sexta-feira, junho 21, 2013

Rio: Mais de 1 Milhão de rebeldes dizem não à corrupção - Saulo Valley Notícias

Mais de 1 milhão de pessoas quebraram suas rotinas nesta quinta para protestar contra as graves falhas do sistema, que ainda resiste em manter, não só o preço das passagens mas o custo de vida elevado, enquanto que a vida dos políticos tende a melhorar exageradamente à cada novo ano.


Na calçada da Sede dos Correios na Av. Pres. Vargas, uma combinação de cartazes
deixados por manifestantes que prometem retornar mais furiosos no sábado.
Por Saulo Valley - O Observador do Mundo - Rio de Janeiro, 21 de Julho de 2013 - 00;55 GMT-3

   Nas rodas de bate-papo as pessoas condenam veemente as violentas manifestações, as depredações e destruição de patrimônio público em geral. Por outro lado, mediante a tantas manifestações de revolta, as pessoas terminam entendendo que a classe política deste país, realmente não leva os interesses da nação a sério. Por esta razão as pessoas que não possuem coragem ou força de vontade para destruir coisas por aí, ainda encontram consolo nas ações dos vândalos que acabam se tornando representantes da classe mais prejudicada pelo sistema. Sistema este que Já que vem se mantendo no governo deste país deste sua fundação, com uma série de upgrades que só elevaram a qualidade das fraudes.

   Enquanto a população geme, a classe política disputa verdadeiras fontes de riquezas entre troca de cotoveladas e ponta-pés. É este sistema amistoso, que faz o brasileiro cada vez mais passivo e entretido pelas mais românticas novelas globais e as fofocas e escândalos dos bastidores do futebol. Tudo isto está começando a cansar o povo brasileiro. Então... carnaval, pagode, churrasco ou futebol, o que vai ser?

Revolução ou Morte - Foto: Saulo Valley (Creative Commons 3.0)


Revolução da Tarifa - Foto: Saulo Valley (Creative Commons 3.0)
   Quem nunca sentiu vontade de destruir um "pardal", ou mesmo esganar os caras que manipulam este troço pra arrancar cada vez mais dinheiro do bolso do trabalhador? Com tantas taxas e despesas para se locomover para o trabalho, usando seu carro particular, o brasileiro ainda fica dividido entre pagar para para se locomover com seu automóvel ou pagar para se locomover dentro de um desconfortável e estressante transporte coletivo. Neste aspecto nem mesmo o transporte alternativo consegue atender a necessidade da população que quer mais que descontos de alguns centavos nas passagens de ônibus, quer respeito, dignidade e ser tratado com seriedade, afinal ele é o dono do Brasil.

   Nas ruas do Rio o cenário está mudando dramaticamente. Não se tratam de novas luzes e cores no Cristo Redentor, ou na Lagoa Rodrigues de Freitas. Trata-se da destruição voluntária de tudo o que se encontra no caminho de um manifestante, que não quer mais pintar a cara, sair por aí cantando músicas apoteóticas e "revolucionárias" enquanto que aos olhos da maioria dos políticos do Brasil enxergam este ato como um simples passeio comunitário. Uma romaria de perdedores e pouco agraciados por este Cristo Redentor que tanto lhe abre os braços. Abre os braços para abraçar ou para deixar cair? Se sentindo desamparado, o povo desta cidade nem se lembra que lá em cima ainda tem um Cristo.

Mais Amor - Foto: Saulo Valley (Creative Commons 3.0)
Ele busca uma corda, uma boia, ou uma outra forma de se salvar, mas seu entendimento sobre a vida árdua que leva em detrimento da farta vida que os políticos brasileiros precisam levar... Não lhe sobra muita coisa além da revolta.

   Porque não há uma saúde pública real. Não há uma política de emprego e muito menos uma política que facilite o acesso à educação de todos os que precisam de um diploma pra se projetar na vida.

   Restam os revoltados. Os descamisados. Os descalços. Os irritados e cansados de ouvir histórias para "boi dormir", enquanto percorrem todas as Clínicas da Família e não encontram médicos que lhes atendam sem que primeiro gaste seis, sete, oito horas numa filha, ou mesmo 24 horas de tortura e sem atendimento.

Manifestantes se aglomeram na frente da Prefeitura do Rio de Janeiro - Foto: Saulo Valley (Creative Commons 3.0)

   Todo este esforço incomum para sobreviver é no mínimo intrigante, já que enquanto que as pessoas se sacrificam tanto para encontrar uma sombra em dias de inflação tão quente, ficam assistindo a classe política brigando por novos cargos, novas promoções  e novas possibilidades de enriquecimento ilícito. Enquanto que o trabalho, a única forma de enriquecimento ilícito que lhe é possível é tentando assaltar um banco. Mesmo assim, os riscos são cada vez maiores que a recompensa... Mas pra quem é político, é possível sacar exorbitantes somas de dinheiro dos cofres públicos e nem ser considerado um assalto...

   Por esta razão a nossa fúria.

Manifestantes ocupam entrada do saguão do prédio da Central do Brasil. - Foto: Saulo Valley (Creative Commons 3.0)

   O Brasil não precisa do suicídio coletivo para chamar a atenção das autoridades. Até porque, ele sabe que neste país, o jovem não é levado a sério. Suas caras pintadas só são lembradas quando o ex-presidente Fernando Collor retorna em forma de uma vaga e humilhante lembrança. Então, despido de todo e qualquer privilégio, o povo carioca sai as ruas e escreve nas entrelinhas das mais importantes vias e prédios públicos, o que entende ser a melhor maneira para fazer valer cada centavo gasto com mordomias para políticos e corruptos e falsos democratas: ESTE É O SENTIMENTO ESTAMPADO NAS RUAS DA CIDADE HOJE.

Depredação da fachada da Sede dos Correios no Rio de Janeiro - Foto: Saulo Valley (Creative Commons 3.0)

Artigo em Destaque

Julian Assange periga ser extraditado para os EUA

O fantasma da extradição de Julian Assange volta a assombrar e podemos dizer que processar e condenar o fundador da Ong Wikileaks pelo cr...

Leia também: