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Entenda melhor a revolucionária guerra civil da Síria e seus presos políticos

A crise síria está sendo divulgada como "guerra civil". No entanto este conflito (hoje armado) ainda mantém os fundamentos da revolta popular contra o regime ditatorial do líder sanguinário Bashar Al-Assad. SAIBA PORQUE:


imagem gentilmente cedida por Syrian Revolution 2011"
Por Saulo Valley - O Observador do Mundo - Rio de Janeiro, 30 de Dezembro de 2015 - 12:15 GMT-3

A verdadeira crise política da Síria começou em 1946, quando o então líder revolucionário Hafez Assad conduziu o povo sírio para a tomada do governo das mãos de um ditador sanguinário. 3 meses depois de ter assumido o poder com aprovação popular de quase 100%, o maléfico líder abandonou todas as promessas e ideais que levaram o sofrido povo da Síria a apoiá-lo. Durante seu regime de mão de ferro, muitos focos de revolta se formaram, depois que o povo se viu traído, mas Hafez Assad estabeleceu um governo sangrento e por meio da "Lei de Emergência" manteve o povo sob severo cabresto armado e semi-escravidão. Isolados do mundo o povo sírio era representado globalmente por seu ditador e seu exército, considerado até por Saddam Hussein em 1995 "como o exército mais cruel do mundo".

President Hafez al-Assad with his family in the early 1970s. Left to right: Bashar, Maher, Mrs Anisa Makhlouf, Majd, Bushra, and Bassel - Domínio Público
O primeiro foco de revolta contra o governo de Hafez aconteceu seis meses depois de assumir o governo. Descontentamento nacional, e as pessoas viram que todos os serviços públicos eram prestados por empresas da família Assad e que 1 homem apenas (Rami Makhlouf) detia 60% do PIB do país!
Por causa da "Lei de Emergência" estabelecida desde 1948, o país se viu dominado por suas próprias forças militares e as pessoas eram obrigadas (desde então) a fazer elogios e declarações de amor ao exército e seu presidente, sob pena de encarceramento ou fuzilamento.

1982 - Massacre de Hama 10% da população foi morta pelo exército sírio.
Antes de 2011, a maior tentativa popular ou isolada de retirar os usurpadores do poder foi em 1982, quando não só um pequeno grupo de insurgentes decidiu enfrentar o exército regular sírio, mas toda uma região pobre e humilde conhecida até hoje como "Homs". Foi na cidade de Hamá, na província de Homs que aconteceram os maiores massacres impetrados contra a população como castigo por apoiar os rebeldes. Por ordem de Hafez Assad, todos os familiares e simpatizantes à revolta deveriam ser condenados à morte e naquele tempo mais de 45.000 pessoas foram cruelmente humilhadas e torturadas, até a morte.
Um verdadeiro holocausto se deu naquele tempo de horror, e embora determinado, o povo humilde de Homs não conseguiu sequer tocar nas bases que sustentam o Clã ditador no poder até os dias de hoje.

Todos os pequenos focos de rebelião sempre foram interpretados como "tentativa de golpe de estado" e por esta razão a lei síria condenava os rebelados à pena de morte. Por esta razão todos os que rejeitaram o regime repressor dos Assad e externaram foram em sua maioria brutalmente mortos. Após a morte de Hafez Assad no ano de 2000, seu filho Bashar Al-Assad foi escolhido por seu pai como herdeiro de seu posto. Nos primeiros meses Assad parecia fraco e inseguro. Sabia-se que o noviço a ditador havia se mudado para Londres (onde conheceu sua esposa Asma) para estudar oftalmologia. Mas parecia que tudo não passava de estratégia militar, pois ao primeiro foco de revolta ao seu governo Bashar ordenou a execução de todos os envolvidos.

Inspirados pela revolta batizada como "Primavera Árabe" em 2011, estudantes de uma pequena escola pública aprenderam sobre os acontecimentos recentes no Qatar, Tunísia, Egito e depois a Líbia, que levaram à derrubada de seus ditadores depois de grande apelo popular. Este evento foi marcado por massivas manifestações envolvendo por 3 meses uma gigante participação de pessoas de todas as camadas da sociedade. Vista com olhos admiráveis pelo ocidente, e com pavor por líderes orientais, a "Primavera Árabe" levou líderes políticos a apontar suas armas para os manifestantes, mas sem que conseguissem manter suas posições, apesar de muitas mortes.

Cerca de 2 meses após a revolta da Líbia, um grupo de políticos e estudiosos que militavam pela liberdade nacional decidiu ir silenciosamente às ruas pedir a libertação de todos os presos políticos da Síria. Suas demandas estavam descritas em alguns cartazes que erguiam corajosamente. Só dos remanescentes da revolta de 1982 mais de 65.000 ainda era contabilizados entre os presos políticos dos Assad. Este movimento audacioso aconteceu depois que o Serviço Secreto Sírio prendeu os estudantes primários da pequena escola pública em Dáara por ter pichado no muro: "Eles querem derrubar o regime. Bashar agora é a sua vez".

Como era previsto, os manifestantes foram recebidos com forte repressão policial, cacetetes e armas letais. Arrastados para as viaturas, ativistas políticos de oposição silenciosa, pais dos alunos e amigos foram levados para prisões de segurança máxima onde enfrentaram (juntamente com as crianças detidas) as terríveis pressões da inteligência síria (ao estilo nazista).

imagem gentilmente cedida por Syrian Revolution 2011"
Solidários com a prisão de 15 crianças menores, seus pais e manifestantes inocentes, uma multidão de 300 pessoas saiu em passeatas silenciosas pela soltura deles na região de Homs. Quanto maior a repressão policial, mais focos de manifestação surgia em lugares diferentes do país. Mas Bashar Al-Assad não se deixou abalar. Ordenou a morte a todos os rebeldes. Desde então o país se tornou a capital mundial da mortandade e desde meados de 2011 é que o povo destas regiões sitiadas decidiu empunhar suas armas para enfrentar a iminente invasão do exército sírio e sua tropa de exterminadores conhecida como Shabihas, apoiados pelo Hezbollar entre outros.

Para que a revolta popular não ganhasse apoio internacional, Assad criou todo um esquema para dar a impressão que a crise já havia se tornado uma guerra civil, atraindo grupos insurgentes estrangeiros para alegar "tentativa de golpe de estado". A confusa disputa conta com apoio político e militar de muitos países dividindo quase todo o mundo. Hoje na Síria há quem lute por sua libertação, aliado a grupos que lutam por sua islamização, ao lado de grupos que foram pagos para desestabilizá-la, enfrentando grupos contratados pelo governo para fazer parecer uma guerra tribal, ou religiosa, uma guerra civil ou tentativa de golpe. Tudo misturado.

imagem gentilmente cedida por Syrian Revolution 2011"
Agora nem mesmo a mais inocente das crianças pode escapar deste terror de vida que se estabeleceu no território sírio. Apesar ter decretado a suspensão da "Lei de Emergência" em 2009, só em 21 de Abril de 2011 é que Assad assinou o decreto, mas até os dias de hoje a "Lei Marcial" e o "Estado de Emergência" são praticados no país.   O caos armado em nome de muitos credos, tribos, ideais e valores. Que 2015 seja o ano que a Síria reencontre seu caminho para a liberdade.

Tags: Revolução Síria, guerra civil, Bashar al-Assad, revolta popular, massacre de civis, crimes de guerra, Saulo Valley  Notícias, O Observador do Mundo, #syria  #Homs, 

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