sexta-feira, março 21, 2014

Criméia: Assassinato, sequestro e tortura de militares e ativistas ucranianos

   A guerra de inteligência na Criméia já começou. Com o regime russo no controle da Criméia, uma nova fase é instaurada na região e serviços de inteligência começam a trabalhar para proteger os interesses russos na região ocupada. Para isto, o uso de força e a violência será uma atividade constante e sem limites. Militares ucranianos sequestrados e mantidos em cativeiro foram libertados 24 horas depois. Cheios de hematomas, traumas físicos e psicológicos. Dois ativistas foram torturados à tiros nas mãos e nos pés. O horror da violência russa está apenas começando.

Por Saulo Valley - O Observador do Mundo - Atualizado em 21-03-2014 as 07:24 GMT-3

   O Sequestro do Almirante Sergei Haiduk terminou nesta quinta-feira. De acordo com o grupo "Resistência da Informação", o chefe da Base Naval ucraniana na Criméia e outros dois militares foram mantidos em isolamentos dentro da própria base naval, durante a confusão armada com a invasão de mais de 200 milicianos apoiados por um número grande de mulheres (escudos-humanos) e forças especiais à paisana. O site independente "Ukranian Policy" denunciou que os reféns sofreram privações de alimento, utilização de banheiro e torturas. A fonte disse que dois dos reféns libertados estão hospitalizados com tiros nãos mãos e nos pés. O Almirante Haiduk foi tratado com mais "leveza" por causa da idade avançada mas relatou que sofreu torturas psicológicas tendo sofrido interrogatórios por 2 dias de detenção em intervalos de médios de 10 minutos.

By Mstyslav Chernov/Unframe/http://www.unframe.com/ (Own work) [CC-BY-SA-3.0 (http://creativecommons.org/licenses/by-sa/3.0)], via Wikimedia Commons
Observe a foto anterior e a foto a seguir. O que há de similar nestes homens é que eles usam ataduras brancas numa das mãos ou no ante-braço. Esta é uma prática de snipers russos. A foto de cima foi tirada durante a violenta matança de manifestantes e policiais durante os protestos de Fevereiro em Kyev. A foto à seguir foi tirada no dia 16 de Março na Criméia. Soldados russos recém-chegados aguardando a ordem para começar o derramamento de sangue na região (apontaram militares da antiga cúpula das Forças Armadas ucranianas na Criméia). 

Franco-atiradores russos um dia após o referendo da Criméia - foto de Maxim Muzyka
   A promessa de uma vida tranquila e amistosa entre as diferentes etnias já está sendo quebrada. Apenas o idioma russo está sendo permitido pelo novo governo da Criméia. Milícias batizadas de "Grupos de Autodefesa de Sebastopol" já arrombaram portões e portas de quartéis ucranianos, antes que os militares remanescentes tivessem oportunidade para deixar a região. Menos de 3 dias após o referendo falsificado em favor da Rússia e militares, jornalistas e ativistas começaram a ser perseguidos e pressionados. No terceiro dia já haviam relatos de mortes e sequestros. Hoje é o quarto dia e os relatórios não foram mais suaves. Enquanto o Ministério da Defesa da Ucrânia busca uma forma de retirar seus militares, as estradas continuam interditadas. Sem rumo, muitos oficiais já desertaram das forças armadas ucranianas e se alistaram nas forças russas. Não há como deixar a Criméia com facilidade. Por outro lado, a maioria dos militares tinham suas vidas estabilizadas na região, como famílias, escola para seus filhos, círculo de amizades entre outras atividades. Pra piorar a situação, o banco foi interditado e confiscado. Logo reabrirá com outro nome e nova administração. Estas pessoas ficaram sem o repasse do dinheiro ucraniano. O mesmo se dará aos prédios militares, emissoras de TV, rádio e prédios governamentais da administração anterior. A nova ordem deverá trazer pesadelo e angústia para os que ficaram.

O povo da Criméia já sente falta do tempo que a convivência entre as diversas etnias era tranquila. 50 anos de ótimo relacionamento num país onde a multiplicidade de etnias é tão natural quanto no Brasil.

Nesta manhã o Coronel reformado do exército ucraniano na Criméia Dmitry Tymchuk desabafou:

"Meus amigos russos de etnia, servem com honra e dignidade, e posicionam-se como cidadãos da Ucrânia e nunca na minha vida que ouvi deles qualquer oposição ao povo russo. Sim, e eu próprio, como todo o resto dos meus amigos e conhecidos, nunca temos feito tais diferenças por etnia. A Ucrânia é multinacional. Claro, o mesmo parecer, tem uma maioria absoluta dos cidadãos da Ucrânia, com poucas exceções.
Mas mestiços de Putin insiste neste tema, e tenta realmente criar um conflito nacional. Por um lado, esta é outra prova de que mesquinhez, baixezas vem de certos habitantes do Kremlin e todos os seus lacaios."
Tymchuk destacou nesta manhã de sexta que o Hospital da Marinha da Ucrânia na Criméia já foi assumido pela Federação Russa que exibe um "inventário de posse" e a equipe médica anterior permanece trabalhando no local. O mesmo deverá acontecer com a emissora de rádio e TV "Bleeze" que pertencia as Forças Armadas da Ucrania, anunciou a nova administração regional.

  O vídeo a seguir foi produzido por um cinegrafista que está desaparecido desde o dia 16 de Março. A informação foi divulgada pela ONG "Euromaidan". Este vídeo mostra a tranquila convivência entre soldados russos e ucranianos:


Para não ficar fácil, o regime russo deverá transformar a pacífica Criméia num pesadelo de violência. A gangue importada da Rússia já está abrindo vagas para quaisquer civis e com apoio do governo local que anunciou que "todo cidadão tem o direito de proteger a si mesmo", retirando a responsabilidade do estado e armando a população, o que fortalecerá o comércio de armas e acessórios militares.Os militares ucranianos na Criméia denunciam que as incursões russas nos quartéis da gestão anterior estão sendo facilitadas porque a milícia de Sevastopol estaria se utilizando de civis (inscritos por empolgação) como escudos humanos. Os militares apontam um número surpreendente de mulheres misturadas à gangue. A milícia de "defesa própria" ou "auto-defesa" já passa de 200 militantes e estão sendo aceitos homens e mulheres interessados. Com o crescimento do separatismo, logo começarão os ataques suicidas, como os muçulmanos já prometeram às vésperas do referendo de 15 de Março.

Outras fontes:

Ukrainian Hostages Beaten, Tortured

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