segunda-feira, janeiro 13, 2014

Síria: Mulher de presidente faz visita surpresa em escola do ensino fundamental...

Asma Assad é um misto de exemplo de mulher admirada por sua posição e beleza e odiada por apoiar o massacre de famílias rebeldes inteiras. Atualmente mais de 130 mil pessoas morreram na guerra civil que assola o país, e a maioria dos mortos foi vítima do exército sírio e milícias que trabalham para Bashar Al-assad, seu marido.


Por Saulo Valley - O Observador do Mundo - Rio de Janeiro, 13 de Janeiro de 2014 as 21:12 GMT-3

Asma Assad fez uma visita surpresa nesta segunda a alunos de uma escola de ensino fundamental, cuja intenção é manter o apoio da população e provocar repercussão internacional positiva. A idéia é mostrar um cenário muito oposto ao apresentado pela oposição. No início da revolta contra o regime do presidente sírio há 3 anos, Asma Assad foi enviada para casa de seus pais em Londres juntamente com seus filhos. Durante os seis primeiros meses da crise, não era comum ver qualquer sinal de contato entre Bashar e Asma. Corria um boato de que Asma havia deixado o marido até que ele desistisse de matar mulheres e crianças. Mas com o prolongamento da revolta pacífica até se converter numa das mais sangrentas guerras civis do nosso tempo, os intervalos dos encontros públicos entre o presidente sírio e sua família foram diminuindo. Até a primeira metade da crise, os rebeldes viviam implorando à primeira dama para pressionar seu marido a deixar o poder e pôr fim ao impiedoso massacre de manifestantes.

Enquanto Asma visita escolas protegidas por seu marido, o exército sírio bombardeia casas e escolas em áreas rebeldes
Foto cortesia de: Ninno Fezza Syria 2013/2014
...Mas com o silêncio de Asma, sua aparição cada vez mais crescente em apoio ao ditador, levou os rebeldes a desacreditar que a "Rosa do Deserto" como era chamada, poderia ser frágil, doce e sensível, como se acreditava. Nem mesmo quando as maiores agências internacionais a pressionavam por um pronunciamento foi possível se pensar que em algum momento Asma se voltaria contra o império Assad. Em fim dois anos e dez meses depois \Asma mostra que seu apoio a Al-assad é uma realidade:


Enquanto isto no lado rebelde, as escolas não são protegidas pelo exército sírio. São "alvos militares". Escolas bombardeadas e estudantes imolados para servir de escudo humano, uma oferenda a Allah. Um sacrifício desesperado que visa alertar ao mundo sobre a crueldade do ditador mais frio desde Hittler. Bashar Al-assad foi elogiado por seu irmão Maher Al-assad no final de 2011 como o "homem mais frio da terra". Enquanto que Asma visita as escolas como que diz para os pequeninos: "Está tudo bem", seu marido visita os bairros que a pouca população que ainda resiste por lá, é oposição ao seu governo. São tribos. Aldeias, províncias. Gente pobre e que não possui qualquer tipo de laço com o clã Assad. São pessoas que há muito já viviam esquecidas. Abandonadas pelo tempo e isoladas pela cortina de ferro invisível da política "perfeita", empregada pelo seu pai e antecessor Hafez Assad.

Neste vídeo um menino de 8 anos é encontrado órfão e passa a ser treinado pelo exército rebelde.


Há 4 meses um bombardeio do regime sírio lançou barris explosivos contendo Napalm no pátio de uma escola na cidade rebelde de Aleppo, matando 10 e ferindo uma grande quantidade de pessoas. Neste mesmo episódio, tropas de mercenários à pé, fizeram varreduras nas casas que sobraram. De uma-a-uma torturaram e mataram populares sobreviventes usando armas brancas. Um total de 1400 pessoas foram assassinadas nesta operação militar que visava retomar o controle de Aleppo das mãos da milícia radical Al-nusra. Mas dentre as vítimas 400 eram crianças.


A ONU se pronunciou a respeito, aumentando a pressão sobre o regime sírio. Isto deu origem à proibição do uso de armas químicas no país e a suposta destruição de "todo o estoque de armas químicas" com a ajuda da Rússia, o principal protetor do regime Assad...

Por outro lado o esforço descomunal dos rebeldes para vencer o poderoso regime sírio que tem a China, o Irã, a Rússia, o Iraque, a Venezuela, o Brasil e a Índia como principais apoiadores, fez com que fosse feitas alianças com grupos independentes que supostamente lutariam em nome do exército de desertores batizado de FSA (Free Syrian Army, ou Exército Livre). Mas ao assumir o controle de regiões antes dominadas por Assad, as milícias acabaram não aceitando entregá-las ao FSA, formando assim uma região isolada. Era o caso de Aleppo e Al-Rastan desde o início de 2012. Mas o alto comando do FSA já esperava que isto viesse a acontecer, ele só acreditava que os aliados só decidiriam traí-los depois que Assad tivesse sido finalmente derrubado, "aí seria uma outra guerra..." Os riscos foram calculados mas a traição veio muito antes do esperado. No dia 20 de Outubro de 2013 a milícia Al-Nusra matou o alto líder do exército Livre
Yasser al Abboud...


...Como escreveu o general Sun Tzu em 1600 AC: "toda guerra consiste na mentira". Sim. O elemento surpresa é a arma dos vencedores, e o grande golpe foi a tentativa de derrubada do próprio alto comando do FSA, culminando na tentativa de assassinato do líder Coronel Assaad (fundador e patrono do exército rebelde, o FSA).

Agora os rebeldes lutam por um recomeço e apostam na reunião de todas as forças independentes que atuam na Síria. Todos debaixo de um único comando, agora batizado de "Exército Nacional Livre". Há exatos 30 dias outro grande líder rebelde Abdul Qadir al Saleh também foi morto. Saleh liderava entre 9 e 10 mil lutadores contra Assad..


Enquanto isto a ONU luta uma batalha paralela, que visa garantir que a oposição estará sentada na mesa do diálogo diante do regime sírio, sob os cuidados auspiciosos das Nações Unidas no dia 22 de Janeiro deste ano corrente. A oposição tem oferecido muita resistência e afirma que "só se sentará para dialogar quando Assad tiver deixado o poder.. e for entregue ao Tribunal Penal Internacional para prestar contas de seus crimes".


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