sábado, dezembro 15, 2012

Papai Noel foi morto na favela com 24 de 12 - Conto Urbano de Natal


Papai Noel decidiu atender as crianças mais carentes. Neste ano ele não irá de trenó pelas montanhas geladas da Rússia. O bom velhinho veio ao Brasil, abençoar as criancinhas das comunidades.

Menino_Sozinho by Fábio Pinheiro - Favela do Maruim,
em Natal - RN.  Creative Commons
Por Saulo Valley - Rio de Janeiro, 15 de Dezembro de 2012 - 14:52 GMT-3

Ele pegou a van errada soltou logo na entrada da favela que esperava uma invasão.
Sua chegada inesperada na calada da madrugada foi suspeita.
Era uma parada? Tava de vermelho chegando na quebrada errada.
Tinha muito nego na espreita.
Ele tava de coturno, e foi escalando o muro do barraco do negão.
Ele tava de colete e um saco muito grande carregado de munição.

"Aí neguim tu tá ferrado, vem entrando disfarçado mas num vai escapar não.
Toma fogo seu otário, pensa que nós é babaca pra não ver que é invasão?
Ele tava de vermelho mas caiu de joelho chingando palavrão.
Não teve tempo pra nada, ficou na madrugada esperando o rabecão.
É tão otário que ele trouxe até brinquedo. Ninguém aqui tem medo de jogo de botão.
Acha que ia se safar com essas bonecas, um monte de petecas e jogo de Gamão?

Em pouco tempo geral desce a favela pra ver qual era  aquela nova situação.
Tira essa barba pra gente ver esse safado que veio disfarçado tentando uma invasão!
Mas não deu tempo porque logo a criançada invadiu a área marcada disputando o sacão.
Pelo menos nego vai fazer a festa, vai ter brinquedo à beça pra quem nada tinha não.
Mas logo todos podem ver que algo errado tinha acontecido e sem explicação.
Aquele velhinho estava se transformando, ele então saiu voando em forma de algodão.

Então alguém lembrou que estava esperando o pedido que havia feito a um tal "Papai ao Noel".
E conferiram a lista de todos os pedidos feitos pelos meninos pobres do Morro do Santa Créu.
Alí estava tudo dentro da sacola, tenha tênis, tinha bola, e até televisão.
Era inocente ele foi confundido como qualquer bandido de outra facção. 
Os assassinos ainda estão vivos querendo entender tamanha vacilação.

Neste Natal não vai ter festa na favela, sem luzes nas janela, sem meias no portão.
Neste Natal não vai ter coral de meninos, não vão tocar os sinos. Nem aperto de mãos.
Neste Natal não vai ter festa na favela, perdeu meu irmão já era, é só assombração.

Crônica urbana por Saulo Valley - todos os direitos reservados. proibida reprodução total ou parcial deste poema sob lei de ©copyright 2012.

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