domingo, janeiro 29, 2012

Síria: Liga Árabe decide pelo fim da missão por causa da violência.

Inicialmente a proposta da Liga Árabe era impedir uma intervenção internacional na Síria, porque se acreditava que o regime sírio precisava de uma chance para resolver suas crises internas, mas todas as novas opções apresentadas pelo Conselho de Ministros Árabes, terminaram sendo transformadas em meios de incrementar o massacre de civis.

Cortesia: "Syria Cartoons"
Por Saulo Valley - Rio de Janeiro, 29 de Janeiro de 2012 - 20h29min.

O número não é oficial, mas pelo menos entre 600 e 800 civis foram mortos desde que o plano árabe foi assinado entre a Liga Árabe e a Síria em 26 de Outubro de 2011. Em comunicado de imprensa, o Dr Nabil Al-Arabi, secretário Geral da Liga Árabe disse ontem (28) que atualmente a situação está ainda mais grave na Síria, destacando "o uso continuado de violência e a troca de bombardeios e tiroteio".

Esta violência tem vitimado centenas de civis, levando o Secretário Geral Al-Arabi a destacar a falta de esforço do regime sírio de cessar o tiroteio e a violência tendenciosa a "se afastar completamente do objetivo da missão da universidade." Esta declaração revela uma realidade: A violência na Síria cresceu tanto que os próprios observadores passaram a ser ignorados por completo, tornando-os apenas expostos a qualquer ataque, como qualquer civil sírio já sofre.

O Dr. Nabil disse ainda que a resolução veio como resultado de uma consulta com os demais ministros membros do Conselho, restando depois da emissão da decisão, pedir ao chefe da missão de Observadores que cuide da segurança de seu pessoal.

Esforço inútil do diálogo

Cortesia: "Syria Cartoons"
O esforço da Liga Árabe se mostrou inútil quando o Conselho de Ministros anunciou que a meta era unir o governo e a oposição num evento dedicado à promoção do diálogo e das busca por soluções pacíficas.

Depois de 50 anos sendo esmagado pelo clã Al-Assad, massacres seguidos de massacres ainda sem que a sede de vingança do povo sírio, em especial o povo de Homs e Hama tenha sido aplacada, num momento em que novos massacres acontecem em Hama, Homs e o último em Idlib, quando 14 pessoas da mesma família foram assassinadas, sendo 8 crianças...

Num momento em que a tentativa de diálogo por meio das placas, faixas e cartazes foi recebida com o uso de força militar máxima (a suspensão da suspensão da Lei de Emergência) ao ponto de resultar na morte de mais de 6000 manifestantes, que buscavam o diálogo desde 15 de Março de 2011, tendo como resposta bombardeios, prisões aleatórias, sequestros, mutilações e muito, muito tiroteio aleatório...

Como colocar os dois lados da moeda na mesma mesa para um diálogo? Como se pode achar que ao apontar canhões para um povo, vai conseguir trazê-lo à mesa para simplesmente conversar?

Cortesia: "Syria Cartoons"
Pense nos milhares que morreram nos hospitais, nos manifestantes sequestrados e devolvidos mais tarde completamente irreconhecíveis e em pequenos pedaços, ou mesmo na quantidade de mulheres de todas as idades que foram violentadas em público, diante de câmeras e celulares ou secretamente, como mensagem para silenciar suas famílias que pedem para dialogar sobre seus direitos civis?

Por esta razão, depois de perceber que a Síria estava servindo mais como uma atentado à credibilidade da Liga Árabe, é que o Dr. Nabil pediu ao presidente Bashar Al-Assad para se demitir, a fim de cessar por completo a violência. Isto aconteceu porque está claro que ele é a única razão de toda a violência na Síria, nestes quase 12 meses. Não havia razão para a implantação dos Observadores, porque todo o planeta já sabia da realidade e havia provas contundentes sobre os crimes cometidos pelo presidente Bashar Al-Assad, seu governo e o partido Ba'ath.

Esforço inútil seria acreditar e investir para que Al-Assad apoiasse e protegesse os Observadores à fim de produzir provas contra si mesmo, para logo à seguir ser processado pelo TPI por crimes contra a humanidade.

Agora que ficou provado que a população síria não pode ser protegida pelo regime, como acham que os Observadores serão protegidos, se na época, nos primeiros diálogos entre a Liga Árabe e a Síria, até as embaixadas estavam sendo atacadas, seus funcionários feridos e mobiliários destruídos, bem como veículos...

Fracasso internacional: O povo sírio precisou recorrer à armas para a auto-proteção depois do silêncio global. À cada novo dia mais civis e militares se unem num esforço sobre-humano para deter a máquina assassina do cruel regime Sírio. Resta saber se algum dia ele será responsabilizado por tanta desgraça.


Depois de mais de 30 dias de pedidos internacionais para que a Liga Árabe entregasse os arquivos da Síria para as Nações Unidas, talvez agora, às custas do sangue de pelo menos 2000 sírios militares e civis, seja permitido o envio de uma missão humanitária e uma operação militar que pare a máquina de matar de Al-Assad, antes que não sobre mais ninguém vivo no país, ou que sobre apenas os alawitas, ou que bósnia e Iraque se tornem "pequenos conflitos isolados".

Se houver apoio financeiro ou interesse internacional, que a NATO seja imediatamente acionada para silenciar as armas do regime desumano de Al-Assad de uma vez por todas.

Referência: "arableagueonline"

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