segunda-feira, fevereiro 04, 2013

A luta dos governos para silenciar as minorias e os Direitos Humanos

Na última década, os governos (incentivados pelo Direitos Humanos da ONU) criaram inúmeros meios para que as populações pobres tivessem poder de compra, além de acesso à tecnologia, internet e à informação. Mas esta realidade parece estar em pleno processo de reversão.


Direitos Humanos - Imagem de Domínio Público
Por Saulo Valley - Rio de Janeiro, 04 de Fevereiro de 2013 - 19:08 GMT-3
08 de Fevereiro de 2013 - 09:08

Na última década o "Google Search" e o "Wikipédia" foram responsáveis por tornar toda e qualquer informação acessível a bilhões de pessoas em todo o planeta. Esta facilidade de adquirir conhecimento foi tão bem vista pela ONU que decidiu criar incentivos para que os estados-membros investissem em acesso à internet e à informação como um todo.

O "Facebook"  surgiu no cenário como uma poderosas ferramenta social, que veio pra unir pessoas fisicamente distanciadas, mas conectadas por seus históricos de relacionamentos escolares e profissionais. Este recurso aproximou pessoas de todo o mundo e as interligou de modo diário e relativamente intermitente.

Daí o Twitter, se destacou como o meio mais veloz de se publicar uma notícia, uma informação em tempo real. Dados sobre acidentes com vítimas fatais, partes de discursos feito por autoridades e celebridades, quase que em tempo real... Tudo chega num piscar de olhos.

Mas foi através destas ferramentas que as minorias encontraram a oportunidade para expor o que realmente estava engasgado, ou atravessado em suas gargantas. A "Liberdade" passou a ser a palavra mais utilizada nestas ferramentas virtuais e a luta pelo fim da corrupção política começou. Isto incluía a retirada do poder, pessoas que se antes haviam se esforçado para conceder o "poder da informação e da comunicação" ao povo.

Logo estas autoridades se viram ameaçadas e a comprovação desta realidade se viu na explosão da "Primavera Árabe" e a tentativa da "Jasmine Chinesa". Povos sufocados pela ganância política e pelo abuso ou uso excessivo de poderio militar para reprimi-los. Usando as armas da informação, o povo partiu para a busca pela liberdade...

Enquanto a ONU se esforçava para dar mais "acesso" ao povo, ele mesmo se esforçava para ter de volta o seu direito de governar. Mas a revolta popular da Síria trouxe um novo rumo para o futuro da democratização da informação e da comunicação.  As tecnologias continuam sendo liberadas gradativamente, mas no tocante à comunicação, não há nada mais que não esteja novamente controlado.

Quando os governos (as ditaduras em especial) perceberam que enfrentavam a mais poderosa ameaça que já haviam visto, encomendaram a seus serviços de inteligência estudos que viessem a produzir meios de fechar os portais da libertação popular. O primeiro passo foi a ocupação dos cargos de liderança dos Direitos Humanos da ONU. Outro passo se deu no isolamento político da revolta síria. O terceiro passo se deu na volta da vigilância dos meios de comunicações telefônicas e internet. Para isto, recursos novos e poderosos precisaram ser criados. Softwares e máquinas de vigilância, bloqueio e filtragem de toda forma de fala e escrita online. De tudo o que se compartilha, quer seja textos, imagens, vídeos e áudio é retirado amostras que ajudam ao sistema a interpretar o conteúdo das mensagens.

O quarto passo foi forçar as empresas globais de internet a ceder dados sigilosos de seus usuários/clientes em troca do direito de operar fora de seus domicílios. No fim, não sobrou mais nada que não pudesse mais ser controlado.

Mensagens publicadas por Twitter, quando consideradas ameaçadoras para o sistema podem ser bloqueadas entes do usuário publicá-las, por meio de desculpas do tipo: "Você já disse isto antes" ou "O sistema está ocupado. Tente mais tarde".. Publicações em Blog podem ser bloqueadas e "camufladas" da audiência, ligações telefônicas e mensagens por SMS gravadas em servidores das polícias federais e até as pesquisas do Google Search são gravadas no histórico de cada usuário.

Uma das coisas mais bárbaras que pudemos assistir foi a criminalização do envio de ajuda humanitária para países que enfrentam guerras civis, revoltas populares e conflitos armados, cujas populações são diariamente massacradas inocentemente. Ajuda esta que a inteligência russa classificou como "Uma das mais arrasadoras armas da guerra moderna".

Voltamos à estaca zero. Da inclusão à exclusão. Voltamos aos velhos currais. É verdade que os pastos estão agora mais amplos, mas na prática, a realidade é a mesma de 20 anos atrás. A diferença é que por experimentar uma vez a liberdade, por menor que tenha sido a oportunidade, já tem muita gente vivendo como se estivesse sendo livre. Ignorando as cercas e os sentinelas ao seu redor.

O mundo é assim. Se adapta a qualquer realidade.

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