segunda-feira, abril 01, 2013

Síria: A missão de investigação sobre armas químicas.

O conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou na última quinta-feira, o envio da missão que investigará o uso de amas químicas na Síria, à pedido de Al-Assad.

By Unknown author [CC-BY-SA-3.0 (http://creativecommons.org/licenses/by-sa/3.0)], via Wikimedia Commons
Por Saulo Valley - O Observador do Mundo - Rio, 01 de Abril de 2013 - 08:01 GMT-3

   O regime sírio iniciou uma campanha de denúncias de uso de armas químicas nos meados do mês de Março, antes da grande explosão de mídia sobre o assunto. Mas poucos se lembram que por volta de 20 de Agosto de 2012 já havia denúncias de uso de armas químicas pelo regime sírio. Aliás, há vários episódios ainda anteriores registrados nos arquivos da Síria no Conselho de Segurança das Nações Unidas.

   O interessante é que o regime sírio iniciou o alarde por meio de suas agências de mídia e equipes de "marketing" via redes sociais. A coincidência do pedido de investigação do uso de armas químicas por parte do regime sírio, vem no exato momento em que a Rússia lidera as sessões do Conselho de Segurança. E sob a batuta do regime russo, representado pelo atual presidente do Conselho Vitaly Churkin no dia 27 de Março, foi aprovada a resolução sobre o envio de uma missão que literalmente "investigará" o uso de armas químicas por parte dos rebeldes, ou enviará agentes infiltrados para espionar os rebeldes?

   Esta missão deverá ser recepcionada pelo regime sírio e as provas são apontadas por quem é especialista em forjar provas, testemunhos, além de falsas reportagens, investigações, falsas prisões por tráfico de armas e drogas e até clonar pessoas mortas para comprovar que estão vivas.

   Foi nesta semana que Al-Assad disse que as únicas fontes verdadeiras de notícias sobre a crise síria são as agências do governo.  Uma exemplo de que não é bem assim, foi o caso "Zainab Al-hosni". Uma jovem de 19 anos no dia 19 de Setembro de 2011 que foi estuprada, mutilada e esquartejada por shabihas. Suas partes chegaram ao Hospital de Homs e foi reconhecida pela família que logo foi obrigada a silenciar-se. Mas quando o crime foi denunciado, a agência de inteligência e notícias "SANA" do regime, apresentou uma sósia em uma entrevista teatral como sendo suposta a "vítima" viva. Mas a fraude foi facilmente percebida porque apesar do rosto ser vagamente parecido, a sósia era maior e mais forte que a delicada estrutura física da verdadeira Zainab.

   Se a ONU já não apresenta credibilidade, ainda mais em ação orquestrada pelas aliadas Síria e Rússia, entre outras "nações unidas". O especialista sueco Sellström Åke foi anunciado no dia 26 de Março para assumir a liderança da missão à Síria.

   O regime sírio liderado pelo ditador Bashar Al-Assad atua no sentido cada vez mais similar ao seu ex-amigo ditador Muammar Kadaffi. A guerra da informação é uma das mais perigosas formas de desestabilizar um adversário e o regime russo é uma prova de que a manipulação da ONU e seus recursos é possível, para alcançar seus objetivos cada vez mais claros.

   Mas se dependesse somente do regime sírio a investigação estaria concluída. O porta-voz das Nações Unidas Martin Nesirky disse que a natureza da missão é uma "investigação criminal", para confirmar "se as armas químicas foram usadas, não por quem." Até porque o regime sírio já aponta para o grupo terrorista cazaquistanês "Al-asal", que teria disparado mísseis com carga química contra a região de Aleppo. A SANA publicou que o Ministro das Relações Exteriores do Irã Ali Akbah Salehi teria condenado veemente o ataque do grupo, exigindo do governo do cazaquistão uma investigação para levantar os culpados de descumprir a (CWC) Convenção de Armas Químicas.

Artigo em Destaque

EDITORIAL - O Brasil é perfeito para quem não teme o trabalho honesto

Temos que combater os esforços da mídia paga, que visa fazer as pessoas amarem mais o mal que o bem. Se você concorda leia, comente e compa...

Leia também: