terça-feira, setembro 10, 2013

Comportamento: Fingir e fantasiar é o que nos torna loucos?

Fingir e fantasiar é o que nos torna loucos? 

Por Saulo Valley – O Observador do Mundo – Rio de Janeiro, 10 Setembro de 2013 – 21:56 GMT-3

Fingir e fantasiar é algo peculiar a todos os seres vivos. Quando crianças chamamos de "brincar" o ato de fingir que estamos fazendo algo ou que somos alguém. Esta brincadeira tem servido pra educar e preparar crianças, adolescentes e jovens para a vida adulta. Tudo não passa de uma complexa simulação da vida de cada um de nos no futuro. Por que brincar é o mesmo que experimentar mentalmente o que pode ou não se materializar em um tempo futuro qualquer.

Este exercício mental parece ser apenas "coisa de criança", mas não é bem assim. Na verdade esta atividade cerebral é ininterrupta na vida do ser humano. O que muda com o amadurecimento das pessoas, é o nome atribuído a esta atividade. Se as crianças brincam, os jovens sonham, os adultos fantasiam e os velhos revivem suas memórias.

À cada nova ideia sobre as coisas e a vida, a criança faz a sua experimentação e suas simulações vão gerando outras ainda mais complexas. Quem em suas criancices nunca fingiu ser um personagem das historias infantis ou personagens de uma ficção?

Nenhum de nós poderia dar uma resposta negativa em mais de sete bilhões de habitantes neste globo terrestre. Se fingir, imaginar ou simular ser algo ou alguém é muito peculiar as nossas crianças desde sempre, desde quando os jovens sonham?

Na Juventude

São os jovens que trazem a maior capacidade de sonhar. Foi na juventude que Bill Gates sonhou ganhar uma grande soma de dinheiro produzindo softwares para cada computador fabricado e vendido no mundo. Mas este sonho veio a partir de uma simulação realizada por seu privilegiado cérebro. Na juventude, nossas simulações são mais ligadas ao prazer e no campo profissional. Elas já não são tão ingênuas. O sexo está muito bem destacado entre seus temas. Ainda os jovens amam fingir ser uma celebridade de sua profunda admiração. Amam ser reconhecidos e às vezes simulam ou fingem ser muito bem sucedidos financeiramente.

Na vida Adulta

Os adultos já se concentram mais no campo do relacionamento amoroso e social. Suas simulações são ligadas à sobrevivência. A relação com as pessoas requer muito de suas capacidades de fingir e simular. Um dos maiores generais e estrategistas chineses, porque não dizer: do mundo. Sun Tzu escreveu: "Toda guerra consiste na mentira". Ele tinha e tem razão! O engano é a única forma segura de derrotar um adversário. Para confundi-lo, você vai precisar fingir e simular, e dependendo do tamanho do seu adversário, precisará fingir e simular muito!

As mulheres sabem que desde crianças fingiam ser mulheres adultas. Quando jovens se mostraram muito mais bonitas e tentadoras que acreditaram ser. No casamento muitas fingem acreditar e confiar em seus maridos, enquanto que muitos maridos fingem fidelidade e que dão todos os créditos ao que elas dizem. E como troco, muitas delas também fingem orgasmo, amor e desinteresse financeiro. O louco nisto tudo é que nossa sociedade não sobrevive mais sem fingimentos e simulações. Se um jovem precisa se passar por um “cara esperto” pra se manter popular e respeitado pelos demais amigos, os homens simulam ter altas posses, veículos e objetos caros, jóias, empresas e até mulheres maravilhosas. Todas estas simulações são tão comuns aos humanos quanto respirar, dormir e acordar.

Imaginação sem Limites

Mas no campo das simulações há pessoas que não conseguem estabelecer um limite saudável. Há pessoas que não conseguem ver uma pessoa que tenha alcançado um determinado sucesso ou projeção, que pessoas invejosas, podem fingir ou simular o que for possível para se colocar igual ou maior que a pessoa próspera. Nem que para isto ela precise ir muito além da imaginação e materializar ações desde vergonhosas até violentas. Não são poucos os casos de assalto, sequestro e assassinatos a pessoas ricas forjados por outras que se sentiam ou se sentem infinitamente menores, e por esta razão se deixaram levar por suas mentes perturbadas ao limite da vingança por uma suposta injustiça constatada.

Na mente das pessoas a prática do fingimento não é limitada. Isto se materializa com muita facilidade e quem pratica com convicção pode ser considerada uma pessoa manipuladora e maliciosa. Simular uma dor é uma prática, por exemplo, dos jogadores profissionais de futebol. Fingir uma falta, uma agressão ou um choque entre atletas... Isto não é novo. Seguindo o raciocínio do general Sun Tzu, vemos que a guerra travada hoje em dia pelo ser humano vai além dos campos tradicionais de batalha. Os famosos “realities shows” são uma prova disto. As novelas televisivas são outra prova de que o ser humano vem evoluindo no campo das relações, se aproximando de um sentido tão agressivo quanto a guerra.

Por falar em guerra, as relações diplomáticas entre países, o convívio amável entre potências concorrentes nos corredores das Nações Unidas são pura fachada. Quem acredita naquelas fotografias que os chefes de estados tiram enquanto sorriem e apertam suas mãos mutuamente? Puro fingimento. Simulação. A política é o meio onde mais se praticam estas coisas, depois do cinema e do teatro. Nos meios religiosos a prática chega a ser um absurdo, mas muito do que se fala ou se demonstra tem sido parte de uma grande simulação. As pessoas precisam acreditar e mesmo que não seja real, precisa parecer real. Uma realidade vivida por líderes religiosos em todo mundo. Por outro lado se fingir santidade, ou fazer milagres é uma necessidade para muitos, não é diferente para milhares de milhares de fiéis em todo planeta que fingem que acreditam na santidade de seus líderes, que fingem estar revestidos de poder, santidade ou grande espiritualidade, por meio de símbolos, roupas, livros sagrados exageradamente grandes e linguagem típica.

É impressionante como elas se sentem verdadeiramente poderosas, quando fingem ser o que não são. E, para quase todos os efeitos, esta é uma situação praticamente irreversível. As pessoas precisam mentir. Elas precisam fingir e na maioria dos casos, contar a verdade em toda a sua totalidade, e em todas as esferas, só pode levar algo ou alguém ao precipício moral ou físico.

Estas estruturas de simulações de uma realidade mais virtual e aumentada que na prática faz parte das bases que sustentam nossas sociedades, podendo levar à loucura, se praticadas com extremismo. Todos mentem até quando odeiam mentir. Todos fingem até quando acham que nunca se deve fingir. Todos simulam até quando são amantes da verdade. Sempre tem um momento. Um lugar. Uma situação em que o ser vivo literalmente precisará fingir. Nem que seja para salvar sua própria vida, em caso de se fingir de morto. Já imaginou que se numa situação de perigo em que os assaltantes imaginam que a pessoa está morta e ela resolve confessar que não morreu?

Mas a loucura mora ao lado. A mentira, o fingimento e a simulação não devem ser uma prática voluntária e descontrolada. Se pessoas idôneas e bem resolvidas, honestas e acima de qualquer suspeitas precisam ou precisarão algum dia fingir ou simular, então vemos que esta é uma realidade sem retorno. Os loucos são em sua maioria, uma forma aumentada de simulação e fingimento. As imagens e situações descritas em suas mentes são fatos literalmente reais e não imaginários. Para os loucos, fingir e simular é como viver suas próprias realidades mentais. A mentira pode levar pessoas inocentes à morte. Não se pode fingir todo tempo. Não se pode viver eternamente dentro de uma “Matrix”. Não se pode mergulhar numa eterna simulação.

Na velhice

Depois de fingir e simular a vida inteira, os velhos agora precisam se manter vivos e para muitos, relembrar o passado é uma forma de mantê-los em posse do que já se foi. Nesta busca pelo último fio da cauda do cometa da vida, muitos até se passam por jovens vigorosos e cheios de malandragem. “Espertos e saudáveis” eles se permitem perpetuar por mais alguns 4 ou 5 aninhos de juventude. Quem sabe até conquistar uma mulher mais jovem... Somos uma verdadeira fábrica de ilusões. Se Deus não é fruto desta perigosa criatividade, há de convir que a mente humana é sem sombra de dúvidas, o maior OVNI que a humanidade poderá sonhar ver algum dia.

Saulo Valley – O Observador do Mundo.

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