segunda-feira, março 25, 2013

Egito será governado pela Irmandade Muçulmana ou pelo secularismo?

 Duas correntes vêm ganhando força no Egito desde o início da revolta contra o regime do ex-presidente Hosni Mubarack: A Irmandade Muçulmana tem se esforçado para se manter no governo do país, ao passo que a multidão de secularistas cresce com influência clara de Israel e Turquia, o que tende a levar o país a novos confrontos nas praças públicas egípcias à cada novo dia de impasse sustentado.

Movimento 16 de Fevereiro de 2011 - contra ditadura Mubbarack
Por Saulo Valley - O Observador do Mundo - Rio, 24 de Março de 2013 - 12:43 GMT-3

   Neste fim de semana, violentos confrontos aconteceram e as tensões entre os secularistas e os pró-irmandade estão ainda muito vivas. a rejeição popular à irmandade muçulmana não é um caso novo. Desde as manifestações anti-Mubarack entre 2010 e 2011, que manifestantes gritavam que a irmandade muçulmana havia levado diversos países islâmicos à falência e ao derramamento de sangue, com o aumento do terrorismo e dos conflitos sectários por onde passou.

   A verdade é que a renúncia de Hosni Mubarack do poder em 13 de Fevereiro de 2011, não veio no sentido de beneficiar o país. Com seu pedido de demissão, foi possível assegurar maiores privilégios, maior imunidade e ainda garantir que membros ativos de seu governo (agora desmantelado), fariam parte do novo governo por meio de infiltrações e simulações de mudança de posição.

Aliaa Magda El-Mahdy em protesto anti-Mubarack
  Na verdade Mubarack teria deixado uma grande maldição sobre o Egito, que só poderá ser quebrada se a cúpula que assumir o governo, estiver mesmo interessada em conduzir o país a uma nova fase de transformações no sentido da democracia e da liberdade religiosa; entre outras liberdades garantidas pelos Direitos Humanos defendidos (em tese) pelas Nações Unidas.

   Desde a renúncia de Mubarack ficou claro que o Egito viveria de violentos confrontos políticos em violentos confrontos políticos.  Tudo relacionado ao difícil exercício de garantir que todas as tribos egípcias tenham direito a pelo menos, 1 representante no poder e que independente desta questão, que todas as famílias sejam protegidas por leis iguais e recursos distribuídos de modo comum.

Aliaa Magda El-Mahdy tornou-se símbolo da anarquia religiosa,
sexual e política no mundo árabe e da luta pelo secularismo no país.
   Na tentativa de retirar o regime militar do poder, a oposição egípcia se acalmou para receber o novo governo, liderado atualmente por Mohamed Morsi. Meses depois, fanáticos oposicionistas retornariam às praças públicas em novos protestos no sentido de assegurar que o governo retorne para as mãos daqueles que antes compunham a cúpula do regime de Mubarack.

   Além dos pró-Mubarak, o egito enfrenta uma forte corrente secular que visa um país de maiores liberdades religiosas e sexuais (o que se torna literalmente um movimento anti-Islâmico). Por esta razão, Aliaa Magda El Mahdy teria se expressado de forma tão escandalosa em sua exposição nua em seu blog, que na primeira semana de inaugurado alcançou a marca de 5 milhões de acessos e rapidamente chegou aos 33 milhões de visualizações ainda em novembro de 2011...  Aalia se destinou a escrever contra o islamismo tradicional extremista e outras tradições árabes e egípcias, revelando seu ódio completo pelo sistema machista, ela conquistou a simpatia de feministas, gays e ateus dentro e fora do mundo árabe. Tornou-se uma personalidade pública odiada pelo mundo islâmico.

   Enquanto o julgamento de Mubarack se arrasta para dar lugar a inúmeros acordos nos bastidores da política nacional, novos movimentos tendem a ser projetados para as ruas no sentido de anarquizar o governo recém formado. É neste período frágil que os grupos de oposição se tornarão mais agressivos na tentativa de minar as estruturas ainda pouco sólidas da liderança nacional.

  Diga-se de passagem, o Egípcio é um povo fanático por política nacional, e fica monitorando as agendas políticas do país como quem monitora as corridas de cavalo, após ter feito volumosas apostas.
  Então já dá pra acreditar que o período de tensão e protestos acalorados não chegarão ao fim tão fácilmente.

Atualização 25-03-13 as 10:44 GMT-3


  •    Neste momento há intensos confrontos em diversas praças do Egito, com mais de 120 feridos. A polícia se utiliza de gás lacrimogênio e balas de borracha.
  •  Agências locais revelam que ativistas de oposição estão sendo intimados pelas autoridades egípcias para responder sobre os violentos confrontos e há ainda uma acusação de ter incendiado um dos prédios onde funcionava um gabinete político da Irmandade Muçulmana durante os protestos de sábado.
  • O Sindicato de Jornalismo do Egito decidiu criar uniformes especiais para que os profissionais de mídia possam trabalhar na cobertura dos habituais confrontos no país.
  • Só no sábado último mais de 200 pessoas se feriram nos confrontos que se espalharam nas principais praças do Egito.



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