quinta-feira, janeiro 31, 2013

Rússia discute plano de Defesa para a década com base na guerra moderna

Uma fonte russa de notícias citou o Ministro da Defesa, Gen. Sergei Shoigu que teria apresentado nesta quarta, o novo "Plano de Defesa Russo" para os próximos 10 anos, ao presidente Vladimir Putin.  Este plano teria sido baseado nas atuais tensões e conflitos internos e externos, que poderiam representar ameaças ao país.


Demonstração contra o regime de Assad  em Daael, Daraa, Syria.
Foto cortesia: "FreedomHouse2" (Creative Commons)

Por Saulo Valley - Rio de Janeiro - 30 de Janeiro de 2013 - 19:16 GMT-3
Citando a agência russa "Ria Novosti" que publicou que na verdade, o Ministério da Defesa russa avalia a situação externa como branda e que os maiores riscos deverão ser movidos por movimentos internos.

A estratégia é baseada na "Primavera Árabe", descrita pelo regime russo como a possível "terceira guerra mundial". A Rússia tem avaliado o advento da "Primavera Árabe" e seus efeitos destrutivos como a mais eficiente "estratégia de guerra moderna". A defesa russa entendeu que a "Primavera Árabe" é uma estratégia muito mais barata que não necessita de envio de tropas, fragatas, destroyers, porta-aviões entre outras mobilizações militares, para arrasar um país. Seria uma coincidência que este tipo de relatório foi produzido dias depois do início da retirada do apoio russo à síria? Teria sido a Síria usada como cobaia pela inteligência russa?

observado por policiais libaneses, manifestante canta palavras contra o regime sírio.
Foto cortesia: "FreedomHouse2" (Creative Commons)
O que é sabido agora é que a defesa russa entendeu as revoltas populares como mais sutis e arrasadoras armas de guerra, e o site russo "Ria Novosti" citou o ministro russo como dizendo:

Alguns especialistas notam que a fronteira entre os estados de paz e de guerra estão sendo apagados. As nações não vão declarar guerras mais, enquanto as guerras atuais (revoltas populares) desviam-se dos cenários de guerra tradicionais.

Hospital Nacional bombardeado pelo regime sírio
Foto cortesia: "FreedomHouse2" (Creative Commons)
Em outras palavras o ministro Sergei Shoigu, que foi anunciado como novo Ministro da Defesa no dia 06 de Novembro de 2012 pelo Presidente Vladimir Putin, teria completado que apesar da aparência de guerra diferente das estratégias tradicionais de invasão e colonização, estas novas guerras são ainda mais arrasadoras. Para a defesa russa; matar o adversário e destruir seu país já não é tão importante, "Antes de atacar um país é necessário desestabilizar a situação no país para criar um impasse civil." e a seguir completou: "Arruinar um país e a criação de um governo fantoche é menos caro e mais eficiente do que destruir o país, as suas forças armadas" (Provavelmente fazendo referência ao Iraque).

Manifestantes sírios são atacados por policiais com bombas de
gás lacriimogêneo - Revolução Síria 2011
O Ministro se referiu às revoltas populares como uma arma poderosa tendo o "psicológico" e a "informação" como principal alvo. Seria coincidência que a Rússia enviou navios equipados apenas com equipamentos de vigilância de comunicações, grampos de internet, rastreio de telefones móveis entre outros recursos eletrônicos para supostamente "ajudar a Síria"?

O que nos faz pensar é que se o regime russo interpreta uma revolta popular por mais democracia, uma estratégia de guerra internacional, significa que qualquer movimento popular em seu território seria interpretado como tentativa de invasão e que qualquer manifestante seria caracterizado como "inimigo do estado". Daí a liberdade de expressão garantida pelas leis internacionais, já seria um obstáculo para a estabilidade do sistema russo de regime.

Outra situação perigosa nesta interpretação é que o regime russo estaria tranquilo que já não há qualquer possibilidade de ameaça internacional através de suas fronteiras nos próximos 10 anos, mas sim internamente. Seria um aviso de que a tirania iraniana seria imitada? Iniciará o governo da Rússia uma caçada aos ativistas com condenações à pena de morte a exemplo do Iran? Outro perigo nesta tese se revelou nas palavras do ministro que apontou:

"...Uma característica peculiar dos conflitos modernos é uma ampla utilização de métodos não-militares, AID humanitárias, sanções econômicas e políticas."
Seria coincidência que a população síria está neste momento gritando: "UN sua AID está nos matando!"?

O que transforma as organizações da ONU como UNHCR, UNICEF, UNESCO, além do Crescente Vermelho, a Cruz Vermelha, entre outras grandes organizações sem fins lucrativos que atuam nos países devastados por conflitos internos e guerras civis, em armas de guerra e de desestabilização de um país?

É realmente um plano de defesa ou uma estratégia para descredenciar toda e qualquer organização sem fins lucrativos, além de ativistas e defensores dos Direitos Humanos em todo o mundo? Para estas poucas atitudes de humanidade, a nova proposta de estratégia de defesa da Rússia descreve como "A Guerra Moderna".

Agora pense: Se movimentos populares serão considerados tentativas de invasão, envio de ajudas humanitárias como armas estrangeiras de guerra, então a defesa russa admite que se a Rússia estivesse na mesma situação da Síria hoje, agiria como tem agido o regime sírio, ou seja: A estratégia russa para os próximos 10 anos é adotar a estratégia síria.

Para finalizar com chave de ouro: A Rússia denominou tudo o que você acabou de ler acima como: "A Nova Ordem Mundial".

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