondos e todos temem condenar. Assim como Assad. Se estivesse vivo, Muamar Kadhafi teria ficado impune depois de ordenar o massacre de três mil manifestantes durante um protesto na Líbia.

Hosni Mubbarak escapou de seus crimes por manobra política estando nas mãos de equipes médicas, de onde a corrupta autoridade parece jamais querer sair. Mesmo depois de ordenar a morte de mais de 300 pessoas durante um protesto na famosa "Primavera Árabe" em 2010/2011.

Campanhas financeiras não faltam. Mas não há como não saber nem enxergar o que acontece nestes e outros países. Hoje, nós que escrevemos sobre os Direitos Humanos, sabemos que os massacres de inocentes acontecem sim e a ONU tem seus braços amarrados por seus próprios estatutos caducados e facilmente burlados.

Mesmo assim, como nós humildes mortais não temos outro recurso, estamos encurralados no matadouro e as Nações Unidas parece ser a única baia do mundo. Vamos torcer para que uma verdadeira revolução aconteça nesta instituição e que nos próximos 70 anos os povos sejam mais valorizados que os políticos em seu rol de associados.

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