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O protesto e as fases que configuram uma revolta popular ou armada - O Observador do Mundo

O Brasil enfrenta uma gigantesca onda de protesto. Um acontecimento inédito no país, mas não ao redor do mundo. Todos os dias o Saulo Valley Notícias cobre manifestações populares que evoluem para revolta, progridem para o estágio da anarquia e chegam ao nível que podemos chamar de divisor de águas. SAIBA COMO:

Por Saulo Valley Notícias - O Observador do Mundo - Rio de Janeiro, 14 de Setembro de 2013 - 06:05 GMT-3

   As manifestações populares são realmente umas poucas armas de reação reconhecidas pelas autoridades tanto nacionais quanto internacionais. Este poderoso meio de comunicação é uma das poucas formas de fazer com que os governos ouçam a voz das minorias, as vozes de muitas pessoas que se sentem coletivamente oprimidas, exploradas ou simplesmente ignoradas. O direito ao protesto e à manifestação é garantido por lei constitucional em quase todo o planeta, salvo as ditaduras estabelecidas, como a Síria, Iran, China entre outros.

Por trás das Manifestações

   As manifestações populares desencadeadas pela chamada "Primavera Árabe", são particularmente diferentes de todos os protestos já registrados na história, no caso dos países ocidentais. As influências exercidas pelo mundo árabe têm sido notadas desde as roupas utilizadas, que no primeiro momento são classificadas como "fantasias" mas à medida que os movimentos vão ganhando força e alcançado os objetivos pré-estabelecidos e esperados pelos organizadores, acabam se revelando mais como uniformes, ou como uma forma de caracterização ou simbolismo do grupo por trás do movimento.

   Quando o povo sai à ruas, ele deixa pra trás, o ambiente familiar, a rotina de trabalho e as ocupações comuns praticadas normalmente naqueles horários em que agora protestam. Mas pequenos grupos domésticos e de estudantes não paralisam ou não movimentam uma câmara ou um senado, por exemplo.
   É por isto que toda manifestação precisa ser "engrossada". São convidados diversos grupos que por razões diferentes possuem algo a reclamar dos governos ou para eles. A verdade é que quando diversos grupos com demandas diferentes se unem suas metas são colocadas e segundo plano para dar mais força para a principal meta do movimento ora organizado. Mas alguns grupo que chegam para compor a grande massa, podem marcar muito mais por suas particularidades do por suas adesões volumosas.
  Assim grupos tão polêmicos quando influentes, podem acabar assumindo o controle e as atenções das autoridades e ainda roubando o direito de determinar a exigência a ser feita para determinado setor do governo.

   Citando a Turquia como exemplo:

   A revolta popular nasceu da luta de um grupo de ambientalistas que lutava para impedir a construção de um shopping exatamente onde se localiza o último parque arborizado da cidade de Ankara. Mas em determinado momento a luta dos ativistas ambientais foi encoberta pela luta dos que buscam as liberdades homo afetivas e também dos que promovem a anarquia. Com cerca de dois meses de crescente ou melhor, enfervescentes protestos, o líder do grupo terrorista curdo PKK, enviou uma mensagem para as lideranças do movimento jovem parabenizando pelo sucesso dos protestos e ao mesmo tempo avisando que a manifestação evoluirá até o ponto que outro grupo mais organizado e poderoso assumirá o comando.

Anarquia sem jovens

Se os jovens são a principal força motora dos movimentos pró-governos e de oposição, os movimentos anarquistas então não seriam nada sem eles. Até porque os velhos jamais se exporiam fisicamente a enfrentar as forças policiais, suas armas imobilizadoras e seus cacetetes. Balas de borracha e poderosos jatos dágua seriam potencialmente letais para muitos. Por esta razão a juventude é explorada. Desinformada ou não ela parte pra cima das forças governamentais dispostas a causas estragos que os façam sentir na pele, a dor (motivacional) que os levou a sair para as ruas.

Mas se por de trás de toda massa jovem há mentores, quem está por trás destes mentores?

Citando a Síria como exemplo:

   Onde se encontram os principais núcleos formadores de oposição? Este detalhe importante na história dos protestos também pôde ser observado na Síria. Em 2011 o governo sírio descobriu, após 4 meses de crescente revolta pacífica, que as mesquitas e as universidades eram a "fábricas" de manifestantes. Era neste lugares que suas mentes e espíritos eram alimentados com mensagens e ensinamentos oposicionistas ao regime. Foi então que o presidente Bashar Al-Assad deu ordens para que suas tropas invadissem as universidades e mesquitas, prendendo os líderes e dispersando as massas reunidas. Para evitar que elas continuassem se unindo, reunindo e se organizando. A segunda estratégia utilizada pelo serviço secreto sírio foi de literalmente comprar líderes religiosos, para formatar as mentes de seus fiéis contra a oposição, além de oferecer (como governo) vantagens e melhorias para as organizações religiosas e seus líderes aliados.  Nas universidades, professores foram substituídos por funcionários da inteligência ou educadores pró-assad. Em mais de dois anos de perseguição à oposição, a mortandade de estudantes e religiosos já ultrapassou à casa dos milhares de milhares.

No Brasil, as religiões não são muito acostumadas a enfrentar os governos mas nas universidades é que se formam os mais determinados opositores, anarquistas e revolucionários. O PT, que atualmente é o próprio partido do governo, aliado ao PDT realizaram e realizam muitas campanhas dentro das universidades. E é por reconhecer as escolas como principais currais para a escravização ou esclarecimento das massas jovens (que são potencialmente reacionárias), que todos os movimentos reconhecem a juventude como o principal sustentáculo de um movimento popular.

   No Irã, em 2009 uma grande manifestação foi organizada por um grupo de ambientalistas para protestar contra a degradação ambiental de uma importante lagoa chamada "Urmia Lake". Em dado momento o serviço secreto iraniano descobriu que entre os manifestantes havia grupos representados que lutavam pela derrubada do regime dos Aiatolás, visando a usurpação armada do trono. Neste fatídico período pelo menos 400 manifestantes de todas as classes representadas e aglomeradas na "Revolução Verde" foram executados sem direito a qualquer julgamento ou questionamento legal. Este massacre chocou o mundo e provocou repulsa até hoje, contra Mahmoud Ahmadinejad, o presidente recém-eleito "irregularmente" naquela época.

  Usando o Wikipédia como fonte que lembra que grupos militares e paramilitares à serviço do governo de Ahmadinejad estuprou, torturou em prisões subterrâneas, enforcou, e executou à tiros centenas de manifestantes que acusavam o governo de corrupção nas eleições que deram 60% dos votos para o candidato então eleito. Recentemente Barack Obama fez menção deste evento ao enviar uma mensagem ao Irã, falando em condenação de seus testes nucleares.

Cultura "Black Bloc"

   A anarquia ganhou força no Brasil com a presença marcada da organização internacional "Black Block" (Black Bloc no Brasil), cujos objetivos têm como pano de fundo o comunismo. As manifestações em todo mundo costumam ser de "cara-limpa" no primeiro estágio. Aumentando a repressão e a perseguição dos serviços de inteligência pelos seus líderes e organizadores, os jovens tendem a encobrir seus rostos. Aumentando ainda mais a repressão, estes jovens vão sendo naturalmente substituídos por adultos mais fortes, mais resistentes e até mesmo soldados à paisana. Usar máscaras, vestir-se de preto e provocar o caos, é uma forma de pressionar o governo e até estremecer as bases do mesmo, mas abre uma porta perigosa para o surgimento de uma "nova ordem". É quando o povo começa a ficar de fora dos protestos e grupos específicos começam a controlar a força política da revolta.

   Se o povo perde sua identidade, por trás de homens mascarados  e camuflados ou descaracterizados podem haver grupos conhecidos, partidos políticos no poder ou de oposição, além de grupos religiosos influentes, como os católicos, satanistas, maçons etc.

continua...

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