sexta-feira, junho 07, 2013

Itália: Ativistas e estudantes se mobilizam contra violência policial turca.

O povo italiano é amável e solidário. Em meio à profunda crise financeira que atravessa desde 2008, ainda encontra forças, tempo e coragem para protestar em favor dos mais necessitados. Por esta razão eles se levantaram durante a semana da "Revolução Verde" turca, cuja violência policial empregada contra ativistas ambientalistas misturados a ativistas políticos (que se dividem entre pró-democracia e pró-regime islâmico moderado) fez com que pessoas inocentes acabassem injustamente agredidas ou  mortas.

Taxados de vândalos, os ativistas ambientalistas cuidam dos grandes centros urbanos da
Turquia desde o dia 01 de Junho.... Foto cortezia #direngeziparki
Por Saulo Valley - O Observador do Mundo - Rio de Janeiro, 07 de Junho de 2013 - 12:53 GMT-3
Atualização: 08-06-2013 as 00:40

   Supostamente por ordem do governo, o bloqueio contínuo de mídia turca é uma realidade que levou milhares de jornalistas, ativistas e internautas de todo o mundo a compartilhar a dura realidade do povo que busca as liberdades garantidas por lei internacional de Direitos Humanos, mas impedidas por leis islâmicas, em vigor em um país cujo regime democrático é na verdade um tipo de islamismo moderado que não tem dado certo.

cortezia: #Occupygezi
   A liberdade de comunicação, expressão e jornalística é um sonho de consumo de todo cidadão turco. Como exemplo, a imagem, ao lado não é uma montagem. Ela mostra que no sábado do dia 01 de Junho, no exato momento que a "CNN Internacional" noticiava que uma gigantesca multidão protestava em defesa do parque Gezi em Istambul, a CNN turca exibia "A Vida Selvagem". Sabe-se que até o momento, depois de 7 dias (na verdade 12) de protestos massivos as mídias locais continuam alheias ao que acontece nas ruas de pelo menos 7 grandes cidades do país.

   É aí que entra o povo italiano de coração boníssimo e já habituado à vida difícil gerada pela crise internacional profunda... Eles se sentem solidários com os manifestantes e reclamam por justiça e o direitos de expressarem suas demandas.




Mensagem de Incentivo

   De acordo com a página "Taksim Gezi Parki Italy",  os manifestantes turcos no parque Gezi, em Istambul receberam uma mensagem do líder do PKK (Partido dos Trabalhadores do Kurdistão Turco) assinada pelo próprio presidente da milícia que no ocidente é listado entre os mais conhecidos grupos terroristas. De acordo com os ativistas italianos, que citaram o líder do partido PKK Abdulla Ocallan, como dizendo na mensagem:

"Ao povo da Turquia: Acredite que este protesto tem um significado muito importante e eu quero trazer meus cumprimentos a todos.   Este protesto gerou uma nova era política. Mas tenha cuidado. Tenha certeza que nenhuma pessoa, partido ou outras organizações os usem para seus próprios propósitos ou benefícios. Os democratas, revolucionários, todo mundo está tentando ter o controle sobre você. "
   OBS: Em 2002 Abdulla Ocallan foi condenado à prisão perpétua pela justiça turca por "prática de terrorismo".

   Na verdade, qualquer revolução tende a ser disputada por qualquer grupo político, militar, paramilitar ou religioso. Cabe à liderança da revolução saber exatamente com quem negocia, de quem recebe suporte e com quem divide a liderança do movimento. Um exemplo que podemos citar é a revolução síria. Cujo fundador do Exército Livre Riad Alassaad acabou sendo jogado para escanteio depois de ter mantido as tropas rebeldes unidas até quando os recursos lhe permitiram.  Sobrevivente de um atentado a bomba, o Coronel Riad teve a perna direita amputada. Vivendo na Turquia, ele recebeu ajuda médica do governo de Erdogan, enquanto se declarou "completamente esquecido pelo FSA", força rebelde que ajudou a fundar e liderou nos dois primeiros anos da revolução síria desde 15 de Junho de 2011. Hoje se sabe que a revolta popular e pacífica síria foi convertida numa guerra civil, e o país está subdividido em forças. Uma parte do país é controlada pelo Regime Sírio, Outra parte pelo Al Nusra, outra pelo PKK e PYD (milícias curdas) e outra pelo FSA e por aí vai...

Síria - Mapa do controle territorial por milícia ou força militar - Fonte BBC - 07-Jun-13
Atualização 00:18 AM em 08-06-2013:

   Nesta sexta o Coronel Riad Al-Assad declarou oficialmente sua reintegração ao comando do FSA e sua restruturação. De acordo com a declaração do oficial registrada em vídeo, o FSA passou por uma reformulação tendo sido necessário retirar certos componentes da cúpula. Restruturação esta que "visa eliminar os infiltrados e as maçãs podres e corruptos, para proteger a revolução." Entre os membros retirados do grupo, foi citado o nome de Selim Idriss que o coronel Riad batizou de "Fantoche Americano". Entre outras coisas, Idriss que chefiava o FSA desde dezembro passado foi acusado pela cúpula rebelde de ter conduzido a revolução com base numa "Força Conjunta Imaginária" entre FSA, França, Reino Unido, Turquia e Catar e acrescentou que o que levou à demissão de Edriss foram suas declarações à mídia, interpretadas como sectárias:


"Fala-se de US $ 8 milhões recebidos desde os EUA e Qatar para garantir seus serviços. Nos últimos meses, lançou proclamações bombásticas e muitas vezes sectários, para fazer o jogo de quem quer que a revolução síria se transforma em uma guerra sectária,"
   O Coronel Riad Al-Assad aproveitou para anunciar sua inteira recuperação e readaptação à sua nova realidade. Ele tem sido recebido sempre como um grande herói para o povo sírio.

   O fato é que a exemplo dos alemães, os italianos também compartilham do sofrimento do povo curdo que luta para conquistar as liberdades mais simples, para um país semi-europeu. Diga-se de passagem o povo turco quando vai às ruas, é porque a situação é realmente séria, ou ninguém está aguentando mais. Pra se ter uma ideia, a última manifestação popular de participação massiva foi há 90 anos. As manifestações que mudaram regras da sociedade turca aconteceram em apenas dois momentos: Em 1830 e em 1923.  ..E 2013 é o ano escolhido para mudar as rédeas da convivência mais uma vez, terminando por equiparar-se com os países da vizinha União Européia, que aliás, é onde o primeiro ministro turco Tayip Erdogan se encontra nesta sexta. Em um congresso destinado a discutir os "desafios comuns" entre a Turquia e a União Européia juntamente com a comunidade globalizada.

video

   Nesta  sexta Erdogan fez um discurso na abertura do congresso. O líder turco disse que persiste no "contínuo compromisso com o processo de reforma", afirmando que por esta razão estava presente neste encontro.

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