terça-feira, janeiro 03, 2012

Na China democracia não é revolução mas adequação aos tempos difíceis.

Um dos países mais tradicionais do planeta seguiu a mesma linha de governo por milhares de anos chegou ao ápice do crescimento (por meio de resultados forjados pela inteligência militar) mas esta estratégia só serve para caiar a verdadeira face da miséria e da crise que tende a enfraquecer o país em profunda anemia. O povo chinês está compreendendo que a democracia e a distribuição de renda deverá ser a única forma do país não chegar ao colapso completo.

Por Saulo Valley - Rio de Janeiro, 03 de Janeiro, de 2012 - 19h00min.

O que antes era conhecido e temido pelos governos de todo o mundo como "primavera árabe" pode ser visto hoje de forma muito mais positiva, em comparação com a crise aguda que afeta todas as potências mundiais e os países europeus e americanos.

Surpreendentemente, esta é a visão que os chineses estão tendo hoje, ao contrário do que o mundo possa imaginar. A verdade é que após uma profunda pesquisa, descobri que o mundo não sabe o que acontece no interior da China, mas os chineses sabem tudo o que acontece no mundo. Da crise mundial às revoluções, ocupações, revoltas e crises financeiras etc. Apesar de não frequentarem as tradicionais redes sociais, eles sabem de tudo o que acontece no Oriente Médio, destacando a Síria e seu maléfico presidente Bashar Al-Assad.

Eles têm a mesma visão do mundo que qualquer ocidental, e este fenômeno tem uma explicação: Milhares de milhares de chineses que vivem no exterior, conversam diariamente com seus familiares que ainda residem na China. Por meios aleatórios, de acordo com a familiaridade de cada um às tecnologias, eles trocam "feelings" sobre tudo o que acontece ao redor do planeta, cruzando informações com outros familiares espalhados pelo mundo. Este boca-a-boca eletrônico tornou o bloqueio de informação algo impossível. Até porque a China depende economicamente desta relação familiar à longa-distância para manter as contas um pouco equilibradas. Chineses espalhados por todo o planeta têm enviado quase 100% de seus ganhos para seus familiares na China há mais de 3 décadas. Assim, muitas famílias chinesas têm conseguido sobreviver à terrível falta de condições de se manter em seu próprio país.

Preocupado com o grande fluxo de cidadãos (e divisas) para o exterior, o governo chinês agora precisa pensar numa forma de tornar o pais num lugar agradável para se viver e receber imigrantes de todo o mundo. Para isto, precisará abrir mão da velha estrutura comunista, da ditadura militar e investir menos em armas, exportações e se concentrar numa melhor qualidade de vida para seu povo.

A verdade é que o povo chinês ja´está preparado para esta mudança.

Wukan como referência

A pequena aldeia de Wukan, tornou-se uma grande referência de democracia chinesa, apesar do governo comunista. Eles se revoltaram, expulsaram os funcionários públicos e por eleições democráticas formaram uma administração provisória com os mais confiáveis e respeitados membros da comunidade.

Então eles deram prosseguimento à gestão administrativa da comunidade com muito mais responsabilidade fiscal e civil que a administração oficial. Esta atitude levou outras aldeias a buscar melhorias para as suas comunidades por seus próprios meios. A pequena aldeia de Xinxing, em Liujiang, é uma destas evoluções. A velha reclamação que já perdurava 20 anos sobre o roubo de 3000 hectares de terra, teve uma pacífica recepção das autoridades que demonstraram "tato e diplomacia", que prometeu aos 300 representantes da aldeia que resolveriam a situação. De acordo com o blog "liuzhou", no dia seguinte um gigante contingente militar foi enviado para o local e a aldeia foi completamente cercada, culminando num grande número de prisões. Esta realidade tem levado novas aldeias e vilarejos a sair pelas ruas pedindo justiça e combate à corrupção.

O professor e blogueiro   Fenghuang Wang disse em seu blog que "a democracia vai melhorar nossa qualidade de vida." Ele disse isto porque destaca uma grande porção de chineses que não têm a menor intenção de se ocidentalizar, eles buscam defender seu país e sua cultura milenar, de forma que seja humanamente sustentável. Ele destaca o alto custo de manutenção do atual sistema no que chamou de "Custo do sistema em barreiras institucionais", em primeiro lugar ao procurar manter construções e palácios governamentais de alto luxo, gastando o mínimo possível com saúde, educação e bem-estar de seu povo.

Em segundo lugar ele atribui este alto custo ao elevado investimento para se manter um grande número de funcionários controlando administrativamente, monitorando as empresas. Funcionários que faturam alto para manter o controle direto sobre tudo o que é produzido no pais, que terminam servindo até mesmo como obstáculo para o crescimento das empresas.

Wang avalia que o terceiro ponto negativo da administração chinesa para os novos tempos, está relacionado aos direitos contratuais, devido às fraudes, ocupação e venda de propriedades alheias e à falta de credibilidade deste setor "afasta os investidores."

Fenghuang acha que a jornada de trabalho chinesa precisa ser reduzida, para que a produtividade seja maior, e para que o trabalhador encontre meios alternativos de renda, a jornada deveria ser aproximada do padrão mundial.

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