quinta-feira, abril 11, 2013

Religião: Você ainda acredita no inferno?

   A era da sociedade globalizada trouxe mudanças dramaticamente ruins ou mudanças importantemente favoráveis para todos. Algumas mudanças podem ser consideradas positivas enquanto outras tão negativas quanto o fim do mundo. A religião, a fé e a forma como as pessoas enxergam Deus, o Diabo, o Céu e o Inferno também mudou?


 Autor Anónimo_-_Inferno_(ca._1520) Domínio Público
 Por Saulo Valley - O Observador do Mundo - Rio, 11 de Abril de 2013 - 05:14 GMT-3

   Eu não sei qual a sua religião. Também não sei qual a sua crença no tocante à "vida após a vida". Mas a verdade é que para quase todos os nossos dedicados leitores queridos, as expectativas mudaram. O que causou esta mudança, já parou para pensar?

   A religião é mais antiga que as grandes sociedades. Ela nasceu junto com o homem. Mas o homem antigo não sabia absolutamente nada sobre Deus. Ele era tão inseguro que perguntava para tudo o que encontrava no caminho: "Você é Deus?"    Por esta razão o homem começou a adorar o "objeto" que mais parecia dar respostas. Se olhar para o alto e pedir um milagre lhe trazia resultados, então Deus estava no céu. Este o adorava nos céus. Se olhar para um broto de carvalho e fazer suas preces lhe trazia bons resultados, Deus seria chamado "Odin, o deus do Carvalho" e assim vai. Ignorante ou não a verdade é que cada um seguia individualmente com a sua fé. Os chefes de família ensinavam suas crenças para seus filhos, através de histórias que haviam experimentados em verdade.

   Mas nas grandes coletividades, em muitas aldeias, colônias e até mesmo cidades antigas, havia maiores destaques para a religião e homens eram escolhidos (por Deus ou pelos homens) para conduzir o povo para a felicidade espiritual. Mas não era só isto: Os líderes destes grupos precisavam da religião para manter a comunidade controlada. Muitas eram as necessidades de impor o respeito ou o medo para que as pessoas não saíssem enlouquecidas cometendo todo o tipo de loucura, e quebrassem todas as regras que por ventura fossem essenciais para a subsistência da coletividade.

   Então, tão importante quanto a religião em si, o "Inferno" ganhou destaque para afugentar os demônios da loucura, que assolam os seres humanos até o dia de hoje. Pela força do medo os povos foram conduzidos por milênios, para o caminho da educação, da justiça e do respeito mútuo. É claro que com isto muitos falsos profetas surgiram, porque descobriram que a manipulação do medo trazia poder e riquezas. Mas a verdade é que as sociedades antigas eram muito ignorantes até poucos 50 anos atrás.

   Nos últimos 50 anos os governos ligados à ONU ou influenciados por ela e ativistas, iniciaram um processo de distribuir educação científica, formação religiosa nas escolas, e intercâmbio de culturas internacionais. Estes passos aliados aos avanços tecnológicos e científicos em todo mundo trouxeram maior esclarecimento sobre a vida e a morte, mas não responderam a qualquer dúvida sobre a vida do outro lado.

   Com a virada do milênio as expectativas sobre o fim do mundo perderam grande massa de adeptos e trouxe o secularismo prático para a vida de grande parcela da população mundial. Desde a virada de 1999 é que gradativamente estas pessoas deixaram de  acreditar no fim do mundo, e esta libertação do medo da vida "pós morten", deverá ser a raiz de muitas crises insanas coletivas. Por que o ser humano não pode viver sem medo (pelo menos até agora está provado ser assim). É por isto que as cadeias estão cada vez mais lotadas: As pessoas que praticam crimes perderam o medo da vida atrás das grades. Até porque para se chegar lá, há muitos pontos frágeis de fuga, como a compra de policiais ou mesmo da  justiça. Mesmo condenado, o preso ainda hoje consegue comprar mordomias. Tem sido um negócio lucrativo para muitas autoridades que são mercadores prisionais.  Ah! e para muitos que lá vivem, o inferno é isto. A privação física de seus direitos sociais.

                                                               Gustave_Dore_Inferno32 - Domínio Público

   Já houve tempo que as pessoas temiam ir para a cadeia tanto quanto ir para o inferno. Mas... e o inferno, existe ou não? A maior pergunta no entanto deve ser: Você acredita no inferno ou não?

   É claro que para tudo que é bom, há algo oposto. Se há luz, há trevas... Se há céu, há inferno. Não há como acreditarmos no inferno sem acreditarmos no céu. Porque o que não é noite é dia, e o que não é inferno, é céu.
   Hoje em dia não há mais aquela coisa de medo e pressão religiosa. Até mesmo as religiões reduziram mais de 80% nas investidas neste tema. Muitos até se calaram, quando se fala em escatologia (estudo das profecias e do fim dos tempos).  Mas o interessante nesta conversa é que se o mundo não acabar, mesmo assim, as pessoas continuarão nascendo e morrendo. E após a vida, o que tem lá?
 
   Já imaginou como seria se todas as pessoas do mundo tivessem a certeza que depois da vida humana nada mais existiria? Já pensou que muitas pessoas se tornariam máquinas de destruição e descontrole?
Já pensou que nossas insanidades iriam ganhar um upgrade jamais alcançado e mataríamos uns aos outros, ou mesmo nos suicidaríamos à cada nova enfermidade crônica ou à cada perda da pessoa amada, perda de movimentos físicos, ou até mesmo com a chegada da velhice?
   Fatalmente as pessoas teriam infinitas dificuldades para viver em sociedade e qualquer que fossem as regras seriam desrespeitadas, já que sem esperança de uma vida melhor, cada um viveria por si e se arriscaria ao limite para fazer sua própria vontade sempre.

   Se você consegue visualizar uma sociedade inteira que não acredita na vida após a morte, entende que este seria um grande inferno. Porque os hospícios e os hospitais não caberiam mais tantas pessoas desesperadas...

   Então pela manutenção da vida e do planeta. Eu prefiro acreditar. Mesmo que é por vontade própria, e não por medo que eu não abro mão de crer em Deus.

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