quinta-feira, junho 14, 2012

Os 11 níveis de crescimento da violência na Síria em 15 meses.

A secretária do governo americano Hillary Clinton revelou nesta terça que a Rússia vem convertendo frágeis helicópteros sírios em verdadeiras armas de guerra e reenviando-os para enfrentar a dissidência. Esta realidade tem causado maior desconforto na relação EUA, Síria e Rússia.  A revolução da revolução na síria tem elevado em muitas vezes o nível da violência contra civis. Um movimento que antes era de iniciativa popular mas que foi duramente reprimido pelo governo sírio, com uso de tanques, tropas do exército e milícias de Hbihh e Shabihas. 


Massivo protesto pacífico anti-ditadura Assad em 24 de Abril de 2011 em
Douma/ Damasco. Cortesia: "syriana2011"
Por Saulo Valley - Rio de Janeiro, 14 de Junho de 2012 - 20h26 GMT-3
Atualização: 15 de Junho de 2012 - 09h41
  1. No início, em 15 de Março de 2011 um grupo de 40 mulheres parou na frente do palácio do governo exibindo silenciosamente cartazes que pediam a liberdade de 15 adolescentes e presos políticos, acusados de "incitação contra o estado". Os manifestantes foram agredidos por forças de segurança e detidos. Dias depois mais de 300 manifestantes pediam a libertação dos detidos. Com o aumento da repressão e a perseguição armada, novos manifestantes foram aderindo aos protestos e declarar "jihad" contra as forças de segurança.
  2. Então as tropas da síria começaram a se rebelar em protesto contra o massacre de civis desarmados em manifestações. Por causa da lei de emergência e a lei marcial em vigor, que condenava rebelados à pena de morte, os que conseguiram escapar passaram a ser perseguidos e em consequência a lutar pela própria sobrevivência.
  3. Mas o aumento da violência se fez claro quando o governo sírio decidiu humilhar, torturar e matar muitos dissidentes e manifestantes como exemplo, de modo que provocasse medo na grande massa opositora.
  4. Só que esta decisão fez com que o exército de cerca de 25 mil rebeldes recém-formado decidisse por se organizar e buscar ajuda internacional, embora o poder esmagador dos mais de 250 mil fuzileiros sírios equipados ainda com artilharia, tanques, marinha e aeronáutica se mostrasse irredutível. Neste período, especialistas russos, iranianos e iraquianos foram percebidos na composição da cúpula de comando das operações de repressão e combate à insurgência.
  5. Com a morte de Kaddafi (no final da revolução da Líbia) os rebeldes e militares no poder se ofereceram para ajudar os rebeldes sírios e desde então lutadores independentes de todas as partes do mundo começaram a se apresentar ao denominado FSA (Free Syrian Army) "Exército Livre", a fim de derrubar o regime de Assad. Por outro lado o Iran, a Rússia e a China começaram a investir diretamente nas forças de ataque do regime sírio, que decidiu neste tempo matar a todos os que denominavam "ativistas".
  6. Foi neste período de 2011 que a crise síria ultrapassou os limites impostos pela inteligência síria e as informações passaram a chegar com clareza aos ouvidos e olhos da comunidade árabe. Neste momento a Liga Árabe se apresenta como pacificadora da crise à fim de proteger os civis. Irritado com o fato da oposição ter conseguido atrair a atenção internacional para os covardes massacres de civis manifestantes na síria, Al-Assad decidiu intensificar as mortes até que a própria população amaldiçoasse a´intervenção da Liga e desejasse a sua retirada do conflito.
  7. Recebendo ajuda de todos os cantos do mundo, os dois lados conseguiram dobrar suas tropas. O exército sírio passou a contar com pelo menos 500 mil soldados após uma grande campanha de recrutamento, distribuindo uniformes e armas de fogo para Hbihh e Shabihas além de civis voluntários e estrangeiros. O FSA com cerca de 50 mil fuzileiros passou a convidar jovens manifestantes para se alistar nas forças rebeldes. Então iniciando em Aleppo e Al-Rastan, começaram a surgir os "batalhões saladinos" que passaram a lutar em nome do FSA. 
  8. Com o crescimento da violência depois da tentativa de interferência da Liga Árabe, esta decidiu suspender a missão de pacificação para ver abrandar a fúria de Al-assad de sobre o seu povo. Mas o ciclo vicioso estava formado e o regime sírio não reduziu mais a violência, que provocou a interferência das Nações Unidas, com a bênção da Liga Árabe. Uma vez que conseguiu intimidar a Liga Árabe com o castigo coletivo, o regime decidiu repetir a estratégia e atacar o povo sírio além de isolar os Observadores da UNMIS (que afastados dos grandes conflitos "comem pelas beiradas" recolhendo provas que os confrontos deixam para trás). 
  9. O regime sírio alertou durante meses para que as mães não permitissem que seus filhos ingressassem nas fileiras rebeldes, mas a prova de que o discurso do presidente Bashar Al-Assad foi ignorado, está no número de massacres praticados contra as mães e seus filhos atualmente, citando como exemplo o massacre de Houla.
  10. O regime sírio entendeu que massacrar as famílias dos rebeldes os abateria moralmente além de impedir que houvessem novas adesões às fileiras da oposição. Foi neste raciocínio que os massacres de famílias em regiões consideradas "redutos da oposição" tornaram-se diários.
  11. Em meio ao desespero da humanidade, Forças políticas internacionais iniciaram campanhas para deter a violência na Síria. Como as Nações unidas não reconheciam o conflito na Síria como um problema internacional, países como EUA, Arábia Saudita, França e Inglaterra passaram a enviar armas leves para o lado rebelde. Em resposta, a Rússia tem preparado helicópteros de combate para inserir no conflito, em defesa do regime sírio, e proteger  seu maior referencial no Oriente Médio.
Com os Estados Unidos liderando uma força conjunta com a NATO para uma intervenção militar na Síria, espera-se desta vez que o povo seja realmente protegido, mas a revolução já não é a mesma. Agora já não se sabe quem irá literalmente governar o país, após a queda de Al-Assad e sua ditadura de violência e sangue. Se após a derrubada do ditador, o povo sírio for abandonado, a crise poderá ser ainda pior no país.

A violência síria foi permitida

Fugindo de um lado para o outro sem encontrar lugar para repousar a cabeça, o povo da síria praticamente se esqueceu da revolução política, enquanto tenta suportar a perseguição mortal e implacável. Eles gastaram todas as suas forças para enviar mensagens, provas em fotos, textos e vídeos que pediam socorro para o grande massacre que estava em andamento. As autoridades alegavam que as provas não eram confiáveis porque não foram enviadas por agências internacionais de notícias ou órgãos oficiais. Sempre diziam que as informações não podiam ser confirmadas em função da restrição de acesso de organizações internacionais e qualquer estrangeiro no país.

Pergunto: Então quando uma mãe sai de casa correndo, gritando e pedindo socorro, não pode ser ouvida pois seu pedido não foi feito por um órgão reconhecido internacionalmente?

Com o constante descaso da comunidade internacional, o presidente sírio foi testando sua liberdade para matar, aumentando gradativamente a violência, após perceber que à cada nova escalada as autoridades internacionais permaneciam inertes. Al-Assad explorou todas as vantagens do jogo político (no âmbito diplomático), o que acabou por lhe proporcionar uma espessa blindagem. As regras internacionais estão agora se mostrando obsoletas e a crise na Síria servirá de referência para outros ditadores irem ainda mais fundo na repressão de seus opositores, sempre em nome da "soberania e independência de seus Estados, para poderem resolver seus assuntos internos sem interferência estrangeira".

Países que se encontram na mesma situação da Síria, devem ser vistos de forma diferente, e precisam de acompanhamento de perto, pela comunidade internacional.  Não há como esperar um grande genocídio acontecer para então decidir o que fazer, os próprios números falam por si: Mais de 15. 426 civis mortos cruelmente, em mais de 80% por execução sumária!

As regras internacionais não previam que homens tão cruéis como Hafez Assad e seu filho bastardo Bashar Al-Assad tivessem a ousadia de desafiar o mundo, sob pretexto de provocar uma guerra em todo o Oriente Médio ou à nível mundial! Leis e tratados que precisam de revisão, pois já não protegem as populações, como previsto. Nesta quinta o escritor da página oficial da Revolução Síria desabafou:

"O povo sírio só tem duas escolhas: Ou se preparar para morrer, até vivemos na dignidade da glória ou a mendigar o perdão e poder viver por viver e morrer."

Armas caseiras vão ganhando espaço no Exército Livre, formado por dissidentes
e civis voluntários, que sem recursos lutam mais uma vez pela própria liberdade,
ou por um governo mais justo que distribua recursos de forma justa para todas as
famílias sírias. Chefe da UNSMIS: "Síria já vive Guerra Civil", disse ONU.

A violência na Síria já atingiu todos os níveis de crimes descritos como de alçada internacional pela Carta Magna da ONU: "Crimes contra humanidade, limpeza étnica e crimes de guerra". Esta realidade já vem sendo confirmada pelas Nações Unidas nesta quinta-feira, com os relatórios mais recentes enviados pela missão dos Observadores na Síria. Destacando aqui que a R2P (Comunidade Internacional) tem o "dever de proteger as populações por meio de prevenções aos genocídios", com base no tratado assinado em 2005. Este clamor tem sido levantado pelos conselheiros especiais da UNSMIS (Missão de paz das Nações Unidas na Síria) que urgem por uma iniciativa internacional para conter a onda de ataques direcionados propositalmente para as populações de civis.


Outra realidade é que desde o mês de Novembro de 2011 que os relatórios das Nações Unidas não passam dos 10 mil civis mortos, ao passo que a realidade no solo revela que em média 1000 pessoas morrem todos os meses no país.


Uma confissão (que no momento não tenho o link) de um dissidente da marinha síria, que no mês de Maio de 2011 o regime sírio prendeu um grande número de manifestantes e os levou ao cais. Lá não se sabe o número exato, um gigantesco número de pessoas mantidas em contêiners, e o que levou o jovem marinheiro a desertar e fugir para não ser morto pelo regime, foi o fato de que os contêiners foram lançados no mar por ordens do regime sírio!


A única forma de verificar esta acusação grave é enviando equipes de busca mais tarde.

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