domingo, janeiro 19, 2014

México: Mulheres de Michoacán se armam para enfrentar cartel dos Templários

O governo mexicano anunciou ter ocupado pelo menos  localidades antes controladas pelos próprios populares organizados e armados. Enquanto isto grupos de Direitos Humanos apontam para o equivocado esforço do governo federal mexicano que nunca encontrou forças o suficiente para exercer a mesma pressão sobre os cartéis do narcotráfico ao ponto de "imobilizá-los". Mas ao contrário disto, os cartéis agem livremente e as mulheres de Michoacán, Guerrero, Apatzingán, Tierra Caliente (bem como outras cidades do país) vivem à mercê dos criminosos que praticam livremente o estupro, sequestro entre outros abusos contra as vítimas do sexo feminino.


Por Saulo Valley - O Observador do Mundo - Rio de Janeiro, 19 de Janeiro de 2014 - 11:02 GMT-3

Indefesas seriam se dependesse da vontade do governo. Armadas, as mulheres saem às ruas para realizar suas tarefas mais simples. A mesma pergunta é ainda muito estrondosa na mente de qualquer ser inteligente que assiste o governo atacar as vítimas e deixar livres os agressores. Por esta razão muitos membros da Autodefesa de Michoacán se negam a baixar suas armas, pois a ineficiência, ou o interesse do governo para garantir a segurança da população é algo muito latente.

A visão remete ao tempo do cangaço no sertão brasileiro. Mulheres ocupando suas mãos com baldes de água seguem para o rio, ou transportando cestos de vime seguem para a plantação para mais um dia de colheita. Nas costas, pendurado à bandoleira um amigo inseparável. Uma winchester 22. Armadas com carabinas, shotguns, entre outras poderosas armas de guerra, elas caminham sempre em grupo, temendo o surgimento de algum súbito estuprador ou assassino membro do Cartel que controla a região.

Uma cena chocante e preocupante. Difícil de entender que ao invés de proteger a população, o governo decida persegui-los, sem ao menos criar uma infra-estrutura para oferecer segurança e proteção para os habitantes da região dominada pelos "Cavaleiros Templários". Tantos outros cartéis assolam o país e como é do conhecimento de todos, a corrupção política está ligeiramente ligada à livre permanência dos cartéis no país. O tráfico de armas, drogas e pessoas no país já elevou a violência ao nível de uma guerra completamente desenfreada. Mesmo com a ação conjunta com os Estados Unidos no combate ao crime organizado, a crise só tem se agravado. Medo e revolta é tudo o que o governo mexicano tem de feedback do seu povo, que já enfrenta tanta dificuldade ligada à pobreza e ao abuso de poder político e policial somados ao abuso do crime organizado exercido contra todas as camadas da sociedade mexicana.



Corre um boato de que o governo federal teria assinado um acordo para trabalhar em conjunto com a Autodefesa de Michoacán. Neste sábado último o governo negou o boato, mas ainda sim os chamados revolucionários continuam afirmando. Enquanto as forças do governo lutam para desarmar as milícias de autodefesa, o grupo que atua na região de Tierra Caliente comemorou neste sábado o sucesso da operação armada que resultou num violento tiroteio com meliantes do cartel Los Cavaleros Templarios, recuperando uma fazendo de cerca de 25 mil hectares antes ocupada pela facção criminosa. Apavorados, os proprietários temiam por suas vidas mas o grupo voluntário de autodefesa conseguiu recuperar a terra e devolvê-la para seu legítimo dono.

A região de Apatzingán neste fim de semana foi ocupada pelo exército, o que tem trazido um certo ar de tranquilidade para a população, segundo o repórter Miguel Garcia do jornal televisivo mexicano "C3N". Por outro lado é importante pensar que o governo federal pode estar tentando por em prática o mesmo modelo de pacificação realizado pelo governo brasileiro nas comunidades controladas pelo crime organizado local. É claro que ocupação é uma coisa e combate ao crime é outra. Enquanto a ocupação federal afugenta a bandagem (que só troca de lugar), a polícia evita o confronto direto e as consequentes mortes, mas permite que o crime se mude para regiões antes pacíficas, fazendo novas vítimas.


O estilo dos Grupos de Autodefesa é focado no confronto direto e na expulsão da facção da região. Com isto há maior mortandade mas é uma guerra que pode vencer o lado mais forte. No caso dos grupos civis de autodefesa a pergunta seria: Quem são seus patrocinadores? De onde retiram o financiamento para os carros adaptados, as armas e os uniformes?


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