terça-feira, janeiro 15, 2013

Assad articula novas eleições presidenciais na Síria mas concorrerá - Disse governo.

Os 48 anos de devastação da Síria em consequência do regime autocrata da família Assad podem não ter fim. Depois de tamanha rejeição que ocasionou na mais sangrenta batalha no mundo árabe desde Sarajevo, custando a vida de mais de 200 mil oposicionistas ao regime, assassinados pelo próprio regime, Assad ainda tem forças para concorrer à reeleição...


Após o ataque do regime sírio aos próprios postos de petróleo o país mergulhou numa
grave crise de  combustível que falta até para aquecer no rigoroso inverno.
Foto: Autor Anônimo Pseudo: "@emasuleiman" - Uso com autorização direta.
Por Saulo Valley - Rio de Janeiro15 de Janeiro de 2013 - 09:16 GMT-3

A  Síria vive um momento no mínimo trágico. O regime sírio tem se mostrado uma verdadeira aberração e não poupa esforços para sacrificar o pouco que ainda restou do país, depois de 22 meses de confrontos entre as forças pró-Assad e oposição a Assad, que pede o fim do regime que já dura 49 anos. A comunidade internacional tem pressionado o regime sírio a seguir pelo caminho da paz, atendendo o pedido do povo sírio, que quer o direito de escolher seu próprio presidente. Como resposta, desde 14 de Março de 2011, o regime tem enviado suas tropas equipadas com material bélico dos mais pesados para executar e destruir tudo o que se refere à oposição, não intencionando permitir qualquer vestígio de rejeição ao seu mal sucedido governo. Nem mesmo crianças, mulheres nem suas casas, vilas, aldeias, cidades e até acampamentos de refugiados nos países vizinhos estão comprometidos por constantes ataques das tropas pró-assad.

Se mantendo no poder ainda pelo poder de fogo, Assad decidiu atender ao pedido da ONU para que realize as "eleições presidenciais", depois de ter publicado e aprovado a "nova constituição", que não foi suficiente para impedir que as tropas do exército sírio e as milícias contratadas pelo governo continuassem destruindo tudo e todos que querem um novo governo.

Neste ponto sem retorno, os rebelados oferecem muita resistência apesar do baixo poder aquisitivo para se manter equipado belicamente ao ponto de derrotar por completo o exército sírio. E para acalmar os ânimos da comunidade internacional, que urge por mudanças no país como consequência de verdadeiras e profundas reformas no atual governo, Bashar Al-Assad anuncia as eleições presidenciais para continuar distraindo o mundo. Com isto ele procura ganhar mais tempo para tentar aniquilar as forças de oposição no terreno, antes que uma intervenção militar internacional seja inevitável.

Mas este anúncio que poderia ser bom, na verdade já mostra que Assad tem planos mais malignos que parece. O regime anunciou que Assad será candidato a re-eleição à presidência da República da Síria, colocando em risco os outros concorrentes, uma vez que quem vive no país, já sabe que as milícias caçarão os que não se mostrarem a favor de Assad...

Citado pela AFP, o Ministro Faisal Muqdad teria dito numa entrevista para a BBC árabe:

"Estamos abrindo o caminho para a democracia, ou mais profunda democracia. Numa democracia não dizemos que alguém não pode concorrer", disse o vice-chanceler sírio Faisal Muqdad em uma entrevista com a BBC" Fonte "AFP".

Disse isto justificando a candidatura do próprio Assad à re-eleição. Membro do partido Ba'ath, que é conhecido pelo "uso da força extrema como meio de governo", e também pela tradição de: "Uma vez estando no poder, só deixará o poder se for morto. Nunca  se entregar". O que significa que estas eleições são mesmo de fachada e os sírios que são verdadeiramente oposição ao regime assad, nem comparecerão às urnas. Até porque eles sabem que podem ser presos pela inteligência síria ainda nas filas das urnas. O que poderá conduzi-los ao inferno na terra!

Com esta realidade levada em consideração, já se sabe previamente que Assad será re-eleito por maioria dos votos. As eleições estão sendo programadas para 2014.

Artigo em Destaque

EDITORIAL - O Brasil é perfeito para quem não teme o trabalho honesto

Temos que combater os esforços da mídia paga, que visa fazer as pessoas amarem mais o mal que o bem. Se você concorda leia, comente e compa...

Leia também: