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Síria: Regime pode estar por trás da matança de líderes religiosos

Pelo menos 5 líderes religiosos foram mortos recentemente. Depois do alegado uso de armas químicas, inicia-se uma tentativa de forçar a crise síria para a guerra sectária, depois de 2 anos de unidade religiosa, política e tribal no lado da oposição.

Por Saulo Valley - O Observador do Mundo - Rio, 22 de Março de 2013 - 06:54 GMT-3
Atualização - 09:58

    A revolução síria, pra quem não sabe começou nas mesquitas. Mesmo com a lei de emergência em vigor por 48 anos, o povo sírio rebelado, se reunia nas mesquitas para orar nos horários normais determinados pela fé islâmica. Às 09:00 da manhã de todas as mesquitas sírias, saiam todos os fiéis juntos em marcha, pedindo o fim da ditadura, da corrupção e da repressão.  O regime sírio começou a usar balas de borracha e gás lacrimogêneo e balas de verdade para intimidar os manifestantes.



   Snipers foram disseminados nos telhados dos prédios governamentais e mesmo assim, morrendo um a um, eles continuavam se encontrando nas mesquitas e saindo em manifestações no final das orações. O que levou o regime sírio a bombardear as torres e telhados das mesquitas, até chegar ao ponto de enviar tanques e blindados para as entradas dos templos a fim de impedir que os manifestantes saíssem juntos dos templos.

 É claro que isto não os impediu de saírem em demonstrações, mesmo quando para intimidá-los, o regime sírio iniciou a suspensão do fornecimento de serviços básicos como energia elétrica, água, coleta de lixo, distribuição de alimentos no atacado e no varejo e pasmem: serviços hospitalares. Principalmente se o paciente foi ferido pelos atiradores das forças de segurança.



O caos instaurado pelo fato de que o povo sírio decidiu que não queria mais suportar o atual regime, no poder há cerca de 49 anos. Atiradores nos telhados dos hospitais, principalmente o Hospital Nacional de Homs, impediam a chegada de pacientes vivos, após terem sido atingidos nas manifestações.

   Para virar o jogo, o regime sírio começou a comprar autoridades religiosas, que pregavam contra a revolução durante as palestras e também nos alto-falantes instalados nas fachadas.

Tanques foram instalados nas portas das mesquitas com os canos dos canhões apontados para a porta de saída, mas não demorou dois meses já com cerca de 7 meses de passeatas pedindo o fim do regime, que o exército passou a atirar dentro dos templos enquanto as pessoas oravam, para garantir que não sairiam dali em manifestações.

O prédio no centro da foto no lado direito, é o Hospital de Homs, que foi praticamente demolido por bombardeio no início de Abril de 2012.


   Um marco destes acontecimentos foi a morte do menino Mohammad Nassar (13) em Dezembro de 2011. Ele foi atingido dentro da mesquita em Homs, quando o regime sírio bombardeou a construção enquanto os fiéis estavam orando no lado de dentro do prédio. Este foi o primeiro bombardeio a uma mesquita síria, mas logo se tornou uma rotina.  Assad havia percebido que a força e a persistência da revolução estava nas autoridades religiosas, então iniciou ataque a cléricos, pastores, bispos, e por diante.


   A estratégia do regime é desde o início, a de camuflar suas próprias ações consideradas inaceitáveis crimes de guerra e contra a humanidade, genocídio e abuso de autoridade, corrupção e indução do sectarismo. Para isto, os rebeldes precisam ser transformados em terrorista a qualquer custo, e se for preciso, até mesmo os seus deverão ser sacrificados, em prol de suas estratégias. Não importa se soldados, se autoridades religiosas, ou meros simpatizantes.

   Por conhecer as artimanhas do regime, que forja manifestações pró-assad, simula ataques terroristas contra seus próprios prédios em regiões controladas pelo exército regular, os rebeldes, por sua vez nunca utilizam bombas em prédios e alvos não-militares.
    Desde o início da revolução o FSA tem se limitado a destruir tanques, comboios militares e atacar prédios do governo. Uma regra que nunca abriu mão de cumprir, justamente para evitar ligação com terror, por outro lado: O regime sírio destruiu a todos os hospitais, estádios, residências, mesquitas, muitas escolas, padarias e parques públicos instalados nos redutos de oposição.  Uma das gafes do regime sírio é que sempre que ele simula um ataque terrorista, a agência do governo anuncia antes que todas as agências do mundo tenham conhecimento. Antes mesmo dos rebeldes ficarem sabendo. O cinegrafista da TV estatal já estava no local do incidente.

Video: Clerico pró-assad foi morto nesta quinta-feira por atentado com bomba em sua mesquita em Damasco. Além dele, outras 42 pessoas morreram e 110 feridos foram relatados pelos dois lados. 



   Todos sabem que podem ser mortos pelo regime, se houver algum significado favorável à manutenção de Assad no poder. A autoridade a seguir poderá ser a próxima vítima. Pro-assads têm reclamado de seus discursos acalorados, pedindo aqueda do regime.

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