domingo, setembro 08, 2013

Rio: OP7 protesto da juventude dos "Black Bloc" e muito quebra-quebra

Manifestações no Rio de Janeiro no Dia da Independência levaram dezenas de jovens à detenção e possíveis processos criminais por danos. Saulo Valley Notícias esteve no coração dos confrontos entre anarquistas e policiais do Bope, Choque e PM.

Após um dia de correrias e confrontos com a polícia, os "Black Bloc" se misturam aos manifestantes que ocuparam a Câmara dos Vereadores - Foto  Saulo Valley
Por Saulo Valley - O Observador do Mundo - Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2013 - 23:24 GMT-3
Atualização: 11-09-2013

As manifestações deste sábado começaram cedo. Por volta das 10:00 da manhã já havia manifestantes tentando minar os tradicionais desfiles militares em todo o país. No rio de Janeiro, a movimentação gerou ação da polícia que revidou com bombas de gás lacrimogêneo. A confusão afastou o pequeno público que habitualmente prestigia o já cansado desfile militar de 7 de Setembro. Na maioria dos casos são familiares dos próprios soldados que vão assistir e fotografar, o que para eles pode ser um momento marcante em suas vidas. Mas os manifestantes tentaram estragar a festa forçando a invasão da pista da Avenida Presidente Vargas, onde acontece o evento desde a era do regime militar.

Acompanhamos o desenvolvimento dos protestos pela TV até as 14:00, e às 15:00 chegamos no bairro da Leopoldina. De lá seguimos andando até a candelária, mas os manifestantes já haviam sido dispersos pelos policiais. Conversamos com uma manifestante que disse que os partidários do PSTU haviam se deslocado para uma comunidade carente próxima, enquanto os "Black Bloc" estavam procurando outro lugar para quebrar. A menina me contou que eles estavam se reunindo na cinelândia e que logo partiriam dali para protestar outra vez em forma de ""Quebra-quebra". Corri para a Cinelândia e havia um grupo pequeno e disperso de manifestantes que ocupou as escadarias da Câmara Municipal. Mas conversando com um jornalista estrangeiro (supostamente um americano) soube que os "Black Bloc" estavam se dirigindo para o Largo do Machado. Partimos pra lá e encontramos uma massa de cerca de 400 manifestantes. A maioria deles estava vestida de roupas pretas e os jovens do sexo masculino cobriam os rostos com máscaras e camisetas. Sempre que podiam, os mais audaciosos procuravam pedaços de madeira para atirar contra os policiais, mas as revistas eram constantes e as pessoas que eram flagradas com qualquer tipo de objeto que pudesse servir como arma, eram advertidas e seus objetos retirados de suas mãos, algumas eram detidas. Mas o foco estava no desafio às autoridades. Eles ameaçaram seguir para o Palácio da Guanabara mas as ruas de acesso estavam interditadas por paredes de policiais e seus escudos.

Exaltados, os manifestantes estavam irritados por não conseguir chegar no Palácio da Guanabara - Foto Saulo Valley
Percorrendo o local vimos que até o momento a situação era controlável, até que a polícia decidiu dispersar a multidão com bombas de gás lacrimogêneo. A multidão correu desesperadamente para escapar do gás enquanto que a polícia formava corredores ou currais por onde eles forçavam a multidão a se dispersar.

Impedidos pela barreira de chegar ao Palácio, manifestantes se sentaram - Foto Saulo Valley
Voltamos ao Largo do Machado assim que o efeito do gás lacrimogêneo passou e encontramos o local completamente vazio em questão de 4 ou 5 minutos. Percebemos então que um grupo de vândalos deixou o local destruindo telefones públicos e lixeiras. Eles formavam barricadas de lixo e incendiavam, para dificultar a perseguição policial. Seguimos o grupamento de choque até que encontramos dois telefones públicos em chamas.

A parede de chamas e fumaça fazia a barreira policial parecer uma manifestação - Foto  Saulo Valley
Quando nos aproximamos, outro grupamento de choque começo a atirar gás lacrimogêneo em nós (Jornalistas). Consegui escapar da fumaça e corri para o lado do grupo que atirava, alertando que na direção que eles estavam atirando só haviam policiais do BOPE formando outra fileira. Isto porque o fogo dos orelhões era tão alto que fazia a outra barreira policial parecer um vulto de manifestantes em posição de desafio. Depois que consegui convencer os atiradores do choque a parar de disparar contra os outros policiais, o Corpo de Bombeiros chegou ao local para apagar as chamas. Havia também um banheiro químico jogado no asfalto. Quando me aproximei dos Bombeiros, a fumaça do gás lacrimogêneo já era densa. Percebi que havia me exposto em demasia. Pedi ao um dos médicos voluntários que me aplicasse um spray que sempre utilizam para socorrer pessoas que passam mal com esta arma de repressão. Vários civis passaram mal neste dia. Ao meu lado estava um casal que um dos médicos comentou: "Este casal não vai aguentar por muito tempo". Mesmo sem poder narrar os acontecimentos mantive minha câmera ligada e ao perceber a melhora comecei a trabalhar novamente.

Soldado da tropa de Choque perseguiu os vândalos com o escudo de cabeça pra baixo - Foto Saulo Valley
Dali, segui outro grupo de choque que perseguia os verdadeiros "Black Bloc". (Estes da foto acima, onde flagrei um soldado com seu escudo de cabeça para baixo...) Quando os policiais passavam os moradores aplaudiam a tropa das janelas dos apartamentos. Em fim pude ultrapassá-los, chegando até o lado dos revoltados que destruíam tudo o que podiam, enquanto xingavam os policiais. Estes por sua vez, eram xingados pelos moradores por seus atos de vandalismos. Houve momento em que os anarquistas atiraram pedras contra as pessoas que apareciam nas janelas dos apartamentos, para criticar a manifestação de fúria dos jovens.


Eles estavam retirando as pedras portuguesas das calçadas para utilizá-las contra os PMs. Alguns chegaram a encher as mochilas com um grande número delas. Muito lixo queimado e ao chegarmos na Glória, os jovens já haviam se dispersado e se misturado aos pedestres. De lá soube que eles estavam voltando para a Cinelândia para atacar as agências bancárias. Corremos então para cobrir a ação de vandalismo dos manifestantes rebelados. No caminho encontramos na Glória, uma agência do Santander e uma do Itaú que tiveram suas vidraças destruídas, mas suas máquinas estavam intactas.

Apesar de preso, um dos "Black Bloc" tirava fotos dos jornalistas - Foto Saulo Valley
Antes de chegarmos na Cinelândia, nos deparamos com uma surpresa: A polícia havia cercado pelo menos 6 dos "Black Bloc" que vandalizaram na Zona Sul e Centro do Rio. Enquanto eram identificados, os policiais, jornalistas, fotógrafos, cinegrafistas e alguns manifestantes ligados aos jovens detidos, batiam boca sobre a detenção ou apreensão dos manifestantes. Depois de identificados foram levados para as viaturas e conduzidos para o Batalhão de Choque.

De volta à Cinelândia novo bate-boca entre policiais e manifestantes que reclamavam que três policiais estavam fotografando seus rostos. Lentamente os jovens que estavam descansando nos degraus da Câmara dos Vereadores, foram saindo de modo que a polícia não percebesse. Eles se dirigiram para os Arcos da Lapa, onde prometeram mais destruição em protesto contra o atual sistema. Seguindo em sentido Central do Brasil, passando pela Praça Tiradentes, encontramos um grupo de adolescentes que ia se juntar aos "Black Bloc" na Lapa. Um deles enrolava um cigarro de maconha, enquanto caminhava. Os 5 estavam vestidos de preto.

Assista aos vídeos gravados neste dia 07 de Setembro de 2013.



Saulo Valley Notícias Brasil

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