quarta-feira, junho 20, 2012

Troca de acusações por crime de repressão entre estados embaraça Nações Unidas.

A Síria é o país com o maior  histórico de violência do mundo na atualidade. Nas Nações Unidas os arquivos da Síria estão em primeiro plano. Prioridade nas discussões, mas quando as sessões começam, não há um Estado-membro que possa atirar a pedra. A troca de acusações de crimes cometidos em seus próprios países, como Sri Lanka, Canadá, EUA, Irã, Turquia, China, Coréia do Norte, Cuba, Israel ... e tantos outros dentre os 47 membros do Grupo de Direitos Humanos das Nações Unidas, que a Síria... Ah sim: A síria...

كفرنبل المحتلة لافتات وصور 1-5-2012 / Placards and signs from Kafranbel, Idlib - Syria
Cortesia: "Freedom House"
Por Saulo Valley para JIRABH (Jornalismo Internacional na Revolução Árabe do BlogHumans).
Rio de Janeiro, 20 de Junho de 2012 - 06h53 GMT-3 Atualização: 09h48

Os massacres diários continuam desafiando a organização ou infraestrutura das Nações Unidas, que é composta por um imenso número de países que cometem crimes todos os dias. Esta "tolerância" pode-se dizer que é inevitável. Sem esta flexibilidade os presidentes sequer trocariam apertos de mãos. "O caminho da diplomacia" é cruel e frio. Uma lâmina gelada que traspassa as necessidades de urgência dos povos as vezes, para buscar o equilíbrio entre os países.

Mas como fazer para que as mãos lavadas de sangue da maioria dos estados-membros possam atribuir credibilidade às Nações Unidas e principalmente às Organizações de Direitos Humanos administradas pelos próprios governos que praticam crimes hediondos contra o seu próprio povo?

Manter os líderes mundiais numa relação cordial e respeitosa, impor limites às suas reações pode ser um caminho para o equilíbrio e a paz mundial, mas as Nações Unidas terá como fazer sobressair sua legitimidade diante desta tão grande cadeia de interesses e protecionismo?

O UNHRW (Observatório dos Direitos Humanos das Nações Unidas) comentou sobre as crises internas da ONU, no tocante aos direitos humanos, logo assim que terminou a sessão que discutiria os arquivos da Síria (mais uma vez) nesta Terça última.

Navi Pillay foi citada pelo HRW como a figura central da sessão, levantando acusações dos crimes contra os direitos humanos do Canadá, e um tenso discurso sobre a "grave preocupação" que causam os "ataques americanos com drones no Paquistão". Para este último tema, o alto comissariado para os Direitos Humanos das Nações Unidas pediu "investigação". Em meio aos recentes pronunciamentos dos EUA, Hillary Clinton e o candidato à reeleição Barack Obama, condenando crimes contra populares de todo mundo, o pedido de Navi Pilay causou excitação entre os principais rivais da América, que segundo o HRW citou em seu último relatório,  correram para usar estes argumentos em seus acalorados bate-boca com o país do Tio Sam e aliados.

Movimento Contra Corrupção - Cinelândia 2011 foto: Saulo Valley
O Canadá foi citado por reprimir manifestantes no Quebec destacando o termo "alarmante" empregado pela comissária Navi Pilay para as "ações de restringir a liberdade de reunião em diversas partes do mundo" relatou. Com ataques literalmente focados nos países ocidentais em regimes de democracia, Irã, China, Cuba, Sri Lanka, Síria, Coréia do Norte e Israel, correram para apontar estes crimes praticados por seus principais acusadores como forma de justificação para seus próprios crimes.

O HRW citou um pronunciamento da Coreia do Norte que rejeitou as acusações do Canadá, quanto a seus crimes, lembrando o relatório de Navi Pilay concluiu:

"faria bem se lidasse com seus próprios assuntos."

A discussão girou em torno da supressão aos protestos pacíficos em todo o mundo. Assunto este que gerou muitas acusações, polêmicas e a remarcação de outra seção para discutir ainda o mesmo tema.

O HRW disse que foi a única Organização de Direitos Humanos não-governamental que teve direito à palavra durante sessão desta terça-feira e considerou o relatório de Pilay como "censura desequilibrada", afirmando que o discurso da alta comissária teria se mostrado "golpes de propaganda para governantes repressores como Paquistão e Zimbabwe".

Após ver os representantes da Síria, Coréia do Norte e Cuba dentre outros Estados usando o discurso de Pilay para continuar cometendo seus próprios crimes, a sessão foi encerrada com mais uma resolução.

Assuntos da resolução desta terça 19-06-2012

A liberdade de uso da Internet foi levantada na nova resolução. Nova resolução cita ainda a Síria, Belarus e Cuba. A resolução cita textos da Carta Magna dos Direitos Humanos Internacionais sobre o livre direito de reunião, "independente da raça, cor, sexo, linguagem, religião, opinião política ou outra, nacionalidade ou origem social, propriedade, origem, nascimento ou outro tipo de status."

Cita ainda a resolução 60/251da Assembléia Geral realizada em 15 de Março de 2006 que lembra que o Conselho de Direitos Humanos é responsável por promover o "respeito universal e a proteção dos direitos  humanos e a fundamental liberdade de todos sem distinção..." destacando crimes de repressão à manifestações ligadas às orientações sexuais, condenando atos violentos e discriminatórios.

A resolução que foi aprovada em 14 de Julho de 2011 serviu como base para a atual discussão e teve a seguinte avaliação na época:

Os países que aprovaram a resolução foram 23: Argentina, Bélgica, Brasil, Chile, Cuba, Equador, França, Guatemala, Hungria, Japão, Ilhas Maurício, México, Noruega, Polônia, República da Coréia, Eslováquia, Espanha, Suíça, Tailândia, Ucrânia, Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte, Estados Unidos da América, Uruguai

Os países que votaram contra a resolução foram 19: Angola, Bahrein, Bangladesh, Camarões, Djibuti, Gabão, Gana, Jordânia, Malásia, Maldivas, Mauritânia, Nigéria, Paquistão, Qatar, República da Moldávia, Federação Russa, Arábia Saudita, Senegal e Uganda.

Os países que se abstiveram do voto foram 3: Burkina Faso, China e Zâmbia

Fonte: HRW/ONU.

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