segunda-feira, outubro 14, 2013

É o fim do transporte alternativo organizado?

A prefeitura de Eduardo Paes, está prestes a cumprir o que havia prometido durante sua campanha política das ultimas eleições. Na ocasião, quando percebeu que poderia perder as eleições, o atual prefeito mudou o discurso dizendo que não tinha intenção de acabar com o transporte alternativo.

Por Saulo Valley - O Observador do Mundo - Rio de Janeiro, 14 de Outubro de 2013 - 07:48 GMT-3

Neste momento o transporte alternativo da comunidade de Rio das Pedras milita para evitar que as autoridades encerrem suas atividades. Eles protestam queimando pneus em barricadas , impedindo o acesso aos ônibus que atendem a região.

   Conversando com trabalhadores das vans, o Saulo Valley Notícias ouviu os manifestantes reclamarem que não estão recebendo apoio dos próprios usuários e que durante as manifestações, a população não comparece. Angustiados, motoristas, fiscais e cobradores (que na maioria das vezes, trabalham para milicianos e policiais da ativa, que assumiram o controle das linhas de vans) vão para as ruas pedir o reconhecimento do transporte alternativo como um grande necessidade para a população do Rio de Janeiro.

  O transporte alternativo ganhou muita força na última década em virtude do descaso das empresas de transporte público oficiais, para com seus próprios usuários. Trens, Metrôs e ônibus abusavam da necessidade de locomoção dos trabalhadores que não tinham alternativa e eram reféns dos mesmos que mantinham velhos veículos e aumentavam os preços das passagens sistematicamente sem nada oferecer em troca.

  Com data literalmente marcada para terem suas atividades oficialmente proibidas, as linhas de vans da Zona Oeste do Rio de Janeiro vagam em busca de solução alternativa, enquanto que a construção e ampliação do BRT se desenvolve velozmente. Com a instalação efetiva do BRT, a redução do numero de veículos de transporte coletivos, ainda subtraindo o transporte alternativo, o trânsito promete fluir com maior agilidade, favorecendo comercialmente os administradores do BRT, mas nem sempre beneficiando os passageiros. A oferta de maior conforto e mais tecnologias tem atraído a clientela, mas dependendo da distância a ser percorrida, o BRT não traz o benefício prometido. Este é o caso, por exemplo de quem mora em Sepetiba e trabalha entre Recreio e Barra. No último feriado (12 de Outubro) fizemos o trajeto Alvorada-Santacruz usando o BRT. E para surpresa, o coletivo só deixou o terminal depois que o último assento foi o ocupado, sem falar que para um dia sem trânsito, a demora foi extressante até o destino.

 Quem precisa embarcar no BRT no meio do caminho já está em desvantagem, uma vez que é quase impossível encontrar um lugar para se sentar. Se num dia de feriado nacional é assim, como pode ser no horário do Rush do dia-a-dia dos trabalhadores da região?

Opinião:

   Ao nosso ver, assim como a fraca e falsa ocupação das áreas controladas pelo tráfico, a nova ordem do transporte público tende muito mais a transferir o poder e o monopólio de um grupo desorganizado e diversificado, para uma nova e mais poderosa organização, ou pólo empresarial que serve como base ou cartel da Prefeitura do Rio de Janeiro.  Um pequeno grupo de grandes empresários beneficiados pelos projetos da prefeitura. É muito difícil acreditar que o próprio prefeito não esteja tendo um retorno estrondoso com todas estas construções vazias e de fraca utilidade pública, como as Clínicas da Família e as UPA. 

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