sexta-feira, dezembro 21, 2012

Quênia: Mais 20 crianças e 5 famílias mortas em conflito tribal

Atualização: Um conflito entre duas aldeias nesta sexta, no Quênia deixou nas primeiras horas, um saldo de 39 mortos. A informação foi passada pelas autoridades locais. Mas 36 horas depois mais 20 crianças e 5 famílias morreram nos confrontos que continuam, disseram fontes locais.



Orma woman with child otopedia - photo by Dalmar Abdi
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Por  Saulo Valley - Rio de Janeiro, 21 de Dezembro de 2012 - 09:59 GMT-3
Atualização: 22-12-2012 Hora: 08:25

Nairobi - O número de mortes, que pode ter chegado a 40, foi em função de uma guerra tribal próximo à costa do Rio Tana, na madrugada desta sexta. A AFP informou que guerreiros da tribo "Pokomo" atacaram a aldeia vizinha dos "Orma" portando lanças e rifles AK47.

A mortandade sem uma causa divulgada, pode estar acontecendo em preparação para as próximas eleições gerais que acontecem em Março. A AFP informou um relatório que confirma a morte de mais de 110 pessoas nestes confrontos só entre Agosto e Setembro deste ano. A fonte ainda revelou que em 2007, um confronto entre as duas tribos deixou mais de 1 mil mortos por causa das eleições. Outra razão, conhecida é a briga pelo pasto de gado, que teria sido a causa para que a velha rixa voltasse a ser deflagrada nestes dias.

O confronto desta madrugada de quinta para sexta deixou ainda dezenas de pessoas feridas. A agência informu que dos 11 lutadores mortos, 9 eram homens da tribo dos Orma. "NYT" citando ainda as autoridades locais que disseram que pelo menos 45 casas foram incendiadas. Autoridades locais disseram que muitos foram executados por armas de fogo ou por espancamento até a morte.

AFP ainda disse que os Pokomo exigem direito sobre toda a terra ao longo do Rio Tana, enquanto os Orma lutam pelo direito pela água corrente do Rio Tana. Outro combustível potencial para a crise tida como "histórica" pelas autoridades quenianas é citado pela AFP como "colapso" no fluxo de três rios que irrigam a região, obrigando a população dos Orma a buscar água e pasto nas margens do Rio Tana em tempos de seca.

A fonte disse ainda que um relatório culpou o "subdesenvolvimento, a falta de estrutura de comunicação adequada, a marginalização social" entre outras necessidades básicas para as comunidades que sobrevivem da agricultura. Disse ainda, citando as autoridades que disseram que as tribos têm recorrido cada vez mais ao uso de armas de fogo devido à ineficiência estrutural das forças polícias para evitar um confronto.

Atualização: 08:44

Apesar de as autoridades locais anunciarem estar no controle da situação, usuários quenianos do Twitter afirmam que os confrontos foram renovados e continuam na região de Baragoi em Yenyewe. Muitos têm criticado a incompetência das polícias locais para encerrar o conflito que já ultrapassa das 36 horas. Outro setor que vem sendo muito criticado é a imprensa queniana por não estar cobrindo efetivamente a grave crise que se alastra na região.

Ministro Mark Simmonds em nome do Ministério das Relações Exteriores da Ucrânia para a África publicou uma nota lamentando o conflito dizendo:


"Minhas condolências vão para as famílias daqueles que foram mortos e feridos."..."Quero reiterar profunda preocupação do governo britânico nesta onda de violência, que alertam o Governo do Quênia nos níveis mais altos. Peço contenção de todos os lados e o diálogo entre as comunidades. É imperativo que as queixas subjacentes por trás deste conflito sejam resolvidas urgentemente. O Reino Unido continua a apoiar os esforços para a reconciliação no Quênia. "

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