terça-feira, março 13, 2012

Angola: Testemunhos sobre a violência contra manifestantes no Domingo 11-03-2012

A Angola sofre duras consequências por ter um governo corrupto e que se mantém pela força das armas há 33 anos. Com o mandato vencido desde 2010, o presidente José Eduardo dos Santos, originario de São Tomé, se nega a deixar o poder e se vale de todos os recursos para continuar oprimindo e proibindo qualquer tipo de manifestação contra sua ditadura.

Por Saulo Valley - Rio de Janeiro, 13 de Março de 2012 - 07h30 GMT-3

O sentimento de revolta é nacional. De acordo com o intelectual Nelson Pestana, a manifestação que aconteceu no Domingo último (11-03) havia sido informado às autoridades de modo formal, pela organização da manifestação. Conta o cientista político, jurista e docente universitário Nelson Pestana, que um grupo de vândalos contratados pelo governo da província de Luanda sequestrou o Sr. Mário Domingos, o organizador do evento.  Ele conta também que ainda outro grupo atacou a residência do Sr. Casimiro Carbono valendo-se de violência, feriram pelo menos mais 3 pessoas e destruíram todo o material e o equipamento que seria utilizado no dia seguinte durante a manifestação por democracia e dignidade popular.

Foi contando sua dura experiência pessoal durante a passeata no Cazenga, que no site "circuloangolanointelectual", pode descrever suas próprias impressões sobre o atual governo e a situação do povo angolano, que como todos já sabem, temos reportado aqui com frequência, enquanto as grandes mídias ignoraram até este Domingo do dia 11 de Março de 2012.

Conta o intelectual que a intenção dos organizadores era que uma grande concentração acontecesse no Tanque de Água. Dali uma passeata seguiria rumo à Praça da Independência via Congoleses. Surpresos ficaram quando perceberam que tropas da Policia Nacional já estavam à postos "como se estivesse de emboscada", descreveu. De acordo com o Jurista Nelson Pestana, no primeiro momento, chegaram a acreditar que a polícia estivesse alí para protegê-los e garantir a segurança do evento, mas aconteceu o inesperado.

Francisco foi um dos alvos de um grupo de militares.
Foto cortesia de "Kuduro de Angola"
Uma reação súbita da polícia causou alvoroço e espanto. Eles reagiram à manifestação com barras de ferro e armas de munição real. Golpes violentos eram desferidos para todos os lados enquanto as armas de fogo faziam ouvir seu grito. Tudo isto sem o menor aviso (aos manifestantes).

O rapaz da foto precisou se submeter a uma leve cirurgia de cinco pontos e ainda foi ferido no braço. Vários outros sofreram inúmeras escoriações e o especialista Nelson Pestana (que testemunhou pessoalmente os acontecimentos) disse que um manifestante de nome Davi, teve além de outros ferimentos, parte da orelha decepada. Conta ainda que efetuaram a prisão de Luamba e Mário Domingos posteriormente foram libertados. O motivo da libertação dos presos, segundo conta do cientista político Nelson Pestana, é que as ordens expressas eram de não manter presos, apenas espancá-los.

"... a nova orientação agora não é a fazer presos mas a de bater só, dizia um dos algozes ao seu colega, quando este ia a passar as algemas ao David. " "circuloangolanointelectual"

1 Dia antes...

Mário é um manifestante que milita pela instauração da democracia em Angola. Com a cabeça ainda sangrando, após ter sofrido pesado espancamento por forças policiais, o jovem ainda se manteve firme, convicto, orgulhoso e pronto para morrer em defesa dos direitos de seu país e de seu povo:


Conta a página do Facebook Jornal Do Povo Angolano que Mário é um dos idealizadores da manifestação. Segundo conta o Jornal com sede em Luanda, o jovem líder foi sequestrado no Sábado por um grupo não identificado e transportado em um carro também sem identificação. A fonte conta que ele foi levado para uma região deserta chamada "Terra Vermelha", onde foram severamente espancados pela segunda vez.

Mário contou ao JPA que em certo momento os agressores ofereceram-lhe dinheiro para "se esquecer do acontecido", mas ao recusar a oferta, os espancamentos recomeçaram e passou a receber ameaça de morte, disse o Jornal. Testemunhas e informantes ligados ao Jornal citaram Bento Kagamba como a pessoa que se mantinha em comunicação com o grupo de agressores durante o sequestro.

Das razões

De acordo com o depoimento de Adão Ramos ao Jornalistas da Voz da América, o objetivo central da manifestação era protestar contra a nomeação de Suzana Inglês para a chefia da Comissão Nacional Eleitoral. Em suma, todos os partidos políticos rejeitaram unanimes, o nome de Suzana Inglês para o cargo, exceto o único partido no poder: MLPA.

Segundo ainda o jurista Nelson Pestana, o JES é o grupo responsável e está por trás dos grupo violentos que militam em favor do atual regime angolano.

Curiosamente, o Ministério Público abriu um inquérito para apurar as causas da violência que aconteceu no último domingo. Segundo o "circuloangolanointelectual", a Anestia Internacional se mostra presente a antenada, prometendo acompanhar o desenrolar das investigações.

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