domingo, janeiro 29, 2012

Síria: Rastan controlada por rebeldes; Professor Jamal pede Irã incitar chiitas contra Arábia Saudita.

A revolução Síria deixou de ser pacífica e atravessa uma nova fase em que até as mulheres estão se voluntariando para compor o exército livre, uma vez que a ajuda internacional não chega e os massacres só ganham volume e força, além dos velhos requintes de crueldades. Não há autoridade que faça o derramamento de sangue parar, até que Al-Assad seja definitivamente derrubado.

Enforcamento simulado de Bashar Al-Assad
Por Saulo Valley - Rio de Janeiro, 29 de Janeiro de 2012 - 06h57min.
Atualização: 08h23min.

A sexta-feira do dia 27 marcou uma revolução dentro da revolução síria. Cantando slogans que pediam ao povo para se defender dos ataques armados do regime sírio, o lançamento da "Sexta da auto-defesa" trouxe armas para as mãos de milhares de civis, crianças, jovens, mulheres e até idosos.




Uma verdadeira guerra declarada, depois de 11 meses de tentativa de se manter pacíficos, enquanto aguardavam ajuda internacional. A estratégia "pacífica" consistia em morrer nas mãos das milícias pró-assad e tropas do exército sírio, até que o socorro internacional chegasse e condenasse o governo por crimes contra a humanidade, mas não aconteceu. Depois de mais de 6000 civis massacrados, as mortes diárias tem ultrapassado de 100 pessoas e as cidades drasticamente destruídas por bombardeios intensos por morteiros, munição anti-tank, munição anti-aérea, além de bombas de pregos, granadas de mão e foguetes de ombro.

Oprimidos enquanto as "autoridades e organizações internacionais fazem cotação com o número de mortes no mercado financeiro", os sírios foram buscar seus próprios resultados. A temida guerra civil já começou e a Líbia vem sendo lembrada à cada novo dia. Exemplo é a cidade de Rastan. Bombardeada, atacada, violentada e dizimada; foi a primeira cidade a formar grupos armados de civis que chamou de "exército de paladinos". Há cerca de 45 minutos, uma notícia ecoou em meio aos pesados sons de tiros e explosões no pais: "Rastan está sob controle dos rebeldes do Exército Livre".

Após o controle da cidade de Rastan, o Exército Livre passou a proteger as manifestações, fazendo escolta armada do povo que ganha mais forças para sair pelas ruas da cidade pedindo o fim do regime de Al-Assad e do partido Ba'ath. 


Na arquitetura de Rastan, as marcas da luta pela proteção da população das vorazes forças do Al-Assad. 


Apesar da comemoração, apenas a região central da cidade está sob controle dos rebeldes. A luta continua enquanto as demais cidades lutam pelo direito de escolher seu presidente, centenas de vidas são esmagadas diariamente pelo partido único do atual regime.

Observando ainda que a "aljazeera", citando o jornal "The Times" publicou neste sábado uma outra matéria mostrando que o regime sírio está perdendo o controle em diversas áreas de Damasco.

Longe de tudo isto, uma outra realidade: Acampamentos sírios na Turquia sofrem com enchentes, e uma série de problemas infra-estruturais.

Acampamento de Bonogn - Alagado, sem comida, sem água e deserto.
Cortesia: "Mhmad Al Salh"
Por estas razões, é que o povo decidiu abandonar o acampamento e voltar para Síria. Entenderam que a única forma eficaz de garantirem um mínimo de condição de se viver dignamente, seria lutando. Como disse Mhmad Al Salh ao comparar a realidade do povo sírio com a realidade pregada pelo Conselho Nacional Sírio em ligação com as autoridades internacionais:

"Isto é o que acontece. Agora é o modo como vivemos, como dormimos e como comemos ...  E o Conselho ainda está em processo de falar em reuniões em hotéis de turismo.  É isso que nós sofremos por nossa liberdade e aqueles que querem paz. Queremos soluções rápidas para não morrer de frio e neve e água. Não queremos teorias de quem está confortável no ar-condicionado."
Diplomacia à parte, uma outra operação rebelde bem sucedida foi no campo virtual. Hackers à serviço da revolução invadiram os servidores do regime sírio que mantinham dados de todos os acessos à internet à partir da Síria. De acordo com o ativista conhecido como "Syrian.Mann" que disse que todos os registros de backups dos usuários em paginas de internet, inclusive do Facebook, foram destruídos, não restando (supostamente) informações relevantes sobre qualquer usuário sírio. 

Uma entrevista sectária: Jamal Al-Mahamoud, professor de Ciências Políticas da Cidade de Damasco, pede ao Irã que mobilize os chiitas na Arábia Saudita para incendiar e derrubar o reino do rei Abdul bin Abdullah bin Aziz em rede nacional na TV Al Dunya.


...Mas a guerra continua...

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