domingo, julho 15, 2012

Síria nega massacre: UNSMIS confirma ataque direcionado a ativistas, dissidentes e parentes.

O massacre que deixou centenas de mortos na pequena aldeia de AlTrenseh em Hama causou grande alvoroço internacional, mas a reação do regime sírio não supreendeu. Bashar Al-Assad foi descrito por seu irmão Maher Assad "como um dos homens mais frios do mundo árabe". Bashar desmentiu o massacre, descrevendo a ação militar na região como combate que matou 37 guerrilheiros da oposição.

General Mood em coletiva de imprensa - Atualizações sobre a Síria - 13-07-2012
Por Saulo Valley - Rio de Janeiro 15 de Julho de 2012 - 12h01 GMT-3
Atualização:  13h54

Mas há relatórios que revelam um número muito maior. 350 corpos encontrados até agora em toda a região.
Os primeiros 40 corpos foram enterrados um uma mesma vala comum mostrada neste vídeo a seguir.  Entre as vítimas lutadores, ativistas, mulheres e crianças.  A região que é formada por população de maioria muçulmanos sunitas foi cercada por volta das 05 horas da manhã de quinta-feira 12, por pelo menos 150 tanques e veículos militares, que segundo testemunhas oculares e sobreviventes, começou a atirar e bombardear as residências aleatóriamente. 


Após cessar o bombardeio, tropas militares, forças de segurança e milícias de Shabihas iniciaram uma varredura em busca de sobreviventes com ordens claras de eliminar qualquer vestígio de vida na aldeia circundada pelo exército sírio regular. As patrulhas duraram cerca de 5 horas, como disseram as testemunhas. durante a incursão do regime sírio na aldeia, os sobreviventes buscavam escapar com vida mas foram perseguidos e alcançados pelas  milícias que abusaram do poder das facas para torturar, humilhar e degolar suas vítimas. De acordo com ativistas, o FSA (Free Syrian Army) uniu-se a ativistas de direitos humanos para procurar os corpos de muitos citados como desaparecidos, uma vez que ao menos 100 pessoas foram encontradas mortas nos rios Orontes e A'asi, que banham a região.


As imagens que não poderemos mostar são ainda mais cruéis. Dentro da mesquita de AlTreimseh foram encontrados 150 corpos de homens, mulheres e crianças. Todos citados como vítimas das forças pró-assad. Dia de maior tristeza para a cidade de Hama e a população solicitava a presença de uma equipe da UNSMIS (Missão de Observadores das Nações Unidas na Síria) para que fosse até  AlTreimseh verificar as denúncias.


A presença marcante da emissora de TV estatal síria
 (marcada de vermelho)  tem um tom de intimidação.
UNSMIS


Neste sábado o General Mood, chefe da UNSMIS revelou que uma equipe da Missão esteve na aldeia e realizou uma série de vistorias que confirmaram a ação premeditada e direcionada do regime sírio para matar dissidentes, familiares de rebeldes e ativistas "usando artilharia, tanques e armas leves". Afirmando o uso de "uma variedade de armas", "resíduos de sangue nas paredes no interior de diversas casas e furos provocados por tiros" mas o chefe da Missão afirmou que a perícia ainda não tinha sido concluída. Neste domingo a equipe da UNSMIS está na aldeia levantando novas provas que levem aos verdadeiros responsáveis pela violência.



SANA Notícias


O site oficial da SANA agência estatal síria de notícias está fora do ar há pelo menos 9 horas. O fato coincide com o anúncio do grupo hacker Anonymous, que na sexta-feira afirmou estar retomando as operações contra o regime sírio em protesto aos massacres de civis correntes no país.



Mesmo assim, nas buscas do "Google Search" foram possíveis de se ver que o a Sana quando estava ainda no ar publicava que 4 terroristas capturados por forças de seguranças haviam confessado suas participações nos ataques "terroristas" que mataram "50" guerrilheiros entre eles 7 civis apenas - Disse a agência.

Com a aldeia sitiada torna-se impossível a aproximação até mesmo de locais, que buscam justamente escapar para não morrer nas mãos do regime. Isto dificulta a confirmação dos números exatos de vítimas.


(Pergunto: Ataques terroristas para matar terroristas?)


A tentativa para entender o número real de mortes  ainda se faz um drama. Um relatório tido como imparcial publicado no "wikipedia" ajuda a perceber que pode haver exageros para mais ou para menos de ambos os lados. A verdade é que apenas 40 pessoas assassinadas foram vistas num velório e seus nomes estavam contidos numa lista de mártires, quase todos com idade de combate. Outra realidade é que o lado rebelde está começando a utilizar morteiros.

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