quinta-feira, janeiro 31, 2013

Amigo íntimo de Nirbhaya conta detalhes da sua relação com a moça e a tragédia.

Se há alguém que pode descrever com maiores detalhes toda a vergonha, humilhação, o desespero e a dor vividos naquele ônibus clandestino, no meio da noite do dia 16 de Dezembro de 2012, só mesmo o rapaz que estava com a jovem. Ele sobreviveu ao terrível ataque mas ela, infelizmente não suportou... Nem a Índia, nem o mundo.


Aden, Sheikh Othman: 1967
Foto cortesia de Brian Harrington Spier (creative Commons)
Por Saulo Valley - Rio de Janeiro, 31 de Janeiro de 2013 - 08:36 GMT-3

O estupro indiano é um comportamento nacional que vem deixando o mundo cada vez mais abalado, à cada novo evento divulgado pelas mídias globais. Mas a verdade é que este cultura milenar e enraizada só tem sido vista como problema agora; justamente com a evolução dos Direitos Humanos e a explosão das revoltas populares. Também é influenciada pela crescente libertação da mulher, em todas as sociedades, em todo o mundo.

E o caso "Nirbhaya" era a gota que faltava para o cálice transbordar e as mulheres indianas, acompanhadas de seus familiares e amigos, começaram a se expor e a bradar por mais justiça social e igualdade às mulheres do resto do mundo.

A jornalista da Reuters Nita bhalla descreveu nesta manhã de quinta, que a forte tendência ao estupro no país como "Estupro epidemico" em seu artigo intitulado "A educação pública pode erradicar a "epidemia de estupro" da Índia - ativistas".

Sentando de num banco de praça com olhar perdido no meio da paisagem verdejante, o jovem que presenciou cada detalhe do crime bárbaro que "Nirbhaya" sofreu, posa de costas para o fotógrafo da "Wall Street Journal". Para a jornalista Krishna Pokharel ele conta que ela (Nirbhaya) o chamava de "Um Homem Perfeito". O casal que não pode ser identificado porque as leis indianas protegem as identidades de vítimas de estupro, estava descobrindo um amor que poderia ser chamado de "puro e eterno".

O jovem amigo de Nirbhaya disse em sua primeira entrevista, desde aquele triste dia, que as imagens ficam passando na sua mente até hoje. Pra quem não sabe ou não se lembra, ele estava em companhia de sua melhor amiga que foi apelidada de "Nirbhaya" pela equipe médica e um outro colega. Os três estavam no cinema e ao sair do local na última sessão, se despediram. O colega tomou outra direção enquanto que o casal foi procurar um ônibus para voltar pra casa naquela noite triste de Domingo.

Interessante que esta entrevista não visava relembrar o caso, mas revelar a profundidade da relação que o casal possuía, antes do crime.

No celular dele ainda está o número do celular dela. E o adjetivo que a identifica é: "Jewi", que segundo a fonte, quer dizer: "Vida". O rapaz de 28 é especialista em comunicação, e este era o quesito mais bem preenchido da relação dos dois. Eles trocavam telefonemas para discutir as mais simples coisas, como escolha de roupas e calçados numa loja. Trocavam senhas de redes sociais e mantinham diversas provas de amor e cumplicidade. Falando com a jornalista Krishna, ele disse que preserva as coisas que Nirbhaya mais gostava, como a gravata que ela deu como presente. Apesar da profunda intimidade, o casal não vivia na mesma casa e durante a entrevista, ficou claro que eles não planejavam ser tradicionalmente casados, mas eternamente namorados.

Ele contou que durante suas viagens, o casal costumava ficar hospedado em hotéis mas não mantinham relações, por causa da tradição. Eles compartilhavam uma relação infantil e tão ingênua quanto profunda.

"Nós cantávamos, brincávamos e jogávamos cartas e xadrez. E quando distantes pensava muito nela."

A saída do Shopping

Ele contou ainda que o dia 16 de Dezembro havia sido surpreendentemente "chato e estranho". Eles assistiram ao filme "A Vida de Pi". Contou também que após o filme, o casal tirou fotos num chafariz e que apesar de querer ficar mais tempo com a amada, ela estava ansiosa para ir pra casa, por razão que não comentou à repórter. Disse que ao sair para procurar um transporte de volta pra suas casas, viu o ônibus parado. O ônibus era do tipo de viagens. Possuía vidros fumês e cortinas nas janelas e estavam fechadas. A fonte contou que um menor apareceu do interior do ônibus perguntando para a moça o seu destino. Ela disse e ele respondeu que o ônibus passaria por lá.

Ao entrar no ônibus o casal teria sentado na segunda fila, porque a primeira já estava sendo ocupada por dois homens, que eles interpretaram como passageiros. Disse ainda que na primeira fila do outro lado do corredor havia outros dois homens sentados. O clima para o jovem casal parecia pesado. Eles sabiam que o ônibus não era legalizado, por esta razão temiam. Mas após 5 minutos que haviam saído do local que haviam embarcado, finalmente relaxaram e ele teria dito para ela: "Ok. é só por hoje. Na próxima vez a gente não pega mais este tipo de ônibus"....

E foi de forma repentina que três dos supostos passageiros se dirigiram para frente do ônibus e interrogaram ao casal sobre o que eles estariam fazendo um com o outro à noite. Foi quando perceberam que estavam em perigo e os dois começaram a gritar, enquanto o ônibus estava ainda em movimento. O rapaz contou que "Nirbhaya" tentou chamar a polícia, mas um dos bandidos lhe tomou o celular e jogou longe. Então ele partiu pra luta corporal com os bandidos que começaram a gritar "pega a barra, traz a barra!" (que mais tarde seria usada para penetrar a genitália da moça).

A vítima contou que fora atingida várias vezes na cabeça e nas pernas. Disse que em dado momento caiu sangrando e tonto. Enquanto isto a jovem teria sido arrastada para o fundo do ônibus onde não havia qualquer iluminação, a não ser a externa, mas as cortinas permaneciam fechadas. Enquanto ela gritava por ajuda ele era dominado no chão por outros dois homens.

Ele conta que o desespero só terminou quando ouviu vagamente alguém dizer que a moça já estava morta.
..e daí eles foram jogados para fora do ônibus sem as roupas. e mais tarde encontrados por uma patrulha da  polícia rodoviária que passava no local. Mais detalhes sobre o que acontece à seguir e como a Índia e o mundo reagiu diante dessa grotesca história, você pode ler no link: "Nirbhaya".

Tradição Nacional

A título de tradição, a cultura indiana ainda é muito antiga, e porque não dizer milenar? Uma das mais antigas civilizações do planeta. A Índia é a terra do Hinduísmo e do badalado "Kama Sutra". Talvez seja esta a razão porque os abusos sexuais sejam tão "cultuados" pelo sexo masculino. Há cerca de 10 anos foi descoberto pela mídia ocidental um templo de "Kama Sutra" que exaltava a relação sexual entre humanos e animais, cujas paredes ainda hoje estão entalhadas com gravuras de homens se relacionado com animais de diversos tamanhos como elefantes, macacos, cães etc.

Fonte de consulta: ttp://online.wsj.com/article/SB10001424127887323829504578271810720960682.html

Artigo em Destaque

EDITORIAL - O Brasil é perfeito para quem não teme o trabalho honesto

Temos que combater os esforços da mídia paga, que visa fazer as pessoas amarem mais o mal que o bem. Se você concorda leia, comente e compa...

Leia também: