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Relatório do Uso de Armas Químicas na Síria e o conflito.

Hafez Bashar Al-Assad era um ditador tão sanguinário, que Saddam Hussein demonstrou respeito por sua crueldade. Após sua morte, havia uma suspeita que seu filho Bashar Al-Assad ao assumir o poder, iria tentar se aproximar do nível de genocídios praticados por seu pai, mas superou em grau, gênero e números.

Por Saulo Valley - O Observador do Mundo - Rio de Janeiro, 18 de Setembro de 2013 - 07:02 GMT-3

Bashar Al-Assad foi descrito por seu não menos cruel Maher Al-Assad como o homem mais frio do mundo. Cruel e sanguinário, o ditador é acima de tudo um jogador profissional. Sabe tudo de política e possui amplo controle das regras do jogo político. Bashar sabe que todas as causas produzem uma consequência e sabe muito bem que para cada consequência há um caminho político a ser percorrido por padrão. Com inteligência sagaz, o ditador se utiliza das próprias regras internacionais e utiliza todas as suas brechas com grande maestria. Tudo para continuar ganhando tempo para tentar realizar seu maior desejo: Eliminar 100% de seus rivais e oposição no terreno. Diferente de Hosni Mubbarak, o ditador egípcio que renunciou quando os levantes começaram, Assad não recua nunca e se utiliza de meios políticos que o mantém com uma grande solidez, no cargo de presidente da República Árabe da Síria. Cargo este que foi herdado de seu pai, que por sua vez o conquistou por meio de uma revolta armada, cuja promessa inicial era de "libertar o povo da ditadura". 3 meses depois de eleito, o regime autocrata dos Assad teve os punhos cerrados para governar, manipular e explorar o povo sírio. O governo familiar que acumulou o controle de todos os serviços públicos, inclusive comércio exterior e as forças armadas. Uma verdadeira máfia foi estabelecida e controlada por Hafez, seu irmão, seu sobrinho e seus dois filhos.

Recorde quebrado

Hoje Bashar Al-Assad enfrenta uma revolta que não consegue extinguir. Mas por outro lado, se não conseguiu matar toda uma oposição, a exemplo de Hafez seu falecido pai, Bashar superou os mais de 10.000 oposicionistas mortos (confirmados pela ONU) em 1982, por seu velho. a Revolução Síria datada oficialmente de 15 de Março de 2011 já acumula um saldo que ultrapassa dos 100.000 mortos, confirmados pela ONU recentemente.

Relatório técnico do uso de armas químicas na Síria fornecido pela ONU em 17-09-2013

Armas Químicas

   As armas químicas do regime sírio começaram a ser utilizadas com pelo menos 3 ou 4 meses de revolta, que ainda era pacífica. Esta informação é de acordo com os próprios rebeldes que relataram e comprovaram em vídeos gravados por equipes médicas de emergência em diversos hospitais localizados nas regiões consideradas redutos rebeldes, como Homs, Hama, Rastan e Aleppo, em 2011. A maioria dos ataques químicos denunciados pela oposição, foi registrada em aldeias e regiões rurais do Sul/Suldeste do país.   Apesar das denúncias frequentes, o regime sírio não cedia o acesso ao país, para equipes de fiscalização das Nações Unidas, o que impossibilitava a comprovação oficial das denúncias. Mais tarde, com a pressão americana para invadir militarmente a Síria, a estratégia do regime foi permitir o acesso das equipes de Observadores e comissões de inquérito. Mas as condições do translado deste pessoal eram manipuladas e as equipes acabavam sendo limitadas a áreas que o próprio regime sírio havia preparado para recebê-los, de forma que não conseguissem provas convincentes. Até mesmo o translado dos profissionais era feito por oficiais da inteligência síria. Mas as poucas provas coletadas e que não puderam produzir um efeito explosivo inicialmente, estão sendo acumuladas como provas para as próximas décadas. Daqui a alguns anos, se Bashar Al-Assad ainda estiver vivo, terá que se apresentar diante do Tribunal Penal Internacional. Mas ele sabe muito bem como continuar retardando esta realidade.

Continua...

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