quinta-feira, junho 28, 2012

Música: você apostaria na volta da Black Music brasileira?

O "movimento black" dominou o mercado brasileiro à partir dos anos 60 impulsionado pelo empolgante som de artistas americanos como James Brown. Como dizia João Nogueira, "não se ouvia músicas nacionais nas rádios". Alguns brasileiros top de linha como Tim Maia e Jair Rodrigues decidiram abraçar a causa americana, dando uma pitadinha de português. Em 1970 a Furacão 2000 realizou o primeiro baile funk no país, exatamente no Canecão, comandado pelo lendário Ademir Lemos. Na época "Jesus is Love" do The Commodors era a balada dançante mais tocada nos bailes (?). Porque ninguém sabia que a letra falava do amor de Jesus Cristo!


Ícone da indústria fonográfica, a fotografia imita a logo da RCA desde 1998
 - Cortesia " BeverlyPack"
Por Saulo Valley - Rio de Janeiro, 28 de Junho de 2012 - 11h35 GMT-3

Desta década em diante a música americana foi sofrendo mutações. Nos anos 80 o "Rap" americano foi inserido no Brasil com uma gigante injeção das multinacionais estrangeiras. Já no início dos anos 90 a mistura das letras em inglês com versões em português que não tinham qualquer ligação com o texto original.

Esta tendência dominou o funk da época. Paralelo a isto o "Charmy" dominava o Rio de Janeiro. Celebridades como Messiê (Mounsieur) Limá, Dj Corello e Dj Marlboro davam toques especiais de romantismo na segunda década da balada eletrônica que conquistou o público brasileiro. Esta tendência foi ainda mais fortalecida com a explosão de sucessos interpretados por Withney Houston, After 7, Gregory About, Michael Jackson, Luther Vandros entre outros. A versão brasileira foi despontando em paralelo com a adesão de Sandra de Sá ao estilo "Tim Maia" em músicas como "Bye Bye tristeza". Já na segunda metade da década de 90 o R&B voltou do túmulo com força nos EUA, depois de 20 anos apagado. Completamente remodelado, cheio de riffs e loopings completamente digitais, a tendência "babyface"não colou no Brasil e afastou o público brasileiro da influência afro-americana. Ao invés disto, o público preferiu o som estridente dos violões de aço e ganhou forças as músicas com apelo acústico.

Após a virada do milênio o público nacional abraçou com mais vontade ainda a música livre da influência da música eletrônica e até 2004 se manteve. As bandas de rock que faziam shows acústicos dominaram as paradas. Até musicas antigas voz e violão como "More Than Words" do Extreme estavam de volta.  Mas nesta era surgiu a nova black music. Complemente leve, com swings dos instrumentos eletro-acústicos e as baterias menos quadradas. Explosão se deu com a volta do domínio americano estrelado por Usher e Beyoncé. Esta nova tendência foi batizada de "HipHop" e dominou as cabeças com a coleção pirata de clipes americanos demos batizada como " HipHop Traxx".  Apesar de que o HipHop havia nascido à partir do Rap nos anos 90, no novo milênio abandonou quase que completamente as letras políticas e partiu para a exploração da luxúria e do romance caro! Movimento este que perdeu a força entre 2009 e 2010 em função da crise econômica mundial e deixou muita gente com saudade de uma "bateriazinha eletrônica"...


Bandas de rock no auge, muita distorção na veia, espaço aberto para novas experiências como o Dance (House) e o Kuduro. É, mas há quem aposte na volta da velha black music nacional, que ainda se chama pelo nome de "charme".



Na contra-mão das novas tendências, com a saída dos grandes investidores do ramo musical e a quase falência das gravadoras gigantes, a música de estilo conhecido por  "alternativo" despontou no evoluir da última década. Este novo-velho estilo chamava atenção por fugir aos padrões massificados e repetitivos da indústria mundial, trazendo sons antigos e estilos de figurinos e penteados que levavam de volta ao túnel do tempo entre os anos 30 e 60.

Nesta reciclada que o gosto musical mundial vem dando, advinha qual é a próxima tendência que surge na cadeia rítmica de todos os povos localizados nas grandes cidades urbanas? O soul. A black music quase na sua origem. Na verdade o "reage time" é o início de toda música afro-americana. E neste siclo que parece nunca se romper, como a órbita de um planeta, tende a trazer novidades, como o tempo e as suas 4 estações. Quando é que elas são iguais de um ano para o outro?

Aí vem a nova receita para o velho bolo: 

Paulinho Fanzine é um charmeiro-nato. De pela branca e cabelos compridos até parece um artista de uma banda de rock pesado. Ao julgar por seu estilo refinado de executar sua guitarra... todo mundo pode se enganar! Mas este sobre nome te lembra alguma coisa? "Uma história de amor não acaba assim..."

É. O grupo Fanzine. Um grupo de charme brasileiro que se dedicava a cantar letras românticas recheadas de técnicas de hiphop. Mistura pra lá, mistura pra cá e velhos amigos de pista se encontram:



Paulinho Fanzine, Ferrnandinho DJ e Gabriel Jaquim decidiram investir na retomada do charme que vem sobrevivendo ao tempo ainda sem casa. Lá embaixo do viaduto do bairro de Madureira, ao relento. Aberto a todos que desejam recordar aqueles momentos maravilhosos do romantismo, da paixão e do amor embalado e marcado por melódicas canções que tornavam um romance em memórias inesquecíveis!
O Chame Brasil agora conta com novos ingredientes. Tempero extra para se manter atualizado e atraente. Na volta desta nova versão. Artistas como "Paulão Dupléx" (Zorra Total), "Lucky" e "JK Rapper" dão as primeiras pinceladas em suas obras de arte que embalarão o mundo em canções apaixonadas e dançantes, para tornar um encontro ainda mais inesquecível. Com a nova tendência sendo impulsionada com a adesão absoluta do público carioca aos "flashbacks", o charme com certeza será o rítimo da próxima era.

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