sexta-feira, dezembro 14, 2012

Um Natal entre o Capitalismo e a Humanidade - Por Saulo Valley

Muito antes do existir o mercado financeiro, existia a humanidade. Ela não possuía meios de negociação como compras coletivas na web, nem rede de supermercados na idade da pedra. Milhões de anos depois a chegada do capitalismo e sua expansiva adesão, tem levado a humanidade em si, a perder completamente o valor...  Infelizmente para muitos.

Capitalism

Por Saulo Valley - Rio de Janeiro, 14 de Dezembro de 2012 - 09:41 GMT-3

O mundo está cada vez mais antenado nas melhores possibilidades de capitalização e renda. Está cada vez mais preocupado com os próximos 30 anos e a maneira que nós, míseros terráqueos, vamos nos sustentar.

Para o capitalismo, o ponto chave está nos recursos, na forma como são captados, armazenados e usados. Mas para o bem da verdade, a anunciada escasses de matérias-primas no planeta poderia facilmente ser administrada se à partir de hoje, a humanidade conseguisse recuperar seu valor próprio.

Se passássemos a amar mais ao próximo, pelo menos, com a nós mesmos, poderíamos, compartilhar estes recursos de forma amável e equilibrada. Poderíamos evitar conflitos, guerras e rixas, que acabam consumindo muito mais a terra e seus recursos. Mais ainda os recursos financeiros são gastos em confrontos armados. Gastos com matança indiscriminadas de pessoas em todo o planeta. Matanças que são justificadas pelo interesse de certas pessoas ou grupos de se manter capitalizadas, ou proteger estes capitais, daqueles que estão vivendo debaixo de suas mesas, procurando por suas migalhas.

Um capitalismo além de selvagem, brutal. Neste Natal, vamos fazer nossa ceia de portas fechadas. Percorreremos a cidade no conforto de nossos carros blindados e vidros escurecidos. Compraremos nossos presentes e guloseimas longe dos olhares dos curiosos e nos reuniremos com nosso familiares em locais pouco públicos. O menos possível.

Sem solidariedade, sem a presença do aclamado "menino Jesus", nos dedicaremos a comemoração de uma festa popular cada vez mais particular. Cheia de bebidas e comidas fartas, onde em pequenos grupos, poderemos exibir o poder de nossas conquistas financeiras, no decorrer dos anos. Nos assentaremos na roda dos que melhor se colocaram profissionalmente. Grupo fechados e isolados que AINDA chamamos de família.

Lá fora, no meio do nada, debaixo das marquises e das pontes e no alto das favelas, ainda estarão milhares de vidas que jamais sentirão esta sensação. Alguns de nós até podemos enviar umas quentinhas (marmitas) de comida (pra calar a boca de alguns pedintes, mostrar mais ainda nosso poder de consumo, além de garantir que conseguiremos deitar a cabeça no travesseiro na noite de Natal, e dormir como anjinhos sagrados.

Mas a virada de ano, será o momento mágica, onde realizaremos a cerimônia de abertura para mais um ano de caça aos recursos capitais e vitais para a nossa subsistência. Iniciaremos um novo ano ainda mais agressivo, retendo por todos os meios possíveis, todo capital que passar por nossas finas malhas. Devolveremos uma parte destes recursos em 20 ou 30 quentinhas (quando fazemos) e nos prepararemos para, no fim do ano seguinte mostrar para o mundo que o que fomos capazes de realizar.

Como leões famintos no meio de uma manada de zebras, velamos pelo nosso lar, sem permitir que os menos favorecidos tenham qualquer oportunidade ao nosso lado. Por falar em oportunidade, todas serão aproveitadas. Todas as formas de lucro, retorno imediato e capitalização. afinal sem dinheiro, pra serve a humanidade?

FELIZ NATAL PARA TODOS NÓS E UM PRÓSPERO ANO NOVO!

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