sexta-feira, julho 12, 2013

Brasil: A Revolta Popular, o Clamor das Ruas versus a Luta Sindical.

Neste dia 11 de Julho de greve anunciada, os sindicatos contavam com a adesão plena do povo das ruas à sua liderança, mas a decepção veio com a realidade de que pelo menos no Rio de Janeiro, o povo das ruas quer derrubar as velhas e viciadas lideranças, inclusive aquelas chamadas "sindicais".


O clamor das ruas pede mudanças estruturais na política nacional - By 
Por Saulo Valley - O Observador do Mundo - Rio de Janeiro, 12 de Julho de 2013 - 05:37 GMT-3
Atualização 07:03

   O tempo é de mudança. O povo que #vemprarua não está interessado em ingressar em algum tipo de circo armado por políticos ou forças sindicais que lutam para estar no controle de tudo. Toda esta força de rejeição tem ligação com a história do Brasil nos últimos 50 anos. Até mesmo o exemplo de governo gerado por força sindical deixado pelo ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva, refletiu nas ruas neste anunciada greve de pouco efeito no Rio de Janeiro.    A verdade é que este tradicional modelo já não funciona mais. Porque no fundo, todos os que se envolvem nos movimentos de greve, militam por interesses próprios ou interesses isolados, e por qualquer porcentagem de aumento salarial abandonam a luta e acabam dando a causa por encerrada. A classe rodoviária é um exemplo desta realidade. Em alguns estados, que os rodoviários anunciaram a greve, estes foram imediatamente demitidos e suas vozes foram silenciadas. Outras categorias não tiveram tempo de aderir a greve porque o governo se antecipou e atendeu suas pobres exigências, ou atendeu o mínimo de suas propostas e encerrou o assunto.

   Enquanto no Brasil inteiro o foco estava na greve, o Rio que parecia não ter ligação com este movimento nacional, foi ver o que acontece quando as forças sindicais assumem uma luta contra as forças do governo. A realidade é que as pessoas só conseguiram enxergar que a polícia tem sido treinada para encerrar os movimentos populares e a mídia tradicional tem sido proibida de cobrir esta repressão, focando apenas nos vandalismos. A revolta contra a velha estrutura política do país não tem nada a ver com as perdas salariais de uma determinada classe de trabalhadores. Tem a ver com as perdas visíveis e grotescas na qualidade de vida do povo, tendo como agravantes a péssima qualidade do serviço de saúde pública, de administração pública entre outros grandes rombos na gestão Dilma. Este último na verdade é reflexo de tudo o que vem acontecendo nos trilhos da política segmentada que o país vem praticando.

   O povo quer retirar o lixo, mas a polícia veio para proteger toda aquela lama que predomina nos mais profundos antros das vias políticas do Brasil. Falar #vemprarua é fácil. Qualquer um pode usar esta "hastag", mas praticar o conceito de ir por uma mudança estrutural nacional, é outra coisa. É pedir o fim do atual sistema e remodelar com suas próprias dores e clamores, a base que deverá ser a essência do novo mundo político. Este deverá ser mais que utópico. Deverá ser mais "clean", mais transparente, mais humano, mais nacional e mais participativo. Se o Brasil não mudar e se o governo Dilma continuar permitindo que Sérgio Cabral e Eduardo Paes se utilizem da força policial (que não consegue reprimir o crime organizado) para reprimir o povo que clama por uma administração mais justa, então mergulharemos numa profunda guerra civil futuramente.

   Esta leitura vem com a experiência de coberturas de movimentos populares em todo o mundo. Uma coisa é atender a pedidos de mudanças radicais, outra coisa é deixar o poder e permitir que o povo eleja sua própria administração. Porque ninguém aguenta mais ouvir o tamanho do rombo de uma determinada conta pública. Porque a classe política não consegue assumir o poder e aceitar sair quando seu mandato é cumprido? Porque está ligeiramente ligado ao fluxo de capital que emana da luta de cada um de nós, que trabalha dia e noite por uma vida melhor e 30, 40, 50 anos depois vê que nada mudou. Simplesmente patinou e não saiu do lugar. Tudo porque os cofres públicos não passam de buracos sem fundo.

    Nas ruas as massas não se confundem. O manifestantes que lutam por melhorias salarias, que se conformam com seus 0,5% de aumento são assistidos de longe pelos que lutam por mudar a forma como o país é gerido e não se conformam com 50% de mudança.

   A polícia quer que o governo Dilma compre armaduras do tipo "Robocop", para que tenha condições de enfrentar os manifestantes. Enquanto isto os caveirões foram enviados para reprimir os sindicalistas exaltados, com armas cujos canos eram pontados para os manifestantes por quem se mantinha dentro dos blindados. Jatos de água e granadas de gás lacrimogêneo fora do prazo de validade, sprays de pimenta também foram amplamente utilizados nas manifestações do Rio nesta quinta.  A polícia utilizou as armas de choque e exerceu muita pressão sobre os manifestantes. O que poucas pessoas sabem é que houve um ato público do PSOL contra o governo do governador Sérgio Cabral. Isto mesmo. Além da grande força policial repressiva, o que ficou claro nas manifestações do dia 11 de Julho é que os partidos foram às forras e tiveram seu dia, para exibir suas bandeiras e suas camisetas, o que disto em absoluto com a realidade do movimento #vemprarua.

Acredita-se que cerca de 10 milhões foram às ruas nesta tarde fria de 11 de Julho. A mídia não vai dizer isto porque está associada à prefeitura e ao estado. A globo é uma estatal?

Pelo twitter:

Rafael Pablo ‏@faeupablo30m
Não precisamos de partidos e muito menos de sindicatos!! #vemprarua.
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 DrDalvoMaia ‏@ RT@InfoStuffinder: AO VIVO POLICIA JOGA BOMBA DENTRO DO HOSPITAL RJ ow.ly/mT0Wp #ogiganteacordou #vemprarua".
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Informações RJ ‏@InformeRJO9h
#ManifestaçõesRJ #VemPraRua - Marques de Abrantes pic.twitter.com/k9w7WcvrX0" O Cabral esta armado contra a população.
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Jorg B Jorge ‏@realjbj10 Jul
A Dilma e o salário da PM #MudaBrasil #vemprarua twitpic.com/d1wdvb
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Alves ‏@alves4841m
No País das "bolsas", não poderia faltar a "bolsa manifestante". #VemPraRua #ForaPT
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