sábado, janeiro 19, 2013

Wikileaks: 2 anos se passaram e julgamentos se arrastam.

Quando o oficial de inteligência Braddley Manning, 23 compartilhou os crimes e a sujeira diplomática americana com "Wikilleaks", não poderia imaginar que além da tensão do risco de uma condenação à câmara de gás, ou à cadeira elétrica, teria que esperar perpetuamente por um julgamento justo. Uma condenação que levaria à outra. Porque se prolonga esta tortura psicológica?

Cenas do vídeo que Braddley Manning vazou revelava helicópteros americanos
matando uma equipe de Jornalismo da Agência  Reuters Arabic.
 Por Saulo Valley - Rio de Janeiro, 19 de Janeiro de 2013 - 17:35 GMT-3

Entre 2009 e 2011, o Wikileaks se prevaleceu de um informante poderoso para alcançar o topo de todas as mídias globais. Braddley Manning era um jovem oficial da inteligência americana que era analista de informações confidenciais da invasão americana no Iraque.

Documentos que acusam Assange de
abuso sexual na Suécia.
Motivado por razões pouco conhecidas, o jovem procurou uma suposta organização que lhe prometeu revelar para o mundo a verdade sobre a invasão no Iraque; e Braddley possuía provas contundentes de que a operação era uma literal colonização, ainda vídeos confidencias e documentos que comprovavam que no Iraque havia muito mais civis mortos por tropas americanas que os chamados "terroristas". Mais de 66 mil civis mortos nas ruas enquanto caminhavam. Eram confundidos com supostos terroristas ou simplesmente executados por falta de ocorrência, que justificasse a presença de 150 mil soldados americanos na região. Mais tarde, estas vítimas integrariam o relatório com sendo membros de organizações criminosas, flagrados em tentativas de sabotagem das patrulhas americanas e aliadas.

Cansado de tanta sujeira, o jovem, que ainda era muito jovem, não suportou a pressão e marcou um encontro com o suposto ativista, que por sua vez denunciou o informante, para garantir algumas vantagens da América em seu favor.

Diante da situação o jovem conseguiu se livrar de ser preso pela inteligência americana e Julian Assange foi acionado para verificar o conteúdo que prometia "Poder" e "Glória", como ele sempre dizia: "Informação é poder".


Vazamentos do Wikileaks visavam atacar a credibilidade americana
 nas relações  com o mundo.

Em posse das informações Julian Assange, utilizou a sua ONG Wikileaks para distribuir via internet, de forma livre, as informações secretas dos Estados Unidos. Mais de 200.000 documentos que eram liberados em lotes. Muitas cópias de conversas diplomáticas por e-mails entre autoridades americanas e embaixadores, ministros estrangeiros. O Wikileaks vazou informações que desnudavam a América diante de seus parceiros comerciais, bem como seus principais adversários. Um tempo negro se estabeleceu em resposta pelos 10 anos de ocupação irregular do Iraque, além das operações pouco claras no Paquistão e no Afeganistão.

A guerra ao terror propagada pela América de George Bush, havia sido mantida por seu sucessor Barack Obama que desde que assumiu a presidência prometia suspender as operações e levar suas tropas de volta pra casa.

Braddley Manning foi uma lição merecida para o governo americano. Mas a vingança americana é dolorosa e lenta. O rapaz que acabou sendo preso tem sido mantido em isolamentos desde então. Longe de contato com outros presos, submetidos a torturas psicológicas por falta de contato humano. Dois anos de solitária aguardando que o julgamento por espionagem, não o leve à pena de morte. Mesmo assim, a lentidão do julgamento da causa ainda se arrasta ao ponto de muita gente nem se lembrar mais do nome "Wikileaks", muito menos do nome "Braddley Manning". Pior que isto, a opinião pública americana e global não encontra mais razões para tanto cuidado com o assunto. A opinião pública considera que as informações vazadas não afetaram outra coisa, além da imagem momentânea do governo americano. Mas a invasão do Iraque deixou uma marca que jamais se cicatrizará!


Mesmo assim, para justificar sua exposição à vergonha e à humilhação global, o governo americano pretende manter a alegação de que o Alqaeda teve acesso aos arquivos, e que o próprio Osama Bin Laden pediu e recebeu cópias dos arquivos confidenciais.

Com esta retórica, o governo espera dar a Manning uma condenação no mínimo perpétua. Uma lição por toda a vergonha merecida, que causou, ao dar "poder" a Julian Assange para confrontá-lo em escala global. Assange por sua vez é mantido em cárcere domiciliar há 2 anos em Londres, e nem por isto destruiu os Estados Unidos. Sabe-se que há muito mais de velhas rixas pessoais entre Assange e Obama, do que a imagem dos Estados Unidos em jogo. Acusado de abuso sexual, Assange está literalmente condenado a envelhecer nem cárcere domiciliar, o que é um absurdo. Tudo isto porque o país aonde Assange é acusado, é um dos grandes aliados dos EUA. Usando poder de convencimento no terreno diplomático, Obama conseguiu paralisar a vida do criador do Wikileaks, que foi reduzido a um mero espectador da vida global. Uma situação que só remete à mesma velha rixa comercial de 3 gerações que há entre a família Bush e a família Bin Laden, o que justifica na verdade a chamada "Guerra ao Terror".

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