segunda-feira, abril 16, 2012

Síria: Khalidyia sob bombardeio durante fim de semana.

Apesar da determinação o Conselho de Segurança das Nações Unidas de cessar fogo, e da promessa do Regime Sírio de que retiraria suas tropas das ruas, no último fim de semana tropas do exército bombardearam cruelmente a cidade de Khalidyia na sofrida província de Homs.


Pesado ataque do exército sírio (à paisana) "Snapshot"
Por Saulo Valley - Rio de Janeiro, 16 de Abril de 2012 - 07h42 GMT-3
Atualização: 19h51

De acordo com o ativista italiano Sérgio Mazela, o Conselho de Segurança aprovou nesta manhã uma nova resolução com 15 votos a 0. O Conselho de Segurança garantiu que o regime sírio será julgado "por suas ações e não por suas palavras."

Repetindo a estratégia usada em situações anteriores em que se viu sob pressão internacional, o regime sírio ordenou o ocultamento das blindados e tanques. Suas tropas passaram, trajar roupas civis e acampamentos foram montados por trás de morros, encostas e montanhas para continuar mantendo o uso de morteiros sobre as regiões residenciais sírias. A região mais afetada foi a cidade de Khalidyia, em Homs.

Khalidya under atack - "Snapshot"
Video: Acampamento militar intalado em contra-encosta na região dos arredores de Homs, com ubjetivo de bombardear as cidades, mesmo depois do tratado de cessar fogo ter sido confirmado pelo regime sírio.
.

Conselho de Segurança na adoção da resolução  (S/RES/2042 (2012)) - Sábado 14.




Em consequência do descumprimento de todos os acordos e tratados anteriores pelo regime sírio, ativistas e populares duvidam de que a intervenção das Nações Unidas vá além das palavras. Desgastados das controvérsias geradas na tentativa da Liga Árabe de pacificar a região, e a impunidade que permite ao presidente Bashar Al-Assad continuar a prender, torturar, mutilar e matar, pessoas de todas as idades diariamente em seu país durante mais de 12 meses sem intervalo. O uso de armamento de guerra pesado e ainda aeronaves para atacar seu próprio povo, que de Março de 2011 até Setembro de 2011, estava desarmado e clamava pacificamente por liberdade, justiça e democracia.

Com o silêncio da Liga Árabe e das Nações Unidas, bem como toda a comunidade internacional, o povo sírio decidiu lutar por si só. Mas ao contrário da população pobre da Síria, o regime sírio tem países poderosos que lhe são fiéis aliados, que intensivaram o envio de armas, munição, suporte técnico, logística militar, serviço de inteligência e proteção política internacional. Entre estes aliados destacam-se Russia, China, Irã, Índia, Venezuela e Cuba. Este reforço resultou em massacres diários de pelo menos 100 pessoas desde o início de 2012. Apesar do crescente número de rebeliões no âmbito militar, o regime sírio conseguiu passar de 200.000 soldados para 500.000, enquanto que o exército formado por soldados rebelados e civis não conseguiu chegar a 50.000 portando armas leves, lançadores de foguetes de ombro e armas de fabricação caseira, o que provou ser insuficiente para cessar o ataque do regime de Al-Assad contra a população síria, em especial a população de Homs.

Enquanto isto a infeliz estatística não para de crescer: Mais de 12.460 civis morreram nas mãos do exército sírio e das forças de segurança, milícias nacionais e internacionais à serviço do regime sírio desde 15 de Março de 2011.

O gráfico, atualizado em 05-04-12 pela ONG Syrian Revolution Digest, revela detalhes de localizações dos números dos mortos por região. Ainda revela que 882 crianças e 772 mulheres tiveram suas vidas cruelmente retiradas neste período. Apesar da resistência das Nações Unidas em reconhecer o detalhado relatório da revolução síria, com o decorrer do ano vigente da repressão, as estatísticas "oficiais" publicadas pelos Direitos Humanos das Nações Unidas chegam perto da realidade. Mais de 11.000 mortos.

Na verdade, mais de 1000 pessoas morreram nos últimos 30 dias por ataques diretos do regime sírio e pelo silêncio das autoridades internacionais.

19:50 GMT-3 Video: Mesmo com a chegada dos Observadores, Homs continuou sendo castigada por grande bombardeio que durou todo o dia e ameça não ser interrompido.


Jogando nos dois lados da batalha, Rússia e China protegem o regime sírio dentro do seio das Nações Unidas, ao passo que fornecem suporte para o genocídio. Faturam alto com negócios milionários de vendas de tanques, munição, armas leves e até caças. Além do mais, todas as reações do regime sírio diante da comunidade internacional são determinadas pelo conselho de seus aliados, que formam cúpulas estratégicas para manter o presidente sírio Bashar Al-Assad no poder e impedir que a região seja controlada por regime ocidentalizado, o que prejudicaria o comércio de armas russas na região do Oriente Médio.

Agora resta saber até quando o regime continuará matando, e quanto tempo levará até que seja completamente destituído do poder! Afinal, mais de 20.000 pessoas estão ainda desaparecidas e mais de 120.000 pessoas estão presas, em poder do regime, que pode (à qualquer momento) iniciar um terrível holocausto nas prisões subterrâneas do país, sem que ninguém consiga impedir.

A Coordenação de Locais da Síria relatou que:


Só nesta manhã de segunda:


"O número de mártires da Síria de hoje chegou a 8, entre eles uma criança. 6 mártires cairam de balas das forças de segurança em Hama, e um mártir caiu em Idlib e 1 em Homs."


Na última quinta-feira 13-04-2012:

"12 mártires foram reportados no país, sendo : 6 em Hama, 4 em Idlib, 1 em Aleppo, e 1 em Homs"
Leia ainda:

DR. ABDULLAH AL-NAFISI: "IRÃ, IRAQUE E HEZBOLLAH LUTAM NA SÍRIA AGORA." e a chegada dos primeiros observadores das  Nações Unidas na Síria.

Artigo em Destaque

EDITORIAL - O Brasil é perfeito para quem não teme o trabalho honesto

Temos que combater os esforços da mídia paga, que visa fazer as pessoas amarem mais o mal que o bem. Se você concorda leia, comente e compa...

Leia também: