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Cinema: 47 Ronin é cinema japonês ou chinês?

Keanu Reaves volta à telonas protagonizando o quadragésimo sétimo de um grupo de guerreiros cujo mestre havia sido morto. Destituídos das honras de Samurais, os lutadores decidem lutar para vingar a morte de seu senhor. 


Crítica por Saulo Valley - O Observador do Mundo em 04-02-2014 as 00:00 GMT-3
Atualização: 07:42

O enredo da famosa história dos 47 ronins seria um sucesso de filme se a produção não tivesse deixado o filme perder a identidade. Apesar da história ter acontecido no país ao lado da China, não justifica que a produção caríssima do longa se utilizasse de tantos elementos famosos do cinema chinês.

Mancada desnecessária, foi na área da dublagem para o português. Keanu Reaves com cara de 47 anos de idade, vivendo um jovem aprendiz, e ainda com voz de rapaz de 18. Muitos atores foram dublados por profissionais muito jovens e não possuíam timbres adequados aos seus personagens.

No início da saga, toda aquela movimentação de tropas, cerimoniais e longas falas não conseguiram passar a ideia de um filme japonês. A movimentação dos atores e das tropas é a mesma usada pelas trupes chinesas, quando simulam a vida cotidiana no palácio, que aliás, por pouco não pensei que o filme todo foi rodado na China, exatamente na cidade perdida. Isto porque dá a entender que toda uma equipe experiente de produção cinematográfica foi importada da China para o Japão a fim de deslanchar a produção. Mais do mesmo foi o que mais se viu no longa. Pouca criatividade e muita repetição de movimentos, falas, clichês, efeitos e figurinos. Tudo na cola dos filmes chineses que já saíram de moda.

A outra observação que faço, é que o libanês Keanu Reaves não se encaixou no personagem. Aliás: Ele não se encaixou no filme. Ele parecia uma alienígena todo pintado de verde no meio de um monte de japoneses. A idéia era fazer destacar o fato de que no meio de 46 lutadores japoneses havia um inglês que abraçou o suicídio como fuga para desonra da condenação pela desobediência às leis vigentes.  A questão é que não precisavam adicionar um cara barbudo, magro, desengonçado e de aparência desconectada, para justificar sua real natureza, até porque segundo a história, o rapaz havia crescido no meio de monges e após sua fuga viveu muitos anos aos cuidados de outra tribo. Mas depois que o "jovem" Keanu Reaves aparece na cena, na verdade ele já está protagonizando "Kai", um jovem de 18 com as afeiçoes de um homem maduro. Tudo muito estranho, que na minha opinião não faz o menor sentido, a não ser que a produção tenha sido toda bancada pelo próprio Reaves. Tipo: "Deixa o cara se divertir com o brinquedo dele!" É claro que com o passar do tempo "o personagem acaba alcançando a idade do ator", mas na minha opinião, Reaves foi inserido cedo demais na trama.

Reaves aparece velho com fala de garoto e personificando um jovem aprendiz ingênuo.
Outra coisa nada legal é que as cenas (muito desgastadas de ação) acabaram dando boa parte do filme para as cenas muito mais chatas de drama barato, com a intenção de fazer a audiência sair do cinema chorando. Uma avalanche de clichês e um rio de choro. Ninguém mais quer pagar pra ver o sofrimento dos outros no cinema. Houve um momento de drama que eu acabei falando: "Acaba logo!"

Publicidade do filme mostra um Keanu Reaves muito mais jovem que atuando.
Durante a divulgação do trailer a expectativa causada foi muito grande, mas a partir do lançamento oficial produção foi sendo desvalorizada pela audiência. Segundo as estatísticas do site americano especializado em cinema "IMDb", o filme acabou caindo 30 pontos só na última semana. 22.527 pessoas que assistiram o filme deram a classificação 6.6 no próprio "IMDb".

Violência e sangue

Bobagem de detalhe: Espadas e lâminas sem uma gota de tinta vermelha o filme inteiro e sem qualquer desgaste ocasionado pelo uso. Contando com o gigante, o mestre e os ronins, 49 pessoas morrem em destaque sem deixar cair uma gota de sangue, água ou suor. Bem ao estilo "teletubes". Se o fator foi positivo ou negativo, isso depende da dosagem. A câmera não precisa mostrar a pele sendo perfurada, mas existem muitos recursos para dar mais veracidade às mortes.

Ah! Pra encerrar: A história não gira em torno dos "47 Ronins" como faz entender a dublagem, mas sim em torno de "Kai, o Ronin 47". Então o nome certo para o filme seria "O Quadragésimo Sétimo Ronin" ou "Ronin 47". Não "47 Ronins". O fato de estar escrito "47 Ronin" no título original, não significa que em inglês quer dizer a mesma coisa que queremos dizer em português. Ah tem "fotoshop" à vera no pôster. No filme Reaves parece bem mais velho que no cartaz. Significa que a produção sabia que Reaves não estava literalmente encaixado no personagem.

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