quarta-feira, julho 09, 2014

Turquia: Guerra entre milícias faz lembrar a Síria no leste do país.

Desde a invasão e indexação da Criméia, as milícias russas, que haviam sido importadas da Rússia para a região, buscavam o controle de Sebastopol, Dotnetsk e Kyev. O Objetivo era preparar o caminho para a chegada das forças oficiais russas, para a indexaçao da Ucrânia como um todo. Mas a crise no país acelerada pela intenção de invasão russa ganhou novos ares, desde quando o ex-presidente “Víktor Fédorovich Yanukóvich” foi substituído pelo recém eleito “Viktor Iouchtchenko”. Este último que era uma aposta russa, acabou aplicando um golpe em Putin, assumindo uma postura de governo pró-ucrânia. CONTINUE LENDO

2014-04-14 Sloviansk city council - 2CC BY-SA 3.0 Yevgen Nasadyuk (Євген Насадюк) 
Por Saulo Valley - O Observador do Mundo - Rio de janeiro, 09 de Julho de 2014 - 08:24 GMT-3

Mudanças profundas também no crime organizado implantado por Putin, que acabou se dividindo e hoje guerreiam entre si, enquanto a OTA tenta imobilizar as organizações criminosas e restabelecer o controle do leste do país para Kyev.

Até o momento, Dotnetsk permanece sob controle dos milicianos pró-rússia e a mortandade assola a região. De acordo com nossas investigações desde o início do conflito na Criméia, a desculpa para a não-reação do governo ucraniano, mediante a invasão russa, eram as amargas lembranças da segunda guerra mundial, quando em 1942 Estalinegrado vivenciou a era mais sangrenta da história da guerra, com desenfreado derramamento de sangue para alemães e russos que lutavam pelo controle desta mesma região, terminando num empate onde o número de mortos foi o verdadeiro marco.

“Na guerra moderna, as milícias também são utilizadas como forma de inocentar governos invasores, retirando das forças oficiais a responsabilidade pelos crimes de guerra. Exemplo disto é a antiga Blackwater, força privada de 150 mil homens que lutou no Iraque em nome dos Estados Unidos. Hoje usando nome novo, a Blackwater é acusada de matar 66.000 civis iraquianos durante a invasão americana. George Bush chegou a ser apontado pela Anistia Internacional em 2012 mas o atual governo americano exerceu pesada repressão sobre a ONG de Direitos Humanos, que desistiu de tentar pressionar o Tribunal Penal Internacional a julgar o ex-presidente.”

Hoje a exemplo da Síria, a região de Dotnetsk segue os mesmo padrões da crise síria, protagonizada pela terrível ISIL (ISIS). Milícia iraquiana que luta pelo controle das regiões que os rebeldes oposicionistas ao regime de Al-Assad controlavam sob a bandeira do FSA (Exército Livre). Esta identidade acabou sendo ofuscada quando, para não ser completamente esmagado pelo exército regular da Síria, o FSA agonizante abriu espaço para a chegada livre de jihadistas voluntários do mundo inteiro. Mas o tiro saiu pela culatra quando muitos destes jihadistas na verdade traziam consigo as bandeiras das milícias de onde pertenciam e para quem realmente lutavam. Em pouco tempo exércitos estrangeiros independentes completos já transitavam pelo país em busca de novos fronts de batalha e regiões fragilizadas pela guerra, para assumir o controle. Dentre as mais de 20 milícias conhecidas, o Al-Nusra ganhou destaque pela organização e dureza de suas estratégias. Esta ficou famosa por assumir o controle de aeroportos, presídios e de mais da metade de Aleppo até o momento. Nusra ficou famosa também por subjugar os habitantes de todas as regiões sob seu controle, cobrando altos impostos, pedágios e ágios sobre tudo de mais essencial para a vida. Ativistas internacionais de olho na Síria apontam que no último mês, o Nusra acabou se unindo ao ISIS com o propósito de somar forças contra Al-Assad. Mesmo assim outras milícias saladinas formadas por sírios ou estrangeiros, permeiam os redutos da oposição a Assad. Por fim o FSA praticamente acabou. Sua cúpula de comando original foi substituída há cerca de 2 anos, bem como seus princípios e propósitos, restando apenas o nome. A exemplo de Estalinegrado e Volvogrado, a Síria já viveu muitos momentos absurdamente sangrentos. Desde que Hafez Assad (pai de Al-assad) reuniu a oposição para derrubar o governo da época em 1946. Sabe-se que apenas 3 meses depois que Hafez demonstrou claramente ter enganado a todos, e que as promessas de lutar para conduzir a Síria para a liberdade era uma grande farsa, acabou impulsionando novas tentativas de revolução. Todas elas terminaram em grandes massacres, como Hamá em 1982 (45 mil mortos) e a atual luta para retirar Al-Assad do poder, após ter herdado o governo com a morte de seu pai em 2000. Seis meses após assumir o governo mantendo a mesma linha ao estilo comunismo tradicional, novas tentativas de revolução terminaram em massacre sempre executados pelo exército regular sírio como em 2004 (600 mortos). Hoje a luta que se iniciou em 15 de Março de 2011 já soma mais de 130 mil mortos entre civis, militares desertores sírios e jihadistas, sem contar com as perdas do governo, que quase nunca são informadas.

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