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O massacre da escola em Newton, USA e o efeito Boomerang

Neste domingo, milhares de pessoas se derramavam em prantos em toda a América, lembrando as 28 vítimas de Adam Lanza. Um menino cheio de inteligência e esquizofrenia. Enquanto o mundo ainda se pergunta "porque", há de convir que tudo não passa de um "Efeito Boomerang".


Por Saulo Valley - Rio de Janeiro, 17 de Dezembro de 2012 - 06:51 GMT-3
Atualização: 12:11

No local do crime, milhares de presentes, bichinhos de pelúcia, flores, dores e lágrimas. Pessoas de todas as partes da América do Norte chegam ao local para prestar uma (não última) homenagem às 28 vítimas inocentes de um louco atirador, ainda jovem e que terminou com sua própria vida no final do ritual sangrento.

"Às 10 pm ET hoje recordamos as crianças inocentes e educadores que pereceram na escola primária de Sandy Hook: Charlotte Bacon, 6, Daniel Barden, Engel, Olivia-7, 6, Josephine Gay, 7, Ana Marquez-Greene, 6, Dylan Hockley, 6, Madeline Hsu, 6, Catherine Hubbard, 6, Chase Kowalski, 7, Jesse Lewis, 6, James Mattioli, 6, Grace McDonnell, Parker, Emilie-7, 6, Jack Pinto6, Noah Pozner, 6, Caroline Previdi, 6, Jessica Rekos, 6, Avielle, Richman, 6, Benjamin Wheeler, 6, Allison Wyatt, 6, Rachel Davino, 29, Dawn Hochsprung, 47, Anne Marie Murphy, 52, Lauren Rousseau, 30, Mary Sherlach, 56, Victoria Soto 27 - Disse o maior ícone do tele-jornal americano, Anderson Cooper pelo Facebook.

Ajoelhados diante das vítimas, ou diante das homenagens deixadas por milhares de pessoas que se consolidam com aquelas crianças e seus professores, ainda se ouve a pergunta sendo sussurrada entre lágrimas e gemidos: "why?" (porque?)

Pra tentar entender as causas destes contínuos assassinatos já padronizados, minha mente num estalo me guiou aos campos de batalha em busca das respostas. Só no Iraque, mais de 150 mil jovens saíram de suas casas na luta contra um ditador chamado Saddam Russein e após do outro fatídico dia (11 de Setembro de 2001), a América em corpo em alma saiu pelo mundo em missões gigantes na chamada "Guerra ao Terror", como ato de vingança pelo ataque ao edifício"All Trade Center", que matou cerca de 3000 pessoas.

Nessa busca amarga pela doce vingança, milhares de jovens saíram do conforto de suas casas e do seio de seus familiares, gozando de perfeito estado de saúde física e mental, para honrar seu país, numa guerra que durou quase uma década, entre Iraque, Afeganistão e Paquistão.

Dad in Home - Cortesia  The U.S. Army (criative Commons)
De volta pra América

Ao dar por encerradas as campanhas que levaram à morte dos líderes opositores Saddam Russein e Osama Bin Laden, estes homens, agora voltam para seus familiares cobertos de sangue, mutilados, esgotados emocionalmente, inseguros, assustados, violentos, desequilibrados, ou mortos. Cheios de sequelas, muitas delas irreparáveis, os ex-combatentes passam a lutar para voltar a viver uma vida normal, mas a sociedade não encontra muitos meios de mantê-los associados por muito tempo. Muitos deles são esquecidos e se sentem ridicularizados, depois de abandonar tudo para sair pelo mundo defendendo a honra dos Estados Unidos da América e o orgulho dos feridos politicamente.

Esta história é um siclo vicioso que se repete na América de batalha em batalha há pelo menos 500 anos.
Desestabilizados emocionalmente, estes profissionais da morte não conseguem se encontrar no seio da sociedade americana. Não são poucos os que, após ter voltado pra casa se sentem tão estranhamente rejeitados que decidem voltar para o front. Sentimento de rejeição e que seu sacrifício foi ignorado pela sociedade, estes combatentes ainda não encontram um acompanhamento médico/psicológico à altura de suas necessidades, afinal, queles são os caras que foram pra guerra em nome de  todos!

Cheios de crises, os ex-combatentes buscam prosseguir com a vida, apesar de, para eles não fazer qualquer sentido viver sem a guerra. Mas eles não são mais os mesmos. São especiais. Precisam de atenção especial e a América de Obama, acertada em cheio por esta crise mundial, não tem muitos meios de se concentrar nestes problemas, apesar dos esforços demonstrados no ano de 2011.

Pais problemáticos, geram filhos problemáticos; e pais e filhos problemáticos formam sociedades problemáticas. O efeito "pós-guerra" ainda é latente na vida do povo americano, e a facilidade com que encontram nas armas de fogo o conforto e  acalento para suas almas atormentadas, é alarmante.

À cada novo dia, um novo atirador. Um assassino desumanizado, desequilibrado, dessocializado, desacompanhado, desalmado e nunca desarmado. Este inicia uma sequência de assassinatos que seguem padrões similares aos assassinatos anteriores. O que conecta estes atiradores uns aos outros. Vão matando e morrendo em intervalos semelhantes como se fosse uma programação cronologicamente calculada. Como se conhecessem uns aos outros ou de alguma forma recebessem informações do mesmo líder. Como se os que partiram tivessem deixado um "manual de instruções" em algum canto secreto do mundo, onde pudesse ser consultado pelos próximos assassinos em série, em especial de crianças e adultos civis.

Em discurso emocionado neste domingo, o presidente Barack Obama finalmente reconheceu: "Nós precisamos mudar!"

"We can't tolerate this anymore. These tragedies must end. And to end them we must change." – Barack Obama 16-12-12
Para ajudar a achar o fio da meada, eu como "Observador do Mundo" me esforço para dizer que enquanto os Estados Unidos se esforça para conter ondas de violência em todo o mundo, precisa começar a entender este problema como um caso interno de saúde pública além de criar ações no campo do desarmamento. Em suma, a América precisa pensar seriamente em voltar imediatamente ao programa "Guerra ao Terror". Desta vez, dentro de sua própria casa!

IRAQ - Cortesia  The U.S. Army (criative Commons)
Não é novidade que mesmo fora do país, inúmeros soldados estando em local seguro, longe do front, surtaram e começaram a atirar contra sua própria tropa e houve caso de um tanque americano ter sido utilizado para atacar o próprio acampamento, matando e ferindo a vários oficias e soldados amigos.
O wikipedia internacional ainda mantém (embora desatualizada) uma lista de eventos denominados "Friendly Fire" (fogo Amigo) no seio de tropas americanas desde 1945. O detalhe é que está é uma realidade de exclusividade americana. Não se sabe de casos costumeiros de "Fogo Amigo" entre outras tropas do mundo, com a mesma frequência que acontece com os americanos, que matam aliados, matam colegas de turma e se matam. Diferente da escola  Sand Hook?

Este vídeo é uma cópia da gravação do cockpit do caça americano que em 2003 atacou as forças amigas no Iraque.


Esta publicação visa levantar uma profunda reflexão na forma como a América estimula sua máquina de guerra, na forma como alimenta filmes de ação, violência e morte, na forma como estimula o patriotismo, e na forma como lida com a distribuição "gratuita" de armas no comércio em seu território e na forma como gerencia os efeitos pós-guerra. vencer Osama Bin Laden foi moleza perto deste, que posso descrever como "O mais poderoso inimigo #1 da América!"

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