sábado, abril 27, 2013

Armas Químicas: O mundo esperava mais de Obama na Síria?

A confirmação de uso de armas químicas na Síria abalou a mídia mas não abalou a rotina do governo dos Estados Unidos. Uma reação muito oposta ao que o mundo ocidental esperava, até mesmo os rebeldes sírios. O que teria acontecido?

By Center for American Progress Action Fund from Washington, DC (Barack Obama at Las Vegas Presidential Forum) [CC-BY-SA-2.0 (http://creativecommons.org/licenses/by-sa/2.0)], via Wikimedia Commons
Por Saulo Valley - O Observador do Mundo - Rio, 27 de Abril de 2013 - 00:36 GMT-3

   Quando 4 vídeos surgiram para expor as vítimas de ataques por armas químicas na Síria, a mídia internacional entrou em polvorosa. Governos de todo o mundo se alarmaram e muitos países conversaram entre si, para entender o que realmente aconteceria na prática, nos próximos dias.
A Grã-Bretanha, apesar de ter sido citada pela mídia internacional por pressionar a América para agir mais diretamente no objetivo de interromper a guerra síria, na verdade foi o primeiro país a pedir que a América não se apresse numa tentativa de incursão militar nas terras controladas por Al-Assad.
Esta iniciativa literalmente influenciou o presidente americano Barack Obama, que com muita tranquilidade esfriou a brasa publicitária que partiu da maioria das agências americanas, em primeiro lugar. A América ainda vive no vácuo da guerra do Iraque e as operações internacionais da "Guerra ao Terror"; que mais se destacaram pelos fracassos e prejuízos que pelo sucesso da execução de Saddam Russein e Osama Bin Laden.

By Yann Forget (Own work) [GFDL (http://www.gnu.org/copyleft/fdl.html), CC-BY-SA-3.0 (http://creativecommons.org/licenses/by-sa/3.0/) or CC-BY-SA-2.0 (http://creativecommons.org/licenses/by-sa/2.0)], via Wikimedia Commons
   Estas são as razões que são apresentadas ao mundo para que EUA não altere sua agenda na crise síria. Mas há que se levar em conta, que enquanto isso, silenciosamente a China, Rússia e Irã, agem no ramo político. Na "diplomacia" ou nos bastidores das Nações Unidas. Há diversas formas para se pressionar uma América. Entre elas, o Canadá. Segundo o HRW escreveu na tarde desta quinta-feira, que o país vizinho aos EUA foi violentamente atacado na sessão de revisão quadrimestral da ONU, quando Coreia do Norte, China, Cuba, Rússia, Egito e Paquistão iniciaram uma série de ataques contra o governo canadense, acusando de abuso contra os Direitos Humanos e uso de força excessiva e tortura contra manifestantes pacíficos. As organizações de Direitos Humanos presentes se mostraram decepcionadas com a cena de cinismo e o presidente da HRW Hillel Neue ainda expressou insatisfação com o que descreveu como:

" A subversão contínua do sistema de direitos humanos da ONU - por meio de bandidos, assassinos e estupradores pretende julgar o histórico de direitos humanos de uma democracia liberal - solapa os princípios fundadores e credibilidade das Nações Unidas ", disse Neuer.

   Na mesma sessão o Irã apontou o Canadá por abusos contra os Direitos Humanos pelo "tráfico de pessoas e abuso sexual de crianças". A China por sua vez atacou o Canadá com acusações de "racismo e xenofobia". o Egito apontou a prática de racismo no mercado de trabalho canadense e endossou a reclamação da China. O Paquistão apontou o "aumento da pobreza e a elevação da taxa de desemprego" como sendo um grave problema na manutenção dos direitos humanos no Canadá. Rússia deu suporte às acusações da Coreia do Norte, e juntos atacaram a repressão a manifestantes declarando-se "alarmados" com os abusos cometidos pelo governo.

   Este mesmo tipo de ataques simultâneos Israel sofreu durante a segunda metade de 2012 e até o momento que decidiram atacar outro país aliado dos Estados Unidos.   Sem falar que todos estes países poderão estar preparados para entrar no conflito, assim que a América pisar em solo Sírio. O próprio presidente Assad em 2011 alertou que quando as primeiras tropas americanas ou da NATO tocassem em solo sírio pelo menos 30 mísseis seriam disparados contra Israel.

   Cada passo nesta crise deve ser muito bem estudado. Agir por impulso ou pressão da mídia (que só quer vender uns exemplares de publicações ou espaços publicitários), constitui um erro que poderá ter graves e irreparáveis consequências globais. Na verdade, o tempo da invasão americana deveria ser em 2011, quando a Liga Árabe iniciou o diálogo com Al-Assad. Este movimento, na verdade foi justamente para impedir uma invasão militar na Síria. Outro momento apropriado, no final de 2011 quando a ONU assumiu as negociações com a Síria aumentando a pressão das sanções que deixaram Assad praticamente sem fôlego, mas com as trocas de acusações nas sessões do Conselho de Segurança, o Irã se adiantou e emprestou dinheiro e Diesel para o regime sírio se recompor.

   Na atual conjuntura a Síria continua recebendo ajuda incondicional do Irã, da Rússia, China, Venezuela, Cuba, Índia, Líbano e Iraque, entre outros. Praticamente todos os países que atacaram politicamente o Canadá nesta quinta-feira.

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