domingo, março 24, 2013

Vaticano: Papa quer se unir ao islamismo e demais religiões

O Papa Francisco iniciou seu mandato conclamando a todas as religiões que criem vínculos com a Igreja Católica Apostólica Romana. Em suas mensagens, o papa pede o respeito a todas as religiões e diz estar de braços abertos para receber a todos os grupos religiosos no planeta, entre eles o Islã.

Ciudad del Vaticano - Vaticano- Roma - Italia - By Veronidae (Own work) [CC-BY-SA-3.0 (http://creativecommons.org/licenses/by-sa/3.0)], via Wikimedia Commons
Por Saulo Valley - O Observador do Mundo - Rio, 24 de Março de 2013 - 07:09 GMT-3

   Foi em 2006 que o então Papa Bento XVI cometeu um grande erro, ao afirmar que Mohammad, o profeta de Allah, só havia ensinado "coisas más e desumanas". Obviamente num momento de revolta em resposta a uma sequência de atentados terroristas que se espalhavam vorazmente a mortandade na época. Na verdade a crítica do Papa Bento XVI foi direcionada à prática do JIHAD, como arma política ou forma de punir a todos quantos não professam a fé islâmica. O papa tentou recontar a história do imperador bizantino Manuel II Paleólogo, do século 14. A autoridade do Vaticano disse ter aprendido o idioma persa e a verdade sobre a fundação do cristianismo e o islamismo. Em dado momento disse:

"Mostre-me o que Maomé trouxe de novo, e lá você encontrará apenas coisas más e desumanas, como sua ordem para difundir pela espada a fé que ele pregava"

   O Jornalista Ian Fisher, fez a cobertura desta fala de Bento XVI para o "The New York Times" e disse em seu artigo:

"E ele usou linguagem aberta. Uma interpretações que poderiam inflamar os muçulmanos, em um momento de alta tensão entre as religiões e três meses antes de sua viagem agendada para a Turquia."

   A mídia global se mostrou chocada com a declaração que aconteceu no final da primeira quinzena de Setembro em 2006, como havia dito antes.  Especialistas buscaram avaliar os efeitos deste discurso no cenário internacional, mas felizmente todos entenderam que o Papa estava criticando a falta de comunicação entre a fé Islâmica e o Ocidente, na ocasião. Ânimos acalmados e restou apenas a sensação de fracasso na tentativa do Vaticano de aproximar as religiões no ano que havia sido decretado como "O Ano do Ecumenismo". Na época apenas a Igreja Ortodoxa se manifestou favorável ao movimento proposto pelo Vaticano e chegou a celebrar esta adesão em um evento cujo líder maior estava ao lado do Papa numa mesma manifestação pública de fé. Lembrando que o slogan que o Vaticano usou se referia a "Todos os rebanhos liderados por um só pastor", e este pastor seria o próprio Papa. A igreja protestante não aderiu à proposta de entregar seu rebanho à liderança do Papa. É claro que apesar da relação de amizade proposta por Roma, o Islã jamais entregará seu rebanho para ser liderado pelo Vaticano.

Não ao sectarismo e à intolerância religiosa

   Ao menos a proposta poderia ser pensada no sentido de encerrar aos ataques a religiosos não-islâmicos na África, na Ásia e esporadicamente no Oriente Médio. O Papa Dom João Paulo II foi quem mais se esforçou para "fundir" as religiões, mas Bento XVI foi citado como tendo jogado todo o esforço do Vaticano por "ladeira abaixo". Don Francisco vem com uma proposta clara de fazer a igreja católica reviver os momentos áureos vividos na era Paulo II, quando além de ter melhor relação com as demais religiões, visitava países e comunidades carentes, como o Morro do Vidigal, no Rio de Janeiro.

   Apesar de que unir todas as religiões se mostra uma ilusão muito maior que um sonho papal, a tolerância religiosa deve ser pregada com a mesma naturalidade que a tolerância racial, e desportiva. Quem gostaria de ser proibido de torcer pelo seu time de futebol favorito, ou de ter o mulher ou o homem do tipo que mais lhe atrai? Coisas da diversidade humana! Porque nós nunca seremos iguais. A prova disto é que há subdivisões no catolicismo, subdivisões no islamismo, no protestantismo, umbandismo, hinduísmo e todas as outras demais religiões no planeta!

   Não há razões para se utilizar do fanatismo de certas pessoas que num momento de desequilíbrio ou fraqueza se deixam induzir a extremos enquanto seus líderes nem de perto acompanham seus excessivos esforços. Um velho ditado católico diz: "Faça o que eu digo, não o que eu faço". Faz alusão à hipocrisia pregada por muitos líderes religiosos que ensinam e exigem atitudes extremas de seus fiéis, enquanto se esquivam de praticar o que pregam, ou acabam impondo pela ênfase na exploração do medo da "vingança divina", da "morte eterna" e do "fogo do inferno".

   Um congresso considerado por líderes de várias comunidades árabes, com sectário está sendo realizado neste Domingo (24) na cidade do Cairo, no Egito para discutir sobre os "opositores da seita alawita". Rifaat Al-asaad é o organizador deste evento que promete incendiar pessoas em todo o Oriente médio e possivelmente os árabes no resto do mundo. A proposta  do evento é discutir o destino dos Alawitas, se os Sunitas assumirem o governo da Síria. Uma questão que só tende a elevar o grau de violência e crise que a Síria atravessa hoje. Como já temos dito aqui em vários artigos, o regime sírio está tentando provar ou provocar uma guerra sectária entre tribos e religiões, como última alternativa (além do sacrifício de todo o povo sunita) a fim de impedir uma intervenção do Conselho de Segurança. O intrigante é que apesar de o encontro mencionar que Assad não detém 100% do apoio dos Alawitas, a revolução síria diz que:

"A maioria dos participantes da conferência nunca fez parte da oposição ao sistema Issarawa. Não há uma menção sequer de suas passagens, e não há qualquer abordagem à história sobre nenhum deles!"

   Uma tentativa de revolução independente? De acordo com membros da revolução síria, "a maioria dos participantes são ex-jornalistas do governo sírio, ex-membros do regime, além de alguns professores universitários remanescentes de Latakyia e membros do Partido Ba'ath antes afiliado no escritório que funcionava na cidade síria de Homs."

   Na Nigéria continua a perseguição aos católicos e protestantes, com demolição de templos, mortandade de fiéis na luta pelo controle político/religioso absoluto por parte da seita radical islâmica Boko Haram. Isto também se repete no Sudão, na luta entre os países Azerbaijão e Armênia, na perseguição aos monges budistas do Tibet e ainda no Egito a guerra entre Mussulmanos e Coptas. Tudo isto em detrimento do controle político dos povos alcançados pelas religiões mais influentes.
Saulo Valley Noticias. Tecnologia do Blogger.
Copyright © 2014 Saulo Valley Notícias